Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Deborah Casarsa
Médica Geriatra
CRM 52 68110-5

Revista Saúde Perss

Dr. Joguimar Moreira dos Santos
Ginecologista, obstetra, lato sensu em sexualidade humana e mestrado em sexologia clínica
CRM 52 23623-2
Formado pela FMC

@joguimarmoreiradossantos
joguimar.moreiradossantos
joguimarsantos@hotmail.com
ATENDIMENTO AOS ADOLESCENTES
Lembro-me ainda das minhas dúvidas, sobre sexualidade, quando era criança e adolescente. Na 4ª série primária, observei no meu livro didático, “Infância Brasileira”, desenhos, muito bem elaborados, dos “aparelhos” do corpo humano. Aparelhos respiratório, circulatório, digestivo, músculo esquelético, sistema nervoso. O que me chamou atenção foi o urinário. A figura dele mostrava os rins, ureteres, bexiga e uma minúscula uretra. Não havia menção, sequer, a reprodução humana. Perguntei à professora se aquele aparelho urinário era de menino ou menina. Ela me disse são iguais. Questionei, porém, dizendo que menino tinha peru e a menina não, e, a figura não mostrava isto. Ganhei um doído cascudo e uma enérgica reprimenda. No ginásio, nunca meus professores de ciências tocaram no assunto reprodução humana. Somente no curso científico fui aprender e reparar as minhas dúvidas reprimidas.

Na década de 70, acadêmico de medicina, passei a ministrar aulas, como professor de Biologia da ETFC, hoje IFF. Meus educandos, grande maioria de adolescentes, também careciam de conhecimentos básicos sobre reprodução humana. As perguntas sobre sexualidade durante e após as aulas eram muito frequentes.

Atendendo na rede pública, privada e consultório sentimos a explosão de gravidezes indesejadas, DST, uso e abuso de drogas ilícitas e lícitas. Os colégios sentiram a necessidade de discutir com os pais e educandos esta problemática. Recebíamos convites para realizar palestras nos colégios e faculdade formadoras de professores. Diante da pressão da demanda e da impossibilidade de atender a todos, criamos o GOA – Grupo de Orientação ao Adolescente. Convidamos para compor este grupo: psicóloga, assistente social, psicopedagoga, médicos e educadores de várias disciplinas.

Consideramos que a adolescência é o período que compreende a passagem da pessoa da infância para a idade adulta. Para a OMS, a adolescência começa aos 10 anos e estende-se até aos 19 anos, 11 meses e 29 dias. Trata-se de uma fase de vida de transição biopsicossocial, com transformações biológicas em busca de seu papel social, determinado pelos padrões culturais do seu meio e influências culturais diversas.

Em pesquisas realizadas por nós com adolescentes, educadores e pais, concluímos que: poucos pais dialogam com seus filhos sobre sexualidade, os educadores não se julgam preparados para abordar o assunto e os adolescentes acabam aprendendo absurdos na rua, com terceiros. Estamos certos, no entanto, que a educação sexual é fundamental, pois assim, estaremos diminuindo consideravelmente os casos de gravidezes indesejadas, abortos, DST, uso e abuso de drogas, delinquência, distúrbios psicológicos, inadequações sexuais, abuso sexual e preconceitos diversos.
•  A busca de si mesmo: quem sou eu? Como vai ser? Que vou ser? São perguntas que ecoam na cabeça destes passageiros.
•  A mudança do corpo: olhadelas constantes no espelho. Desperta a vaidade e também preconceitos.
•  A tendência grupal: é típica nesta fase de vida, transferem o sentimento de dependência em relação aos pais para o grupo de escolha.
•  Justiceiros sociais: sonham com um mundo mais justo com igualdade social e a felicidade geral da nação.
•  Polêmicos: a permeabilidade da sua personalidade que busca o caminho da sua verdade diante da imprevisibilidade da vida o leva ao contraditório, a mudança de pensamentos frequentemente, isto faz parte da aprendizagem. * Humor lábil: vibra quando algo de bom acontece, e diante de um insucesso, aborrece e fica profundamente deprimido.
•  Religião: pode viver conflituosamente com sua religiosidade. Busca com a racionalidade explicações, e, isto pode abalar a sua fé.
•  A evolução sexual: sem citar as transformações corporais, já tão conhecidas vamos nos ater ao erotismo. No jovem, a ereção peniana vai ficando mais frequente e tocar este órgão passa ser mais prazeroso. Vem a primeira polução, geralmente à noite e durante um sonho erótico. Dá sequência as suas fantasias eróticas e as atividades masturbatórias. Na jovem chega a tão esperada menarca o que marca a entrada da mulher na fase de menacme. Embora já existisse prazer em tocar seus genitais e imaginar coisas, agora fica mais prazeroso com umidificação vaginal e reações mamárias mais acentuadas. O auto-erotismo até então embalado pela fantasia da imaginação vai abrindo espaço para a busca de um parceiro e contatos mais íntimos e menos solitários.

É muito importante que antes de tudo isto acontecer que os pais procurem, inicialmente, o(a) pediatra ou o(a) pediatra e hebiatra para acompanhar estes adolescentes.

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