A litíase urinária, conhecida popularmente como “pedra nos rins”, afeta entre 1% e 20% da população. Sua ocorrência está relacionada a fatores genéticos, alimentares, étnicos, geográficos e climáticos.
É mais comum em pessoas brancas do que em pessoas negras, em homens mais do que em mulheres e em adultos mais do que em crianças. O pico de incidência ocorre entre os 30 e 50 anos. Embora seja menos frequente em pessoas com menos de 20 anos, observa-se, nas últimas décadas, um aumento de 5% a 10% ao ano na população pediátrica, possivelmente relacionado a mudanças nos hábitos de vida e ao aumento da obesidade.
A formação dos cálculos renais é um processo complexo. Ela ocorre quando substâncias presentes na urina, como sais e minerais, se concentram e formam pequenos cristais. Esses cristais podem aderir ao revestimento interno dos rins e crescer ao longo do tempo, formando os cálculos.
A baixa ingestão de líquidos é um dos principais fatores de risco, pois leva à urina mais concentrada. Além disso, a formação dos cálculos depende de um equilíbrio delicado entre substâncias que favorecem a cristalização e outras que a inibem, como: o citrato, o magnésio e o pirofosfato. Algumas bactérias causadoras de infecção urinária também podem contribuir para a formação de cálculos ao tornar a urina mais alcalina, originando os chamados cálculos de estruvita.
Os sintomas variam de acordo com a localização do cálculo. Quando estão nos rins e não causam obstrução ou infecção, podem não provocar sintomas. No entanto, quando se deslocam para o ureter, podem causar a chamada cólica renal, caracterizada por dor intensa devido à obstrução da passagem da urina. Ao chegar à bexiga, o cálculo pode ser eliminado espontaneamente, dependendo do seu tamanho.
O diagnóstico pode ser feito por exames como radiografia simples do abdome, ultrassonografia do sistema urinário e, principalmente, tomografia computadorizada, considerada o padrão-ouro por sua alta precisão.
O tratamento depende do tamanho, da localização do cálculo e da presença de complicações, como: infecção, sangramento ou dor intensa. Cálculos pequenos, geralmente menores que 5 a 6 mm, podem ser eliminados espontaneamente e, nesses casos, recomenda-se acompanhamento clínico. Já cálculos maiores ou sintomáticos podem necessitar de intervenção.
Entre as opções de tratamento estão a litotripsia extracorpórea por ondas de choque, que fragmenta o cálculo sem necessidade de cirurgia, e os procedimentos minimamente invasivos realizados por via endoscópica, utilizando laser, energia pneumática ou ultrassônica. Cirurgias abertas são raramente necessárias atualmente.
Prevenção: para reduzir o risco de formação de cálculos renais, recomenda-se:
• Beber bastante água ao longo do dia;
• Consumir com moderação alimentos ricos em sal;
• Manter uma alimentação equilibrada;
• Praticar atividade física regularmente;
• Evitar o excesso de peso.
O consumo de frutas cítricas também pode ajudar, pois aumenta a quantidade de citrato na urina, uma substância que dificulta a formação de cálculos.