Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogério Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 52 31757-4

Revista Saúde Perss

Dr. Charbell Kury
Médico Pediatra
CRM 52 760269
Formado pela FMC
Responsável técnico – Vacina Plinio Bacelar
Infectologista, Vacinologista, membro do departamento de Infectologia da SOPERJ
@charbell_infantcare
@clinica_infantcare
AS VACINAS E A TECNOLOGIA PROTETORA
A tecnologia a serviço da proteção, mas ainda com a dor da agulha.

São mais de 200 anos de uma história que se inicia de forma inusitada: Eduard Jenner, inglês que usou variantes menos agressivas do vírus da varíola bovina e passou a inocular nas crianças para a proteção contra esta doença. A iniciativa bem-sucedida levou à criação oficial da primeira vacina, termo obtido do termo latino vacca.

Se entendermos que a saúde preventiva se constitui do modelo ideal de desenho dos modelos de saúde, verifica-se que saneamento básico, os antibióticos e as vacinas mudaram o curso da história. Desta forma, epidemias e surtos puderam ser debelados com apenas uma agulhada ou uma gota de vacina, como por exemplo: a varíola, doença erradicada do mundo, mas que agora retorna em uma versão diferente, a varíola dos macacos; a poliomielite, doença erradicada do Brasil, desde 1989, e desde 1994 nas Américas.

Entretanto, algumas doenças infecciosas desafiam a natureza avassaladora das vacinas. Exemplo clássico é o vírus da gripe e seus componentes geradores de mutações pontuais todos os anos, desafiando o sistema imune e exigindo uma nova vacina com novos componentes todos os anos, e quando a mutação viral corre o risco de passar uma temporada junto a um animal...eis o que ocorreu no final de 2021 com a cepa viral DARWIN H3N2, que levou a uma inusitada epidemia de gripe em pleno verão brasileiro.

Um outro detalhe importante a ser analisado, trata-se do cada vez mais numeroso portfólio de vacinas no mundo. A tecnologia a serviço da criação das vacinas parece não ter limites. Como exemplos, temos as vacinas conjugadas, tais como: as Vacinas pneumocócicas 10 e 13 valentes; vacina meningocócicas C e ACYW. Estas vacinas são um diferencial no estudo das vacinas, e surgiram na década de 90. Pelo processo de conjugação. Outro exemplo é a vacina meningocócica 4MenB, ou meningocócica B, uma vacina que protege contra o meningococo B, que corresponde hoje a 55 a 64% da incidência de 0 a 2 anos de idade.

Entretanto, nem todas as vacinas disponíveis no mercado atendem ao Sistema Único de Saúde, muito embora, este possua um dos calendários vacinais mais completos do mundo. De forma complementar ao calendário do Ministério tem-se o da Associação Brasileira de Imunizações (SBIM), que fornece um calendário complementar que adiciona mais proteção a todos. Um exemplo, trata-se da vacinação contra o meningococo, que causa as meningites. O Ministério da Saúde fornece a vacina meningite C, que fornece proteção para 70% dos meningococos do Brasil. Os restantes são meningococos B, Y, W entre outros. Assim, recomenda-se as outras vacinas de forma adicional ao Programa Nacional de Imunizações como posologia complementar em clínicas de vacinação.

O gesto de vacinar é antes de tudo um ato de amor, apesar de doloroso algumas vezes. Por isso, que, apesar de toda a engenharia complexa por trás dos processos de construção das vacinas, ainda são feitas da mesma forma que Dr. Eduard Jenner fazia no século XVIII, ou seja, com agulhas. Bem recentemente, que novas abordagens estão sendo testadas e a mais promissora são os “nano patches”, mini dispositivos semelhantes a emplastos que contêm mais de 100 microagulhas com a vacina e são colocados na pele do indivíduo, sem doer. Espera-se que em breve todas as vacinas sejam assim, o que tornará o ato de vacinar não apenas protetor, mas também, mais prazeroso.

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