Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Deborah Casarsa
Médica Geriatra
CRM 52 68110-5

Revista Saúde Perss

Dra. Deborah Casarsa
Médica Geriatra
CRM 52 68110-5
Diretora médica do Centro de Doença de Alzheimer e Parkinson | PMCG
Diretora do Departamento Médico | PMCG

@clinica_envelheser
@deborahcasarsa
clinicaenvelheser@outlook.com
DOENÇA DE ALZHEIMER
Posso evitar?

Até o momento, a resposta é não, mas a boa notícia é que você pode retardá-la, ou seja, fazer com que ela inicie mais tarde.

O grande fator de risco para desenvolver a doença de Alzheimer é a idade, os riscos aumentam quanto mais velho for o indivíduo. O envelhecimento considerado fisiológico, acarreta diminuição gradual das funções cognitivas sem trazer grandes prejuízos, mas, as funções cognitivas que resultam em perda de independência funcional e impactam no cotidiano do nosso paciente é preocupante e pode ser Alzheimer.

Então, como podemos fazer para que a doença se inicie o mais tarde possível?

Hábitos de vida saudáveis! A doença de Alzheimer não é só determinada geneticamente, e sim, sofre influências de fatores ambientais e estilo de vida, sendo influenciada pela presença de:

* Hipertensão arterial;
* Diabetes;
* Colesterol elevado;
* Obesidade;
* E presença de traumatismo craniano prévio.

Diante do exposto, manter uma dieta saudável, prática de atividades física regular, controlar os níveis vitamínicos no sangue e levar a sério exercícios de estimulação cognitiva que trabalhem, principalmente a memória, podem fazer extrema diferença.

A maior parte dos casos transmitidos de forma hereditária acontecem com início antes dos 65 anos correspondendo a menos de 5% dos casos de doença de Alzheimer, sendo assim, mais raros.

Com o aumento da população mundial e a longevidade, a prevalência de doenças neurodegenerativas está cada vez maior. Nós sabemos como é importante cuidar da saúde de maneira integral com uma equipe de profissionais multidisciplinar. Para nós, geriatras, um paciente é toda uma família, por isso, sugerimos atividades de estimulação cognitiva para todas as pessoas que querem manter suas habilidades gerais, evitando prejuízos cognitivos, limitações funcionais e melhora na qualidade do envelhecimento, através de ferramentas específicas para memória.

Fiquem atentos, pois, esquecer nomes de objetos, de familiares próximos, não reconhecer o ambiente familiar, não conseguir reter informação nova, lutar para encontrar as palavras certas e o vocabulário apropriado, mudar seu comportamento ou até mesmo, a personalidade podem ser sinais de início da doença de Alzheimer.

Os estudos científicos estão a todo vapor, e cada vez mais nos motivam a realizar oficinas que trabalhem a memória, a atenção, a linguagem e a velocidade de processamento dos nossos pacientes. A neuroplasticidade (capacidade do cérebro de formar novas memórias) é a nossa base para intensificarmos nossos grupos, onde trabalhamos a cognição do nosso idoso de forma criativa com embasamento técnico, sem nunca esquecer das emoções, pois sem elas, não há memória!

A nossa dedicação será sempre para preservar ao máximo a autonomia e independência do nosso paciente, encontrando a farmacologia mais adequada, evitando a polifarmácia e trazendo tratamentos assertivos e que de fato possam postergar a doença em questão. O diagnóstico precoce através de uma avaliação neuropsicológica ampla (testes científicos), exames de imagem e exclusão de causas reversíveis de demências, serão sempre fundamentais e elucidatórios para nossa conduta e bem-estar do paciente.

Acreditamos mais em atividades de grupo do que de estímulos individuais, a socialização deve fazer do processo sempre que possível. Cuide da sua saúde mental e do seu familiar. Precisamos estar em alerta para não deixar passar sintomas. Diferenciando o que é normal do que é doença.

Trabalhe seu cérebro e aumente a sua reserva cognitiva!

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