Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogério Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 52 31757-4

Revista Saúde Perss

Dr. Carlos Fabian Seixas de Oliveira
Médico-Oftalmologista
CRM 5270262-5
Diplomado pela FMC
Membro do CBO e SBO

carlosfabian@globomail.com
RETINOBLASTOMA
Talvez o leitor nunca tenha ouvido falar dessa palavra: retinoblastoma. Porém, nos últimos meses, esse tumor dos olhos ganhou “a boca do povo“ em decorrência de uma família de jornalistas da TV revelarem que sua filha tem essa doença. Então, vamos tentar aqui falar um pouco mais sobre isso.

O retinoblastoma é um “tumor da retina” (parte nervosa dos nossos olhos) bem raro, ocorrendo em uma criança para cada 18.000 nascidas vivas, sendo no entanto, o “tumor maligno” mais comum na infância.

Em países mais desenvolvidos, a sobrevida chega a 95% quando do diagnóstico precoce. Já em países mais pobres, o retardo do diagnóstico pode ser fatal.

O diagnóstico tardio, além de por em risco os olhos, que muitas vezes têm que ser totalmente retirado, pode causar metástases (espalhamento) para outros órgãos através do nervo ótico, como para o cérebro, pulmões e ossos.

O fator genético nem sempre está presente, mas pode ocorrer. Quando alguém da família teve esse tumor na infância, os riscos de alguém ter o mesmo problema sobem para 40%. Quando há hereditariedade, as chances de se desenvolver o retinoblastoma nos dois olhos aumenta consideravelmente.

No caso de uma criança desenvolver retinoblastoma não hereditário, na maioria dos casos, ele surge em apenas um dos olhos.

Aspectos clínicos:

• Reflexo pupilar branco é o sinal mais importante. Por isso, é fundamental fotografar os bebês com flashes ativados;
• Olhos desviados (estrabismo) é o segundo sinal mais comum;
• Olho vermelho doloroso é menos comum, mas não menos importante.

Diagnóstico:

• O teste do olhinho é um exame simples, indolor e pode ser feito na maternidade pelo próprio pediatra que encaminhará ao oftalmologista em caso de suspeita;
• Exame sob anestesia em crianças mais velhas pode ser necessário;
• Ultrassonografia ocular;
• Tomografia computadorizada e ressonância magnética podem ser usadas a critério do oftalmologista, já que são exames radioativos;
• Avaliação sistêmica que inclui exames de imagem e scans ósseos em caso de metástases e análises por exames histopatológicos.

Tratamento

O tratamento é multidisciplinar. Vai incluir o oftalmologista, oncologista, patologista, outros profissionais de saúde e, claro, os pais, já que o tratamento é altamente individualizado.

A quimioterapia é o pilar fundamental no tratamento do retinoblastoma. A infusão seletiva de quimioterápico na artéria oftálmica tem mostrado resultados excelentes. Além dessa, há também o uso de quimioterápicos sistêmicos em ciclos, de acordo como retinoblastoma.

A termoterapia transpupilar pode ser usada antes ou após a quimioterapia aumentando a eficácia da quimioterapia. Também pode ser usado a crioterapia e braquiterapia.

A extirpação do tumor por cirurgia é indicada em casos de glaucoma, infiltração profunda do tumor, invasão do nervo ótico ou se ocupar mais da metade do vítreo.

Em casos de extensão para outros órgãos, a enucleação é feita e a quimioterapia realizada logo a seguir por pelo menos 6 meses.

Apesar de raro, o retinoblastoma é sempre uma preocupação para os oftalmologistas e os pais. Por esse motivo, a prevenção é o melhor remédio. Além do teste do olhinho feito na maternidade, os pais devem levar seus filhos à primeira consulta oftalmológica ainda no primeiro ano de vida. As consultas anuais sempre são importantes, mesmo que não haja sintomas. A partir dos cinco anos, quando a criança começa a ser alfabetizada, a ida ao oftalmologista é mandatório. 

Compartilhe

Fale Conosco

Para conhecer mais sobre a nossa revista, enviar dúvidas, sugestões ou comentários você só precisa preencher os campos do formulário abaixo.