A ciência vem detalhando a história do clima na Terra. Nos primórdios do planeta, há 4,5 bilhões de anos, o clima era muito hostil à vida. Além das temperaturas elevadas, havia longos períodos de chuvas e secas, além de oscilações climáticas acentuadas. A vida resistiu. Não existia ainda a humanidade, que só recentemente se formou. Houve muitas extinções, mas também, o surgimento de novas espécies.
O último período de altas temperaturas naturais ocorreu há 125 mil anos e durou cerca de 15 mil anos. A humanidade já existia, mas, suportou esse cenário. Em um tempo tão remoto, a humanidade era diminuta em comparação aos atuais 8 bilhões de habitantes. O pequeno número de pessoas distribuía-se entre África, Ásia e Europa. Oceania e América ainda não haviam sido colonizadas pelos humanos. Não havia agricultura, pecuária, indústria e cidades como as conhecemos atualmente. Os grupos humanos viviam de alimentos coletados, pescados e caçados.
Depois de viver 15 mil anos em temperaturas elevadas, a humanidade enfrentou um novo e longo período de frio: a última grande glaciação. Com o fim dela, oficialmente, datado de 11.700 anos atrás, as temperaturas começaram a se elevar e a apresentar pequenas oscilações: ora frio, ora calor.
A partir de 1850, ano em que foi feita a primeira medição da temperatura mundial, os índices começaram a subir. Como o processo de elevação foi lento, a humanidade se comportou como o sapo em uma panela com água sobre o fogo: enquanto a água está morna, tudo bem; quando se torna muito quente, não há como fugir.
De 1850 até os nossos dias, a temperatura oscilou, mas, a tendência era a de uma linha ascendente. Uma nova fase de aquecimento natural estaria acontecendo? A partir da década de 1980, instituições científicas demonstraram que as atividades humanas estão lançando grandes volumes de gases causadores do efeito estufa. Os principais são o gás carbônico e o metano. Eles tornam mais espessa a camada natural de gases na atmosfera, responsável por garantir temperaturas confortáveis à vida na Terra. Com o espessamento dessa camada, o clima começa a apresentar um comportamento desregulado. Temperaturas altas e baixas se alternam, assim como chuvas volumosas e secas intensas.
As mudanças climáticas atuais não são mais naturais, mas provocadas por um sistema econômico que nasceu na Europa Ocidental, acelerou-se com a Revolução Industrial e se espalhou por todo o planeta. A demonstração de que as temperaturas estão subindo ano após ano vem sendo feita por órgãos científicos, como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ligado à ONU; a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), dos Estados Unidos; o Instituto Copernicus, da União Europeia; e o CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), do Brasil, entre outros.
Todos esses órgãos vêm demonstrando que os desastres naturais provocados por chuvas e secas intensas, altas e baixas temperaturas prolongadas, ventos e raios já não podem ser considerados tão naturais assim. Não se trata mais de posicionamento político, com a esquerda afirmando que a Terra está se aquecendo devido à economia de mercado e a direita negando as mudanças climáticas, como faz Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. O aquecimento progressivo da Terra exige uma nova política: substituir progressivamente as fontes fósseis de energia, como: carvão, petróleo e gás natural, por fontes renováveis, como sol, vento e energia das marés.
As mudanças climáticas produzidas pela economia de mercado, hoje globalizada, estão tornando essa própria economia inviável.