O termo andropausa é frequentemente empregado por analogia à menopausa feminina, porém, é biologicamente incorreto. Na mulher, o ciclo reprodutivo se encerra com a falência ovariana e ocorre queda acentuada dos hormônios. No homem, diferentemente, há um declínio lento, progressivo e gradual da produção de testosterona ao longo dos anos.
A redução dos níveis séricos de testosterona, geralmente, se inicia por volta dos 40 anos. Entre 40 e 50 anos, cerca de 10% dos homens apresentam níveis abaixo do considerado normal. Esse percentual sobe para
aproximadamente 30% entre 50 e 59 anos, 40% entre 60 e 69 anos, podendo atingir entre 50% e 60% após os 70 anos.
As manifestações da DAEM podem atingir as esferas sexual, física e emocional. No campo sexual, destacam-se diminuição da libido, redução da intensidade do orgasmo, disfunção erétil e menor volume ejaculado. Na esfera física, podem ocorrer: perda de massa e força muscular, aumento da gordura corporal, redução de pelos, anemia, osteoporose, fadiga persistente e episódios de sudorese.
No aspecto psicológico, são possíveis alterações de humor, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, redução da capacidade cognitiva, diminuição da sensação de vitalidade, apatia, e até, quadros depressivos. É importante ressaltar que nem todos os sintomas precisam estar presentes simultaneamente, podendo surgir de forma isolada e com intensidades variadas.
Diante de sinais sugestivos, o homem deve procurar avaliação médica. O tratamento adequado pode proporcionar melhora significativa da qualidade de vida, do desempenho físico e da função sexual. Contudo, antes de iniciar a reposição hormonal, é fundamental que o paciente esteja plenamente consciente de que a terapêutica envolve benefícios, mas também, possíveis riscos.
O diagnóstico baseia-se na história clínica detalhada, no exame físico e em exames laboratoriais. Ao exame físico, podem ser observados diminuição de pelos corporais, ginecomastia, redução da massa muscular, aumento da gordura abdominal e diminuição do volume e da consistência testicular.
Do ponto de vista laboratorial, devem ser avaliados os níveis séricos de testosterona total, o PSA (Antígeno Prostático Específico) em homens acima de 40 anos e hormônios hipofisários, como LH e prolactina, especialmente, quando a testosterona se encontra reduzida, a fim de afastar possíveis tumores da hipófise. O exame clínico da próstata é indispensável. Estudos demonstram associação entre baixos níveis de testosterona e doenças como: insuficiência coronariana, disfunção erétil e osteoporose. Há evidências de que, em casos criteriosamente selecionados, a reposição hormonal possa exercer efeitos positivos sobre o desempenho físico e a qualidade de vida.
O tratamento está indicado quando há sintomas clínicos compatíveis associados a níveis subnormais de testosterona e ausência de contraindicações. São contraindicações formais a presença de câncer de próstata, câncer de mama masculino e tumores hipofisários.
A reposição hormonal pode ser realizada por via intramuscular, transdérmica, oral ou subcutânea, sempre com acompanhamento médico rigoroso e monitoramento periódico dos possíveis efeitos adversos. Antes de optar pela terapia, é indispensável discutir detalhadamente riscos, benefícios e expectativas. Informação adequada e seguimento profissional são essenciais para uma decisão segura e responsável.