Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Lana Maria Pereira da Silva
Médica Psiquiatra
CRM 52 69489-4

Revista Saúde Perss

Dr. Alexandre Machado Gomes
Nutrologia e Gastroenterologia
CRM 83846-2
Pós-graduação em nutrologia pela ABRAN-SP
Pós-graduação em gastroenterologia pela IPEMED-MG

@dralexandremachado
dralexandremgomes@gmail.com
A OBESIDADE E O RISCO DA FORMA GRAVE DA COVID-19
Atualmente, o vírus infectou mais de 193 milhões de pessoas e custou a vida a mais de 4,1 milhões de habitantes no mundo. No entanto, existe uma doença latente que não está pesando devido às suas consequências potencialmente fatais. E isso é obesidade. Doença que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), triplicou no mundo desde 1975.

O relatório “Covid-19 e a obesidade: o Atlas 2021”, da Federação Mundial de Obesidade, indica que a taxa de mortalidade por coronavírus é aproximadamente 10 vezes maior em países onde metade ou mais da população está acima do peso.

Em março deste ano, foram examinados dados de mortalidade da Universidade Johns Hopkins e da OMS e descobriu que das 2,5 milhões de mortes de Covid-19 relatadas no final de fevereiro, 2,2 milhões foram produzidas em países onde mais da metade da população está acima do peso.

A probabilidade de uma pessoa com obesidade desenvolver a forma grave da Covid-19 é alta, independentemente da idade, do sexo, da etnia e da existência de comorbidades como:

•  Diabetes;
•  Hipertensão;
•  Doença cardíaca;
•  Doença pulmonar...

É o que afirmam pesquisadores brasileiros em uma revisão sistemática de pesquisas publicada na revista Obesity Research & Clinical Practice.

O artigo incluiu dados de nove estudos clínicos, que juntos relatam a evolução de 6.577 pacientes infectados pelo coronavírus (Sars-CoV-2) em cinco países. Concluiu-se que a obesidade em si é um fator que favorece a progressão rápida da doença e aumenta significativamente o risco de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e morte devido a vários fatores. Um deles é a capacidade limitada de produzir interferons (proteínas secretadas por células de defesa que inibem a replicação viral) e anticorpos. Outro fator seria que o tecido adiposo funciona como um reservatório para o vírus, mantendo-o mais tempo no organismo.

Além disso, estudos recentes indicam que a inflamação crônica de baixo grau típica da obesidade – causada pelo aumento excessivo das células adiposas – faz com que a tempestade de citocinas inflamatórias desencadeada pelo Sars-CoV-2 seja ainda mais lesiva ao pulmão.

E para agravar ainda mais a doença, os obesos também costumam apresentar a função respiratória prejudicada, porque a gordura comprime o diafragma e impede a movimentação normal do órgão. Isso torna esses pacientes mais predispostos a depender de ventilação mecânica e outros cuidados intensivos caso contraiam a Covid-19.

Diante disso, fica a necessidade de políticas públicas de saúde voltadas a promover uma abordagem integrada e intersetorial da obesidade, com caráter regulatório e fiscal. O quão é importante haver uma mobilização transformadora para incentivar a realização de atividades físicas ao ar livre e hábitos alimentares saudáveis desde a infância, coordenada nos diferentes níveis de governo.

Claro que não somente devem partir das autoridades os incentivos, mas que cada indivíduo faça sua parte e se preocupe com esta doença endêmica, crônica e tão séria como é a “obesidade”.

Uma população com excesso de peso é uma população insalubre e uma pandemia que está prestes a ocorrer. Busquem a saúde através da prevenção, evitando a instalação da doença!

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