Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogério Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 52 31757-4

Revista Saúde Perss

Dra. Deborah Casarsa
Médica Geriatra
CRM 52 68110-5
Diretora médica do Centro de Doença de Alzheimer e Parkinson | PMCG
Diretora do Departamento Médico | PMCG

@clinica_envelheser
@deborahcasarsa
clinicaenvelheser@outlook.com
ENTREVISTA - Dra. Deborah Casarsa
Apesar de ser referência em geriatria, e em síndromes demenciais complexas, como o Alzheimer, definir a médica Deborah Casarsa, não é uma tarefa difícil. A personalidade tem a marca registrada dos grandes mestres de sua vida. De acordo com ela, a força é da mãe, o amor pela medicina, veio através da admiração pelo avô e a facilidade de gerir negócios e a sensibilidade de lidar com as pessoas puxou do pai.

Formada pela Faculdade de Medicina de Campos, em 1999, Deborah, se especializou em geriatria e gerontologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Além de passagem pela UFF e Pró-Cardíaco, cursou também fellowship em Doenças de Alzheimer, na UCLA em Los Angeles – Estados Unidos.

A carreira de mais de 20 anos, tem alicerces firmes e com muita história. De tenente da Marinha do Brasil a um enorme legado no serviço público, onde foi idealizadora e fundadora do Centro da Doença de Alzheimer e Parkinson de Campos (CDAP). No serviço privado também tem feito a diferença e está lançando mais um serviço inovador no município.

Atualmente, têm dois grandes desafios profissionais, no serviço público, está à frente da coordenação do Departamento Médico da Secretaria Municipal de Saúde. Já na área particular está inaugurando o seu mais novo empreendimento, o Instituto DC 60+, um espaço voltado para capacitação de profissionais e familiares que cuidam de idosos, além de ser um local preparado para atender os idosos com atividades cognitivas e funcionais, trabalhando assim, corpo e mente.

Casada há 19 anos, com Guilherme Rodrigues, Deborah é mãe de Guilherme Casarsa, de 17 anos e de Marina Casarsa, de 13 anos.

SP - Seu nome já é uma referência no atendimento ao Idoso e ao tratamento de síndromes demenciais. O que a levou para esse caminho?
DC - Quando eu estava no quinto ano da Faculdade de Medicina, em Campos, assisti uma aula do professor Renato Moretto, onde ele falava sobre a pirâmide etária e da falta de profissionais para o tratamento do processo do envelhecimento. Nos estágios acadêmicos, eu sempre tive uma empatia muito grande pelos idosos, o que me fez ter o interesse de me especializar na área da geriatria e gerontologia. É importante lembrar que a geriatria não trata somente do idoso, mas sim, do processo de envelhecimento. Já na UFF, durante a especialização, a minha grande mestra foi a Dra. Vilma Câmara – neurologista, ela foi quem despertou em mim o interesse para a dedicação em memória. Foi quando eu tive a oportunidade de aprender e de tratar pacientes com várias síndromes demenciais, dentre elas, a mais frequente, doença de Alzheimer.  

SP - A família também foi uma grande referência pra o caminho da medicina?
DC - Sem dúvidas! Meu avô, Romeu Casarsa, era médico psiquiatra e fundador do Hospital Psiquiátrico Henrique Roxo, sempre acompanhei de perto o trabalho dele, a dedicação e amor com os pacientes. Ele sempre foi minha grande inspiração na medicina. Meu pai, Jeferson Casarsa, é administrador de empresas, ele também era sócio-proprietário do Hospital Henrique Roxo, ajudou a gerir a instituição durante anos. Ele também é uma pessoa extremamente sensível, adora arte, desenha maravilhosamente bem, essa parte sensível é bem marcante na personalidade dele. Agora, quando o assunto é força e determinação, minha inspiração vem de uma outra pessoa, minha mãe, Regina Casarsa, que faleceu no ano passado. Ela é um grande exemplo, uma mulher de força que sempre esteve ao meu lado e me incentivou em cada passo da minha carreira.

