Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogério Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 52 31757-4

Revista Saúde Perss

Dra. Francini Mayerhofer
Endocrinologista e Metabologista
CRM 52 886289
Residência em Endocrinologia e Metabologia no IEDE-RJ
Membro da SBEM
@francinimayerhofer
francinimayerhofer@hotmail.com
TRANSTORNO ALIMENTAR: AGUCE SEU OLHAR!
Quando fui convidada para escrever uma nova matéria para essa revista não tive dúvida do que falaria: um tema que me aflige como médica e mãe, que vem crescendo bastante após a pandemia. Precisamos falar mais sobre o Transtorno Alimentar, patologia em que a pessoa tem uma relação ruim e sofrida com a comida.

Em uma sociedade onde o culto à perfeição corporal ganha cada vez mais força, está havendo uma mudança expressiva nos padrões estéticos da população, que aliada à facilidade de acesso aos veículos de comunicação, em especial às redes sociais, vem trazendo um impacto psicológico negativo nos jovens com maior predisposição. As meninas são as que mais sofrem com esses distúrbios.

A psicóloga Bárbara Velloso, especialista em Transtorno Alimentar, com quem divido o cuidado desses pacientes acrescenta: “Na prática clínica fica cada vez mais evidente o perfil dos adolescentes com diagnóstico de Transtorno Alimentar. São jovens com baixa autoestima e limitações no desempenho psicossocial, associando-se a quadros depressivos. Sofrem a influência da mídia e do ambiente social, principalmente, ao culto à magreza. No âmbito familiar, podem estar inseridos em um contexto de crítica, exigência e comparação que corrobora para a formação de crenças de não serem bons o suficiente, o que gera a busca pela perfeição para que possam se sentir especiais e importantes. Muitas vezes, não é possível determinar se, por estarem insatisfeitos com a imagem corporal, os adolescentes se tornaram mais depressivos ou se a depressão gera a insatisfação corporal. Vale ressaltar que adolescentes deprimidos não estão sempre tristes; apresentam-se, principalmente, irritáveis e instáveis, podendo ocorrer crises de explosão e raiva. Mais de 80% dos adolescentes deprimidos apresentam: irritação, redução de energia, desinteresse, retardo psicomotor, desesperança e culpa, perturbações do sono, dificuldade de concentração, alterações de apetite e isolamento.”

Dentre os transtornos alimentares destacamos: a anorexia nervosa, a bulimia e o Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica. Na anorexia nervosa o paciente faz uma extrema restrição alimentar, levando a um peso corporal muito baixo (em geral com IMC menor que 17,5 Kg/m2), associado a um medo intenso de engordar e distorção da imagem corporal. A intensa perturbação na sua autoavaliação faz esses pacientes não enxergarem a gravidade do seu baixo peso atual. Existe o grupo da anorexia em que somente há a restrição no consumo alimentar e ainda o grupo do tipo “purgativo” onde ocorrem episódios de comer compulsivamente associados a vômitos autoinduzidos, abuso de laxantes e diuréticos. Geralmente, a prática de exercícios físicos é frequente e feita de forma extenuante afim de queimar calorias. A anorexia nervosa apresenta a maior taxa de mortalidade ao ano dentro de todos os transtornos psiquiátricos, e os óbitos vão desde inanição a suicídio por depressão. Por isso, em alguns casos, é necessária a internação hospitalar no tratamento. Outras complicações incluem a parada da menstruação, hipoglicemia, perda de massa óssea e alterações eletrolíticas, que podem levar a arritmias cardíacas. Orientamos que a família retire as balanças de casa e escondam os espelhos, pois o desafio é fazer a paciente aceitar ser tratada com o nosso olhar, não o delas.

A bulimia tem o episódio de compulsão alimentar como sintoma principal, caracterizado por comer de forma exagerada se comparada ao que uma pessoa comeria em condições normais, com a sensação de total falta de controle sobre seu comportamento. Esses episódios costumam acontecer às escondidas e são acompanhados de culpa, vergonha e desejo de autopunição, motivando atos compensatórios. O vômito autoinduzido ocorre em 90% dos casos, que pode levar à esofagite e erosão dos dentes. Difere da anorexia, já que a maioria das bulímicas consegue se manter no peso normal (70% casos), podendo estar acima do peso em 15% dos casos.

No Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica, os pacientes apresentam os episódios de compulsão, mas, não utilizam as medidas extremas para evitar o ganho de peso como na bulimia. A maioria dos acometidos possui obesidade. Num episódio compulsivo, o paciente ingere em média 2 a 5ml calorias de uma só vez.

Apesar do aumento na prevalência desses transtornos, ainda considero que há um atraso no diagnóstico desses jovens. Para isso é importante estar atento ao comportamento alimentar da família e incentivar a diminuição do tempo em que ficam expostos às redes sociais. O tratamento do Transtorno Alimentar deve ser realizado por equipe multidisciplinar com: psiquiatra, endocrinologista, psicólogo e nutricionista para melhor eficácia e deve ser feito de forma mais precoce possível.

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