Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Deborah Casarsa
Médica Geriatra
CRM 52 68110-5

Revista Saúde Perss

Dra. Francini Mayerhofer
Endocrinologista e Metabologista
CRM 52 886289
Residência em Endocrinologia e Metabologia no IEDE-RJ
Membro da SBEM
@francinimayerhofer
francinimayerhofer@hotmail.com
A PANDEMIA E A PUBERDADE
Já estamos cansados de saber sobre os impactos na saúde que a pandemia por Covid 19 nos trouxe, fazendo surgir ou agravar condições como: depressão, ansiedade, diabetes, hipertensão, obesidade, insônia, entre outras. Porém, o que os estudos recentes mostram é que até o desenvolvimento da puberdade das crianças está sendo influenciado pelo isolamento.

Primeiro vamos entender o que é puberdade. Ela é a etapa da vida quando acontecem as modificações hormonais no corpo da criança, fazendo a transição para a fase adulta. A puberdade precoce, como o nome sugere, é um adiantamento dessa fase, quando as alterações no corpo começam antes do tempo.

Nas meninas, o primeiro sinal de puberdade é o aumento das mamas, conhecido como broto mamário. Já nos meninos, o primeiro sinal é o aumento do tamanho dos testículos. Nessa etapa é onde surgem também os pelos, tanto pubianos quanto axilares, a acne, o aumento da oleosidade da pele, odor nas axilas e, nas meninas, termina com a primeira menstruação.

A puberdade é considerada precoce quando os primeiros sinais surgem antes dos 8 anos em meninas e dos 9 anos em meninos. Entre as causas de puberdade precoce estão as alterações genéticas, baixo peso ao nascer, exposição a disruptores endócrinos (uma gama de substâncias químicas presentes no meio ambiente que interferem no sistema hormonal e que estão presentes em agrotóxicos, pesticidas e plásticos, por exemplo), obesidade e tumores do sistema nervoso central; especialmente, em meninos.

Segundo estudo italiano publicado pela revista "Italian Journal of Pediatrics", houve aumento de 188% nos casos de puberdade precoceem 2020. O crescimento incomum de casos de maturação sexual antes dos oito anos foi identificado pelos pesquisadores da Universidade de Florença ao compararem o número médio de casos de puberdade precoce registrados durante o primeiro ano da pandemia com os últimos cinco anos do Departamento de Pediatria do Hospital Universitário. Foi descoberto um salto expressivo no número, de 17 para 49 casos no período avaliado.

Os pesquisadores acreditam que esse resultado pode estar relacionado com o sobrepeso, obesidade, uso excessivo de dispositivos eletrônicos durante a pandemia e “gatilhos psicológicos”, como ansiedade e depressão.

Para entendermos porque engordar e perder horas de sono em frente às telas se relacionam com puberdade, vamos recorrer à fisiologia: o excesso de luminosidade reduz a melatonina, gerando gatilhos hormonais para o desenvolvimento puberal precoce; além disso, o tecido gorduroso produz leptina, hormônio que tem como funções controlar o apetite, reduzir a ingestão de alimentos e regular o gasto energético e o peso corporal,  atuando também como hormônio regulatório do sistema reprodutor. Quando a concentração de leptina chega a determinado nível, estimula a liberação de GnRH pelo hipotálamo, que leva a menina iniciar seu ciclo menstrual.

As consequências da puberdade precoce vão desde transtornos psicológicos e emocionais ligados a mudanças de comportamento, maior risco de abuso sexual, baixa estatura quando adulto (porque há redução no potencial de altura); maior risco de obesidade, hipertensão, diabetes tipo 2, até doenças cardiovasculares e o câncer.

A pandemia está no fim e todos os esforços devem ser feitos para que esse cenário mude. Afinal, muito antes da pandemia já víamos um alarmante aumento dos casos de obesidade infantil. Hábitos ruins de alimentação com comidas ultraprocessadas e fast food, poucas horas de sono e muitas horas em frente às telas são mazelas de uma sociedade moderna. Os adultos precisam criar um ambiente familiar mais saudável. Criança aprende pelo exemplo. Que sejamos nós os seus grandes incentivadores.

Um viva aos parquinhos, quadras poliesportivas, aulas de educação física nas escolas; às bicicletas, bolas, patinetes e skates. E de quebra, um banho de sol, por favor.

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