SP - Quando terminou sua especialização você já trabalhava no Rio de Janeiro, em que momento decidiu regressar para Campos?
DC - Ao mesmo tempo que eu me especializava, eu me dedicava a Marinha do Brasil. Eu era tenente, embarcando em navios como: Barão de Teffé, onde era a única médica a bordo fazendo a troca de tripulação da Ilha de Trindade. Embarquei também no navio Taurus. Esse mergulho na área militar me deu muita disciplina. Trabalhava também em uma Instituição de longa permanência no Rio de Janeiro, e ainda militava, porém, decidi voltar para Campos para me casar.

SP - E como foi o início da vida profissional em Campos dos Goytacazes?
DC - Quando eu voltei pra Campos, meu primeiro emprego foi dado pelo Dr. Hebert Sidney Neves, no Hospital Dr. Beda e no Plano de Saúde Ases. Lá, eu fiquei por 10 anos, onde tive a oportunidade de passar por todas as áreas, assistência, gestão e auditoria, e acabei me apaixonando pela assistência e gestão. Fiz dois concursos púbicos e passei nos dois, um para Campos e um para Macaé, onde estou até hoje também.
Iniciei o consultório dentro do hospital quando fui convidada para gerir o plano de saúde ASES, mas, minha primeira clínica inaugurei há 4 anos.

SP - O serviço público também é uma grande paixão?
DC - Sempre quis dar um atendimento digno e de qualidade aos pacientes do SUS. As pessoas precisam ser tratadas com dignidade e todos têm direito a uma saúde de qualidade. No serviço público, passei pela Coordenação médica das Unidades Pré-Hospitalares, mas foi quando assumi a coordenação da Saúde do Idoso. No governo Arnaldo Vianna, foi que vi a oportunidade de concretizar um grande sonho, que era oferecer para os pacientes do SUS a mesma qualidade e diagnóstico precoce das síndromes demenciais. Foi, então, que criei e apresentei para o Conselho Municipal de Saúde, onde foi aprovado por unanimidade a fundação do Centro de Doença de Alzheimer, o CDA, que existe até hoje no serviço público e que há cinco anos, eu ampliei para o atendimento também de Parkinson, virando o CDAP. Isso é um legado, uma missão, um sonho que se tornou realidade, Graças a Deus todos os governos entenderam que é um serviço técnico, e não partidário. Hoje, estou à frente da Coordenação do Departamento Médico, onde cuido da lotação dos médicos e dos projetos para atenção básica, além de abrir novos serviços. Um dos serviços, mais novos, onde fui a responsável técnica foi à criação da Policlínica do Idoso, onde funciona o “Clube da Terceira Idade”, onde estamos oferecendo 14 especialidades médicas.

SP - Estar sempre na vanguarda é uma das suas grandes características. Queria que explicasse o que é o Instituto DC 60+ (colocar a logo).
DC - É um local onde ensinaremos a todos os profissionais que lidam com a saúde do idoso e seus familiares, técnicas e condutas do meu tempo de 20 anos dedicados a geriatria. Ele será um espaço tanto para capacitação de profissionais da área de saúde, educação ou qualquer outra área que trabalha com idoso em seu processo de envelhecimento, voltado especialmente para parte cognitiva, de memória. O instituto, também vai oferecer atividades de estimulação cognitiva e funcionalidade. Vamos trabalhar corpo e mente, com apoio de grupos terapêuticos, grupos de vivência. Ou seja, aquela pergunta que todos me faziam no consultório, de onde poderia deixar seu idoso, na parte da tarde, para trabalhar o corpo e a mente, e eu não tinha lugar para indicar, agora vamos ter. Finalmente, essa resposta veio. Nós criamos um espaço para tratamento aos pacientes de forma não farmacológica, um tratamento interdisciplinar, que vai além das medições, que prima pela autonomia e independência do paciente. O Instituto DC 60+, fica na Rua Benta Pereira, 222, no Centro.

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