Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogério Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 52 31757-4

Revista Saúde Perss

Dra. Gabriela Dal Molin
Médica Psiquiatra
CRM 10 3650-5
Residência em psiquiatria pela PUC-RS

@gabidalmolin pessoal
vilaverdesaudemental_campos
gabifdalmolin@hotmail.com
SAÚDE MENTAL APÓS O PARTO
Da gravidez ao puerpério, o corpo e a mente passam por transformações. Todo esse ciclo pode vir acompanhado por oscilações de humor e outros sinais que a rede de apoio precisa estar atenta.

Quando me convidaram para escrever nessa edição, não tive dúvidas que o assunto abordado deveria vir de encontro ao momento que estou passando para comunicar a tantas outras mães como eu, que devemos cuidar da nossa saúde mental e como é natural, nos fragilizamos nesse período de vida da mulher.

Oito em cada dez mulheres podem desenvolver a disforia puerperal, ou o baby blues, um estágio caracterizado por oscilações de humor bruscas, ansiedade e até mesmo, humor deprimido. Choramos e nem entendemos porque choramos.... Estamos rindo e chorando ao mesmo tempo, um misto de emoções que não são controladas, apenas sentidas.

Após o nascimento, com todas alterações hormonais, pode ocorrer: falta de ânimo, energia, prazer e irritabilidade. Esses sintomas devem ser avaliados e geralmente, regridem em até duas semanas. A disforia tem como pano de fundo as adaptações da maternidade, que incluem, principalmente, a privação de sono e a queda hormonal.

Quando os sintomas persistem por mais de duas semanas, a mulher deve ficar atenta, pois pode estar desenvolvendo depressão. A depressão pode acometer até 20% das puérperas. Entendo que 20% seja uma porcentagem alta, por isso, a importância da mulher expor seus sentimentos e também, de ter uma boa rede de apoio, diga-se de passagem, “rede de apoio e não de uma enxurrada de opiniões”.

A genética pode gerar predisposição ao desenvolvimento da depressão, porém, problemas conjugais, falta de interação social e casos de violência doméstica podem funcionar como gatilho. Costumo dizer para minhas pacientes que o tempo é o melhor aliado para superarmos toda essa mudança nas nossas vidas e que quando nasce um bebê, nasce uma mãe e muitas questões que devem ser tratadas no caso dos sintomas persistirem.

Acredito que aí more o problema, quando nasce uma mãe, nasce uma crítica enorme em dar conta de tudo.

É fundamental que os profissionais estejam preparados para identificar precocemente os sintomas, e também, agir prevenindo os gatilhos de desenvolvimento da doença. A privação de sono, mudança alimentar e a redução de interação social podem ser alguns deles. É importante que a família e os amigos engajem na rede de apoio e entendem as necessidades daquele momento. Mais que isso, importante falarmos sobre isso, pois na ânsia de dar conta de tudo, as mulheres têm medo de muitas vezes pedir ajuda, por medo de serem condenadas ao fracasso, medo da crítica e do olhar alheio. Entendam que disforia e depressão têm tratamento, desde acompanhamento psicológico, até mesmo, intervenção de um médico psiquiatra. Saibam que existem medicações que podem ser utilizadas e ajudam bastante nesse contexto. Aliás, depressão puerperal não é apenas um contexto, mas sim, uma patologia que se tratada adequadamente melhora. Quanto mais precocemente tratarmos, mais precocemente a mãe sentirá prazer em estar cuidando do seu bebê.

Eu costumo dizer que cada gestação, um puerpério e cada mãe tem sua reação, seu tempo e seu espaço.

Eu amo ser mãe, acabei de passar pelo terceiro puerpério e confesso que não foi fácil, mas aqui estou, escrevendo essa matéria para compartilhar com outras mães que tudo passa e que devemos tratar se não passar, e que nossa saúde mental deve ser priorizada nesse momento afim de seguirmos em frente leves e saudáveis e com nossas crianças no colo.

Como eu sempre digo, Saúde Mental em primeiro lugar.

Um beijo e um abraço muito apertado a todas as recém-mamães.

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