Evaldo Rodrigues

Psicanalista Clínico
SBP 1700 0073
Pós-graduação em Psicanálise e Análise do Contemporâneo na PUC/RS

Evaldo Rodrigues

Psicanalista Clínico
SBP 1700 0073
Pós-graduação em Psicanálise e Análise do Contemporâneo na PUC/RS

A sociedade em que vivemos respira um ar de produção constante, somos convocados a ser o melhor, a apresentar o melhor resultado, a bater todas as metas e…ufa! Isso faz com que a vida perca o sabor e vire uma maratona sem faixa de chegada. Por outro lado, existe a provocação de um mercado produtivo que cria a imagem de um profissional infalível, ultraprodutivo e sempre disponível.

Dentro deste contexto existe cada vez mais uma tirania do “ideal do EU” sobre a pessoa, ou seja, é criada uma imagem idealizada de si que tem que ser perfeita para atender as demandas da sociedade e do mercado.

O que é a Sindrome de Burnout e como acontece?

“O termo Burnout significa um estado de esgotamento físico, mental e emocional extremo causado por excesso de trabalho ou estresse crônico. A palavra vem da união de burn (queimar) e out (até o fim), indicando que a energia da pessoa “queimou” por completo.” (fonte: Cambridge Dictionary). 

Sob à luz da Psicanálise contemporânea, quando a distância entre o Eu real (que somos) e o Eu ideal (que idealizamos ser ou que somos induzidos a ser) se torna insustentável, é gerado um sentimento devastador de impotência e fracasso.

Ao se estabelecer um diálogo entre pensadores mais atuais como: Byung-Chul Han (autor do livro – Sociedade do Cansaço) com a psicanálise Lacaniana (Jacques Lacan) percebe-se que o sujeito do Burnout não é apenas explorado pelo mercado, pelo chefe, mas ele mesmo se torna um tirano de si mesmo, tornando-se o próprio carrasco. Quando a imagem de um trabalhador perfeito já está introjetada nesse Sujeito, então, há um gozo paradoxal na entrega absoluta ao trabalho, até que o corpo entre em colapso.

O corpo aparece então como o último recurso de defesa, ou seja, quando a mente recusa o limite e nega o cansaço, o sintoma então, se inscreve no corpo.

Seguem alguns sinais de alerta que precisam ser observados:

* Exaustão emocional profunda que não passa com o descanso comum;

* Irritabilidade aflorada nas relações, falta de foco, memória fraca e perda de criatividade;

* Recolhimento da libido – falta de conexão com o mundo ao redor voltando toda a energia para manter o próprio Ego em funcionamento;

* Sentimento de ineficácia e vazio – sensação de que nada é bom o suficiente e de que o próprio esforço não tem valor, gerando culpa e inadequação.

Lembrando que estes sinais não fecham diagnóstico, mas, apenas são sinais de alerta para uma realidade mundial que somente no Brasil (dados da Previdência Social – G1 01/05/2026) nos últimos 4 anos cresceu 800% e que afasta milhares de pessoas do trabalho todos os anos.

A clínica psicanalítica recebe esses casos de forma cada vez mais crescente e realiza o acolhimento pela escuta oferecendo ao cliente o espaço ideal de se escutar.

É um trabalho conjunto entre o analista e cliente no qual se buscará descobrir o que tem levado a esta pessoa a se medir pelo sucesso proposto pelo mundo externo e fazer com que ela enxergue os ideais quase sempre inalcançáveis que a atormentam. As sessões de terapia também vão ajudar o cliente a identificar como o excesso de trabalho pode estar sendo utilizado com fuga psicológica (às vezes de forma inconsciente) de outras angústias, ou mesmo, para buscar a aceitação e validação para dar sentido à sua vida.

Quando este universo emocional até então desconhecido e escondido vem à tona, o cliente então vai começando a retomar a singularidade que é dentro do contexto da vida, e a vida vai ganhar o colorido que merece.

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