Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Deborah Casarsa
Médica Geriatra
CRM 52 68110-5

Revista Saúde Perss

Dr. Francis Roque Khouri
Urologista
CRM 52 49354-1
Formado pela UFJF - Juiz de Fora-MG
khourifrancis@gmail.com
NEOPLASIA TESTICULAR
Com o hábito do autoexame em sua bolsa testicular, o homem sentirá a importância deste procedimento na detecção de doenças precoces. Uma consulta com seu urologista e a complementação com a história clínica, exame físico e exames de imagem, muitas destas doenças poderão ser confirmadas e tratadas de forma curativas.

•  Trauma escrotal: traumatismos fechados leves são mais comuns em crianças, provocam dor de pouca ou moderada intensidade com aumento do volume escrotal. A ultrassonografia define a extensão do trauma e em casos de grandes hematomas subvaginais, a exploração cirúrgica é necessária.

•  Hérnias inguinais: as não complicadas têm habitualmente a característica da redutibilidade, o que facilita a definição diagnóstica. São indolores e devem ser corrigidas precocemente nas crianças. Quando o diagnóstico da hérnia se fizer na vigência de um encarceramento, deve-se tentar manobras clínicas para a sua redução, caso a hérnia não possa ser reduzida, ou haja suspeita de sofrimento importante de tecidos encarcerados, a cirurgia deve ser feita de imediato.

•  Hidrocele: é o aumento do volume escrotal devido ao acúmulo de líquidos na túnica vaginal. Normalmente, tem crescimento lento. Pode ser uni ou bilateral. As de crescimento abrupto devem ser investigadas o mais rápido. O diagnóstico é fácil por ser indolor, sensação cística a palpação e da transiluminação escrotal. A ultrassonogrfia confirma o diagnóstico. Crianças se estiverem associadas a persistência de conduto peritoneo-vaginal, provavelmente, precisarão de correção cirúrgica.

•  Varicocele: consiste na dilatação das veias do plexo pampiniforme, é mais frequente no lado esquerdo, podendo também ser bilateral. O aspecto ultrassonográfico mostra numerosas formações císticas tubulares, um enovelado de veias facilmente palpadas acima do testículo. Com a evolução da varicocele e sem tratamento adequado será causa de infertilidade.

•  Epididimite aguda: consistem a forma mais frequente de infecção intraescrotal, constituem doença de indivíduos adultos e raramente ocorrem em crianças. Micro-organismos patogênicos são identificados apenas em 30 a 50% das epididmites agudas. Ocorre aumento do volume do epidídimo com dor local intensa, febre baixa e sinais inflamatórios na parede escrotal constituem a manifestação mais frequente dessa afecção. Essa forma clínica costuma surgir em pacientes com uretrite, manipulação uretral ou cirurgia prostática. As epididimites agudas devem ser distinguidas dos casos de torção de testículo, torção de apêndices e dos tumores do testículo. Esse cuidado deve ser sempre tomado em crianças onde a torção de testículo constitui mais de 90% das causas de escroto agudo, e a epididimite aguda representa apenas 6% desses casos.

•  Abscesso testicular: constitui uma complicação indesejada das orquiepididmites bacterinas e deve ser cogitada em todos os pacientes com infecção local que não cede após duas ou três semanas de tratamento.

Os abscessos testiculares aparecem mais frequentemente em idosos, as manifestações locais são sempre exuberantes, com aumento de volume e dor testicular intensa, perda dos limites entre o testículo e o epidídimo o hidrocele aguda, febre e sinais inflamatórios locais. Os casos não tratados tendem a desenvolver fístula purulenta escrotal, e muitas vezes, a tratamento definitivo para solução do caso é a orquiectomia.

•  Torção de cordão espermático: trata-se de quadro testicular de início agudo e doloroso cujo diagnóstico é fundamental, pois o tratamento cirúrgico deve ser imediato. O exame físico mostra o testículo mais cranial ao canal inguinal e disposto horizontalmente. O diagnóstico definitivo deve ser feito pelo ultrassom com doppler. Em casos de dúvida, indica-se a exploração cirúrgica devido ao risco de perda do testículo pela isquemia causada pela torção.

•  Tumores: os tumores malignos do testículo acometem indivíduos na faixa etária entre 15 e 35 anos.

Os tumores germinativos do testículo são divididos em 2 grupos: seminomas e não-seminomas. Os seminomas representam 45% dos casos, são lesões sólidas e bem definidas. Os tumores não seminomatosos incluem o carcinoma embrionário, teratomas, e os teratocarcinomas, são menos homogêneos, têm áreas císticas, necrose e calcificação em seu interior. Os tumores testiculares tem evolução insidiosa, e raramente são dolorosos, em crianças, podem estar associados a torção testicular. Cerca de 25 a 30% dos tumores são benignos.

•  Tumores paratesticulares: a identificação de lesões sólidas no cordão espermático reveste-se de importância clínica, porque na maioria das vezes, trata-se de um sarcoma, cujo prognóstico está relacionado ao planejamento cirúrgico, fundamentalmente, já que somente a ressecção completa poderá ser curativa.

Podemos observar então, as inúmeras patologias benignas e malignas que podem comprometer a bolsa testicular. O tratamento poderá ser clínico, ou até mesmo, a extirpação do testículo. A definição terapêutica dependerá do grau de comprometimento do testículo no momento do diagnóstico. Daí, a importância do autoexame da bolsa testicular com mais frequência, tendo como objetivo, a detecção precoce destas lesões. Faça seu autoexame e procure seu urologista.

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