Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogério Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 52 31757-4

Revista Saúde Perss

Dr. Carlos Fabian Seixas de Oliveira
Médico-Oftalmologista
CRM 5270262-5
Diplomado pela FMC
Membro do CBO e SBO

carlosfabian@globomail.com
POR QUE O OLHO TREME?
Dificilmente, um oftalmologista nunca ouviu essa queixa: doutor, minhas pálpebras tremem! Esse sintoma é muito comum nos consultórios e em alguns casos é o que leva o paciente a consulta. Vamos aqui falar um pouco mais sobre isso.

Os espasmos nas pálpebras raramente são sinais de algo mais sério. O tremor ocular mais comum é uma série de contrações chamadas cientificamente de mioquimia palpebral, que, geralmente acomete a pálpebra inferior, produzindo contrações involuntárias e intermitentes.

Na maioria dos casos, apenas um olho é afetado por vez, pois as contrações se originam no músculo ao redor do olho, e não, no nervo que controla o ato de piscar.

Os espasmos podem durar poucos minutos ou permanecer por dias, causando um incômodo ao paciente quando perdura por muito tempo. Se os espasmos permanecerem por um longo período de tempo, a consulta com o oftalmologista é mandatório, para garantir que nada mais está ocorrendo.

Um indício de que pode estar ocorrendo algo mais sério é se os espasmos ocorrerem simultaneamente em ambos os olhos ou se espalharem para músculos do rosto.

Outro sinal de alerta é a pálpebra caída de um ou ambos os olhos e olhos vermelhos. Não existe ainda uma explicação científica para os espasmos palpebrais. Como os nossos olhos são envolvidos por músculos, esses podem sofrer contrações involuntárias, como quando acontece com músculos das pernas ou dos braços. Os usuários de lente de contato podem ser mais acometidos.

Infelizmente, ainda não existe um tratamento específico para esse sintoma. Colírios lubrificantes recomendados pelo médico podem amenizar o problema. O ideal para esses colírios são os que não contêm conservantes químicos que podem causar irritação e aumentar o problema. Massagear os olhos durante o banho com água morna e mesmo, compressas mornas nas pálpebras podem auxiliar bastante, se possível, antes de dormir. Isso irá relaxar os músculos oculares e abrir as glândulas palpebrais, aumentando o fluxo de substâncias produzidas pelas glândulas das pálpebras e evitando a evaporação da lágrima.

Dormir bem e reduzir o estresse são atitudes essenciais para diminuir os espasmos palpebrais. Essas contrações são sinais de que seu corpo está pedindo para você diminuir o ritmo, desacelerar e descansar. Essa é uma das recomendações da Academia Americana de Oftalmologia.

Para quem tem a mioquimia palpebral e gosta de tomar muito café, aí vai uma má notícia! O excesso de cafeína contribui para aumentar os espasmos, portanto, aquele cafezinho toda hora nem pensar. Diminuir sua ingesta ajuda a evitar os espasmos nos olhos, pois a cafeína é responsável por levar a tensão muscular. Até umas 3 xícaras de café ao dia, não haverá problemas.

A hidratação e ter uma dieta com alimentos ricos em potássio, como: banana e batata, magnésio (encontrado em folhas bem verdes, feijão e peixes) e cálcio (laticínios, sardinha, folhas verdes escuras ou cereais) também são importantes para se evitar os espasmos oculares, uma vez que a falta desses nutrientes aumentam os espasmos.

A água tônica possui uma pequena quantidade de quinina, medicamento usado Off-Label para tratar cãibras noturnas nas pernas. Mas ainda não há evidência científica de que previna as contrações palpebrais.

Em casos muito severos, que são raros, o oftalmologista pode usar a toxina botulínica para interromper as contrações.

As contrações das pálpebras desaparecem espontaneamente, sem precisar de intervenção médica. Na maioria dos pacientes, se alimentar bem, ter uma vida ativa e reduzir o estresse é o suficiente para evitar a mioquimia.

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