Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Lana Maria Pereira da Silva
Médica Psiquiatra
CRM 52 69489-4

Revista Saúde Perss

Dra. Lana Maria Pereira da Silva
Médica Psiquiatra
CRM 52 69489-4
Titulada pela AMB/ABP
Área de atuação – Psicogeriatria

@lanamariap
Lana Maria
Lana Maria
lanamps@hotmail.com
ENTREVISTA - Dra. Lana Maria Pereira da Silva
Transformar significativamente a vida das pessoas é o que move o dia a dia da médica psiquiatra Dra. Lana Maria Pereira da Silva. Formada há mais de 20 anos pela Universidade de Nova Iguaçu (UNIG), no Rio de Janeiro, e titulada em psiquiatria pela AMB/ABP, ela escolheu o município de Campos dos Goytacazes, no interior do estado, para exercer a profissão.

Natural de Nova Iguaçu, Dra. Lana se mudou com a família para São Fidélis, no interior do estado, quando tinha apenas nove anos, e aos 16 anos, prestou o primeiro vestibular sendo aprovada para o curso de Psicologia, na Universidade Gama Filho. Quase no fim da graduação, o coração falou mais alto e fez questão de lembrá-la que sua vocação sempre foi a medicina. Apoiada pela família, Lana não pensou duas vezes, quando trancou a matrícula no último ano do curso para realizar seu sonho.

Já formada, a médica deixou Niterói, onde morava, e veio para Campos encarar seu primeiro desafio, que foi integrar o quadro de profissionais do antigo Programa Saúde da Família (PSF), hoje, Estratégia Saúde da Família (ESF), onde permaneceu por nove anos.

Atualmente, Dra. Lana é assessora chefe do Programa de Saúde Mental em Campos, e é uma das sócias/diretora da Clínica Vila Verde – Av. Alberto Torres, 382, assim como divide seu tempo com o consultório na Clínica Emovere no Ed. Lumina Office Tower – Rua Dr. Siqueira, 139/503, além da preceptoria em Psiquiatria da Universidade Redentor, em Itaperuna.

Filha de comerciantes, ela tem orgulho em ter sido a primeira médica da família. Sendo hoje inspiração para sobrinhos, primos e principalmente para o único filho, que depois de formado em Direito vem seguindo os passos da mãe.

SP - Seu caminho até a medicina é muito interessante, pode contar um pouco?
LMPS - Quando comecei a cursar psicologia, não tinha muita noção do que era a psicologia, eu era muito nova, mas uma coisa sempre me chamou muito atenção: antigamente, a loucura tinha um peso muito forte. Eu ficava muito chocada em ver essas pessoas enjauladas ou enclausuradas. Presenciei muito isso durante o estágio de psicologia, então, quando passei para medicina, tinha certeza de que queria me especializar em psiquiatria, para estudar e ver outras maneiras de tratamento, para tentar reduzir ao máximo o número da internação. Hoje, muitas doenças podem ser tratadas e controladas apenas com medicamentos e psicoterapia.

SP - A Psiquiatria sempre foi vista como um “tabu”. Hoje em dia, as coisas já mudaram?
LMPS - Infelizmente, ainda temos bastante preconceito, inclusive, por parte de muitos colegas de profissão. Alguns têm receio de encaminhar um paciente ao psiquiatra, porque acha que ele não irá reagir de uma boa maneira. Muitos pacientes ainda acreditam que estão sendo chamados de loucos quando são encaminhados ao psiquiatra. Se a psiquiatria fosse vista com outros olhos, muitas coisas nesse mundo e na sociedade seriam evitadas. Acredito que para melhorar esse cenário, temos é que cada vez mais falar sobre o assunto, falar sobre o que é a psiquiatria e a importância dela na vida de quem realmente precisa.

SP - Estamos vivendo um dos piores momentos da humanidade com a Pandemia da Covid-19 e a saúde mental é uma das mais afetadas. Como a senhora tem acompanhado isso?
LMPS - De muito perto. A Saúde Mental é tão importante quanto à saúde física. Se falamos de um paciente com câncer, ele tem que ter acompanhamento das duas áreas, se falamos de um AVC, é importantíssimo que o paciente tenha acompanhamento tanto do cardiologista quando de um especialista em saúde mental. Não é fácil para uma pessoa doente, encarar as limitações e muitas vezes, o medo frequente da morte. Não adianta o corpo estar bem, se a Saúde Mental estiver comprometida. Com a Covid-19, o pânico da população é geral. Todos têm medo da doença, medo da morte, medo da questão econômica e da perda de entes queridos. O número de suicídio aumentou consideravelmente.

SP - Como anda a Saúde mental em Campos e no país?
LMPS - Campos tem uma saúde mental dentro da proposta da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) boa. Ainda há muito o que melhorar, mas, estamos caminhando bem para isso. Já o Brasil precisa entender as mudanças da saúde mental, fazer uma nova reavaliação do papel dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) – e entender a importância da Atenção Básica dentro do processo.       

SP - Nessa jornada, muita gente importante participou do processo, algumas em especial?
LMPS - Muitas! Meus pais, Cirlei Pereira da Silva, Aristides Ribeiro da Silva, meu irmão Bartolomeu Pereira da Silva, meu filho, Caio Augusto. E muitos, muitos amigos, como: Flavia Fechó, Debora Casarsa, Gabriela Dantier, Júlio Boechat, Constância Prestes. Eu cheguei aqui em Campos, não conhecia ninguém, não tinha sobrenome conhecido, não tinha nenhum médico na família, e foram as pessoas que fui conhecendo que foram me dando todo apoio que eu precisava.

SP - Quando uma pessoa deve acender o sinal de alerta com relação a saúde mental e procurar um especialista?
LMPS - Quando a pessoa não se reconhecer mais. Quando não tiver mais objetivos na vida, quando estiver sem vontade de sair, de ver amigos e de achar que nada na vida vale a pena. Todos os sinais devem ser levados em conta. É mito que quem vai se matar, não avisa. As pessoas dão sinais sim! E isso, sempre deve ser ouvido e interpretado como um pedido de ajuda.

SP - A Clínica Vila Verde, inaugurada em 2018, é um sonho realizado. Tem novidades para 2021/2022?
LMPS - Em 2015, um dos meus sócios, o psiquiatra Cláudio Teixeira, reuniu outros amigos da área, além de mim, os Drs. Gabriel Escocard, Mauricio Escocard, Gabriela Dal Molim para colocar em prática o sonho da nossa clínica, e em outubro de 2018 inauguramos a Vila Verde.

Os sonhos não podem acabar. Então, a gente deve terminar 2021 com uma novidade, a expansão da clínica para uma segunda unidade, que deve ser voltada para atendimento à dependência química.

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