Dra. Letícia Chagas

Pediatra e Endocrinologista Pediátrica
CRM 52 0099429-4 | RQE 27587/29964
Formada na FMC
Residência em Pediatria na UNESP/Botucatu
Residência em Endocrinologia Pediátrica na UNICAMP

Dra. Letícia Chagas

Pediatra e Endocrinologista Pediátrica
CRM 52 0099429-4 | RQE 27587/29964
Formada na FMC
Residência em Pediatria na UNESP/Botucatu
Residência em Endocrinologia Pediátrica na UNICAMP

A introdução alimentar marca o momento em que o bebê passa a ter contato com outros alimentos além do leite materno ou fórmula. É uma fase de descobertas sensoriais (sabores, texturas e cheiros) e representa uma janela de oportunidade fundamental para a formação de hábitos alimentares saudáveis que tendem a acompanhar o indivíduo ao longo da vida.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que a introdução alimentar seja iniciada aos seis meses de vida, independentemente de a criança estar ou não em aleitamento materno. Essa orientação se baseia no conjunto de maturações fisiológicas que, geralmente se completam nesse período.

Aos seis meses, a maioria dos lactentes apresenta sinais claros de prontidão, senta com apoio, sustenta a cabeça e apresenta maior estabilidade do tronco. Ocorre também desaparecimento do reflexo de protrusão da língua, que dificultaria a aceitação da colher. Nessa fase, os bebês são mais curiosos, têm maior abertura oral, o que facilita a interação com novos alimentos.

Além disso, o sistema digestivo está mais maduro, as enzimas digestivas tornam-se mais eficazes e a microbiota intestinal já estabelecida, contribui para proteção contra infecções.

Rins estão mais funcionais, com maior capacidade de excretar sódio. O Sistema imunológico encontra-se preparado para a exposição a novas proteínas, reduzindo o risco de alergias.

Por outro lado, iniciar a alimentação complementar antes do período recomendado pode reduzir a ingesta de leite materno e levar a deficiências nutricionais, maior risco de infecções, alergias, e até, excesso de peso devido à imaturidade gastrointestinal e imunológica.

A introdução alimentar se estende até o segundo ano de vida e exige paciência e constância por parte da família. Nesse período, o bebê ainda está em fase de adaptação. Portanto é essencial alinhar expectativas e compreender que a aceitação dos alimentos é uma construção gradual.

A nutrição adequada nos primeiros anos de vida influencia de forma profunda a saúde física, o desenvolvimento cognitivo, o desempenho escolar futuro, a saúde reprodutiva e, em escala populacional, o capital humano e a produtividade econômica.

A promoção de uma alimentação adequada nesse período impacta diretamente, o crescimento linear e peso, desenvolvimento motor e cognitivo, função imunológica prevenção de doenças crônicas não transmissíveis ao longo da vida.

Abaixo estão algumas recomendações práticas para uma introdução alimentar saudável:

* Definir limites claros: onde, quando, o que e quanto comer.

* Evitar distrações: televisão, celulares, brinquedos e ruídos desviam o foco e prejudicam a aprendizagem do ato de comer.

* Respeitar o apetite: o controle do apetite depende da queda da glicemia e de sinais hormonais que só acontecem após intervalos de 3 a 4 horas.

* Manter atitude neutra: reações exageradas de alegria ou rigidez podem interferir no desenvolvimento dos hábitos alimentares.

* Estabelecer duração adequada: refeições não devem ultrapassar 30 minutos.

* Oferecer comida apropriada para a idade: seguindo os marcos do desenvolvimento e as texturas permitidas em cada fase.

* Persistir nos novos alimentos: rejeições iniciais são comuns; um mesmo alimento pode precisar ser reapresentado de 10 a 15 vezes.

* Estimular autonomia: permitir que a criança explore, use as mãos, leve o alimento à boca e, gradualmente, utilize talheres.

* Aceitar a bagunça: o processo é sensorial e lúdico; a sujeira faz parte da aprendizagem.

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