Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogério Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 52 31757-4

Revista Saúde Perss

Dr. Carlos Gomes da Silva Neto
Estomaterapeuta
COREN 354759
Enfermeiro Intensivista e Auditor diplomado pela UNESA e IBRA

@clinicavovohome
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LASERTERAPIA EM FERIDAS, FUNCIONA?
Os lasers são uma realidade tecnológica e os de baixa potência estão sendo utilizados como coadjuvantes no tratamento de feridas, com o objetivo de auxiliar a restauração tecidual, melhorando a regeneração e a cicatrização dos tecidos. Além disso, atuam na inflamação, no edema e minimizam a dor.

         A incorporação do laser como instrumento terapêutico tem sido acompanhado na área biomédica desde 1960, através de Theodore Maiman, e um dos primeiros experimentos publicados foi sobre feridas de ratos durante 14 dias consecutivos. Os efeitos do laser de baixa potência podem ser observados no comportamento dos linfócitos aumentando sua proliferação e ativação; sobre os macrófagos, aumentando a fagocitose; elevando a secreção de fatores de crescimento dos fibroblastos e intensificando a reabsorção tanto de fibrina quanto de colágeno. Além disso, contribuem para elevar a motilidade de células epiteliais, a quantidade de tecido de granulação e, podem diminuir a síntese de mediadores inflamatórios.

         Em relação ao protocolo de irradiação, a utilização dos lasers pode diferir quanto ao tipo de meio ativador, à potência e dose utilizada, e também, quanto ao modo, tempo de irradiação e número de aplicações semanais. Do exposto acima, e com o crescente interesse por terapias alternativas aos fármacos convencionais, o objetivo deste assunto se dá em esclarecer quais os reais efeitos da laserterapia de baixa potência sobre feridas cutâneas e suas formas mais eficazes de aplicação na medicina humana.

         Devido às características de aliviar a dor, estimular a reparação tecidual, reduzir edema e hiperemia nos processos anti-inflamatórios, prevenir infecções, além de agir em parestesias e paralisias, o laser de baixa intensidade tem sido empregado frequentemente em múltiplas especialidades da enfermagem. Utiliza-se esse processo terapêutico para melhorar a cicatrização no tratamento de queimados e de pacientes que receberam algum tipo de enxerto ou retalho, quando funciona como ativador da vascularização dessas regiões. Também é utilizado para o tratamento de dores agudas e crônicas de diversos tipos e aquelas causadas por herpes genitais, além de pós-operatórios diversos em: ginecologia, dermatologia, estomaterapia e cirurgia plástica. Também é frequente sua utilização em medicina do esporte e em fisioterapia, notadamente em pacientes que sofreram trauma proveniente de atividades desportivas, tais como: distensões musculares e contraturas musculares, ruptura de tendões, ou ainda em lesões por esforços repetitivos (LER), artrites artroses, entre outras.

         Como em qualquer técnica especializada, é fundamental que se conheça bem os princípios básicos envolvidos, principalmente, porque os efeitos e o mecanismo de ação do laser são complexos.

         O limiar de sobrevivência da célula depende do tecido em que está localizada e do seu estado fisiológico. O laser de baixa intensidade tem a propriedade de estimular a membrana plasmática e as membranas mitocondriais, induzindo a célula à biomodulação, ou seja, estimulando o estado de normalização da região afetada. Quando a laserterapia é usada no espectro eletromagnético visível na cor vermelha, existe uma fotobioestimulação inicial na mitocôndria, a qual ativa uma cadeia de eventos biológicos. Quando a irradiação ocorre no espectro infravermelho, sua luz não é visível, mas há estímulo dos canais da membrana plasmática, resultando em mudanças na permeabilidade da membrana, temperatura e gradiente de pressão. Tanto a luz visível quanto a infravermelha podem ser absorvidas por diferentes componentes da cadeia respiratória celular, sendo uma terapia adjuvante que não dispensa os cuidados de outros profissionais, sendo um grande aliado na cicatrização de lesões crônicas, agudas e ostomias.

         Na prática, venho observando que o uso de lasers de baixa potência em conjunto com uso de coberturas/curativos nos pacientes tem demonstrado efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e cicatrizantes mais eficazes no tratamento de ostomias, feridas agudas e crônicas. Devido absorção molecular da luz laser permite um aumento do metabolismo celular, caracterizado pela estimulação de fotorreceptores na cadeia respiratória mitocondrial, gerando alterações nos níveis de energia celular (ATP).

         Observei efeitos terapêuticos de morfodiferenciação e proliferação celular, neoformação tecidual, revascularização, redução do edema, maior regeneração celular, aumento da microcirculação local e permeabilidade vascular. Contudo, concluo que a laserterapia apresenta-se como uma alternativa para processos que apresentem reação inflamatória, dor e necessidade de regeneração tecidual de forma mais eficaz.

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