Com uma trajetória marcada pelo cuidado, empatia e sensibilidade, a Dra. Flávia de Freitas Ribeiro tem se destacado por unir duas áreas que se complementam: a pediatria. Formada pela Faculdade de Medicina de Campos (FMC) e com residência no Hospital Municipal Souza Aguiar, e a psiquiatria infantil. Formada pela AFYA.
Ela construiu uma carreira voltada à compreensão integral da criança – corpo e mente – e ao acolhimento das famílias. Mãe dedicada, profissional apaixonada pelo que faz e uma mulher que acredita no poder da empatia e da escuta, Dra. Flávia encara a medicina como uma missão de vida. Além da atuação clínica, ela revela outro propósito inspirador: a moda, como uma forma de incentivar as mulheres, especialmente, mães, a se cuidarem – a chamada “moda com propósito”. Amante de viagens e momentos com sua filha, Flávia compartilha um pouco de sua jornada e visão sobre os desafios e transformações da infância contemporânea.
SP – Como a medicina entrou em sua vida?
FFR – A medicina surgiu na minha vida não por influência familiar, mas por vocação. Desde muito cedo, eu sentia prazer em cuidar, em ouvir e acolher pessoas, especialmente, crianças. Sempre fui movida pela empatia e pela vontade de ajudar, e esse sentimento foi crescendo comigo. Quando perdi minha avó, Amarita, quis entender mais sobre a saúde, sobre o corpo humano e sobre o porquê das doenças. Essa perda despertou em mim uma curiosidade profunda e um desejo genuíno de estudar e compreender o que leva o ser humano ao adoecimento. Foi aí que percebi que queria dedicar minha vida ao cuidado e à promoção da saúde.
SP – Sua família é da área de exatas. Como reagiram quando você decidiu seguir outro caminho?
FFR – Minha família sempre me apoiou, mesmo vindo de um universo completamente diferente. Cresci entre engenheiros, professores e pessoas ligadas à matemática, mas sempre fui a “do cuidado”, aquela que gostava de ouvir e cuidar. Meus pais, Ana Maria e Fernando Lopes Ribeiro, me deram toda a confiança e suporte necessários para seguir esse sonho. Mesmo sem entender muito sobre o caminho da medicina no início, eles acreditaram em mim e me incentivaram a continuar. Hoje, sinto que sou motivo de orgulho, não só pelo que conquistei profissionalmente, mas, pela pessoa e pela mãe que me tornei.
SP – A maternidade influenciou sua forma de enxergar a medicina?
FFR – Com certeza. O nascimento da minha filha, Maria Valentina, foi um divisor de águas na minha vida pessoal e profissional. Passei a enxergar as famílias e as crianças de um novo ângulo, aumentou ainda mais a empatia e sensibilidade. Entendi que cada mãe tem seu próprio ritmo e desafios, e que muitas vezes, o acolhimento é o melhor remédio. Além disso, mergulhei em áreas que antes não eram tão exploradas por mim, como o sono infantil e o desenvolvimento emocional. Ser mãe me tornou uma profissional mais humana, mais compreensiva e mais atenta aos detalhes que realmente fazem diferença na rotina e na saúde das crianças e de suas famílias.
SP – Você uniu pediatria e psiquiatria infantil. Como foi essa transição?
FFR – Após anos atuando na pediatria, percebi que muitas queixas físicas das crianças estavam ligadas a questões emocionais. Às vezes, bastava um momento de escuta para que elas melhorassem. Foi então que senti a necessidade de aprofundar esse olhar e busquei a psiquiatria infantil. Hoje, consigo integrar as duas especialidades: observo o corpo, mas também, o comportamento, o ambiente e o emocional. É um trabalho completo, que exige sensibilidade e preparo, mas que traz resultados incríveis. Entender que saúde mental é parte da saúde como um todo é fundamental para o desenvolvimento infantil equilibrado.

SP – O papel da família é essencial nesse trabalho, certo?
FFR – Totalmente. Não existe cuidado infantil sem envolver a família. A base genética é importante, mas, o ambiente é determinante. Um lar desorganizado, cheio de conflitos ou sem limites claros, pode gerar consequências significativas no comportamento da criança. Por isso, costumo dizer que tratar apenas a criança é como “enxugar gelo”. É preciso cuidar também do contexto em que ela vive, trabalhar os vínculos familiares e fortalecer a comunicação entre pais e filhos. A família é o alicerce, e quando ela está em harmonia, o desenvolvimento infantil acontece de forma muito mais saudável.
SP – Você se formou há 14 anos. Quais mudanças observa na infância e nas famílias desde então?
FFR – Muita coisa mudou. As novas tecnologias trouxeram benefícios, mas também, desafios. Hoje, as crianças têm acesso precoce a telas e redes, o que interfere no sono, na concentração e na socialização. Tenho visto um aumento significativo nos casos de ansiedade e até depressão infantil. Os pais, por outro lado, estão sobrecarregados e, muitas vezes, inseguros sobre como educar. Por isso, vejo o papel do médico muito além do consultório: é orientar, acolher e ajudar a construir caminhos. A criança aprende mais com o exemplo do que com o que escuta. Educar é um exercício diário de presença, paciência e amor.
SP – Onde está atendendo atualmente?
FFR – Atualmente, atendo no consultório do Edifício Lumina (Rua Dr. Siqueira, 139/102 – Pelinca – 22 99910-8388), com foco em pediatria e psiquiatria infantil, e também, no CAPS infantil, próximo ao colégio Auxiliadora. Além disso, participo de triagens no projeto Neuro Ação, que direciona os pacientes para os atendimentos adequados. Tenho visto o quanto o diagnóstico e o acompanhamento precoces podem transformar a vida de uma criança. Cada consulta é uma oportunidade de acolher uma família e ajudá-la a enxergar novas formas de lidar com os desafios do desenvolvimento infantil. É um trabalho que me realiza profundamente, tanto pelo impacto quanto pela conexão humana que ele proporciona.
SP – Quem mais marcou sua trajetória profissional?
FFR – Um nome que me inspira muito é o do Dr. Daniel de Souza Filho, psiquiatra em São Paulo e mestre em Desenvolvimento e Transmissão. Ele foi e continua sendo uma grande referência para mim, me orientando com sabedoria e empatia.
SP – Você mencionou o projeto da moda com propósito. Pode nos contar mais sobre isso?
FRF – Sim, é algo muito pessoal e especial. Tenho a moda como propósito de incentivar as mulheres – especialmente, as mães – a se cuidarem, a se sentirem bem, seguras e bonitas. Acredito que o autocuidado é uma forma de saúde emocional e quero inspirar outras mulheres a resgatarem esse amor-próprio.
SP – E fora da medicina, o que te faz feliz?
FFR – Amo viajar, conhecer novos lugares e culturas, e acima de tudo, amo curtir minha filha. Ela é minha maior fonte de alegria e aprendizado diário.
Com uma carreira consolidada e um olhar humano sobre a medicina, a Dra. Flávia, segue inspirando pacientes, famílias e colegas, mostrando que cuidar é, acima de tudo, um ato de amor e propósito.