Dr. Marcelo Maeda

Laís Rezende Cordeiro
Neuropsicóloga
CRP 05/69762
Graduada em Psicologia pela Faculdade Estácio de Sá
Pós-graduada em Neuropsicologia pelas Faculdades Líbano e IPOG

Dr. Marcelo Maeda

Laís Rezende Cordeiro
Neuropsicóloga
CRP 05/69762
Graduada em Psicologia pela Faculdade Estácio de Sá
Pós-graduada em Neuropsicologia pelas Faculdades Líbano e IPOG

Entenda por que os sintomas podem se confundir. Nos últimos anos, uma pergunta começou a aparecer com frequência em consultórios, empresas e redes sociais: “Será que eu tenho ansiedade ou TDAH?”

A dificuldade de foco, os esquecimentos frequentes, a sensação de cansaço mental e a mente acelerada passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas. E, justamente por isso, cresce também o número de adultos tentando entender o próprio funcionamento mental.

Mas, afinal: como diferenciar ansiedade de TDAH?

A resposta nem sempre é simples, porque os dois quadros podem apresentar sintomas parecidos. Tanto a ansiedade quanto o TDAH podem causar dificuldade de concentração, procrastinação, irritabilidade, desorganização e sensação de sobrecarga emocional.

Muitas pessoas cresceram ouvindo que eram “desatentas”, “preguiçosas”, “avoadas” ou “intensas demais”, sem perceber que existia um sofrimento emocional e cognitivo por trás dessas dificuldades.

Segundo o neurologista e pesquisador Russell Barkley, um dos principais nomes mundiais no estudo do TDAH, o transtorno vai muito além da atenção. Ele envolve alterações nas chamadas funções executivas, habilidades cerebrais responsáveis pelo planejamento, organização, controle de impulsos, gerenciamento do tempo e regulação emocional.

Isso ajuda a explicar por que muitos adultos com TDAH conseguem manter hiperfoco em atividades que despertam interesse, mas, enfrentam enorme dificuldade para iniciar tarefas simples do cotidiano.

Já, a ansiedade costuma funcionar de outra maneira.

Aaron Beck, criador da Terapia Cognitivo-Comportamental, descrevia que pessoas ansiosas frequentemente vivem em estado constante de alerta mental. A mente permanece acelerada, antecipando problemas, cobranças e preocupações excessivas.

Como consequência, o cérebro pode apresentar dificuldade para manter foco, memória e organização. Ou seja: em alguns casos, a pessoa não consegue se concentrar, porque o cérebro está sobrecarregado pela ansiedade.

Em outros, a dificuldade atencional faz parte de um transtorno do neurodesenvolvimento, como o TDAH.

E existe ainda uma terceira possibilidade: os dois quadros podem acontecer juntos.

No Brasil, autores como Paulo Mattos e Malloy-Diniz destacam que muitos adultos chegam aos consultórios após anos de sofrimento emocional, crises de ansiedade, sensação de inadequação e dificuldades profissionais, sem nunca terem recebido uma investigação adequada sobre o funcionamento atencional e executivo.

Além disso, vivemos uma era de excesso de estímulos. O cérebro atual é constantemente bombardeado por notificações, múltiplas telas, excesso de informação e cobranças contínuas.

Naturalmente, isso contribui para fadiga mental, dificuldade de concentração e sensação permanente de esgotamento.

Por isso, nem toda distração é TDAH. Nem todo cansaço mental é apenas ansiedade. O diagnóstico exige cuidado, escuta clínica e investigação individualizada.

A avaliação neuropsicológica possui um papel importante nesse processo, pois permite compreender de forma mais ampla o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental do indivíduo.

Mais do que buscar rótulos, o objetivo é entender dificuldades reais e desenvolver estratégias mais saudáveis de funcionamento.

Talvez, a pergunta mais importante não seja apenas “ansiedade ou TDAH?”, mas, quantas pessoas passaram anos tentando funcionar no sofrimento sem nunca entender o que realmente acontecia consigo mesmas.

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