Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Fabrício Bastos
Educação Física
CREF/RJ 02 6331

Revista Saúde Perss

Dra. Lana Maria Pereira da Silva
Médica Psiquiatra
CRM 52 69489-4
Titulada pela AMB/ABP
Área de atuação – Psicogeriatria
lanamps@hotmail.com
IMPACTOS DA PANDEMIA NA SAÚDE MENTAL
Quando em março a Organização Mundial de Saúde (OMS) elevou o estado da contaminação do Covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus - Sars-Cov-2), à pandemia, todos os países iniciaram uma batalha, a um vírus totalmente desconhecido, e naquela ocasião, não se sabia qual impacto que tudo aquilo teria nas nossas vidas. Muitas pessoas nem sabiam, o que, na prática, o termo pandemia significava e, desde então, o mundo tem testemunhado um aumento de outras doenças relacionadas ao coronavírus, como: sequelas clínicas pós-Covid-19, descompensações de doenças clínicas e aumento das doenças psiquiátricas, que não tem passado despercebido.

E esse aumento significativo se dá por diversas causas, podendo ser em função de sequelas que o vírus causa no sistema nervoso central, pelo medo da morte, pela experiência vivida com pessoas muito próximas que morreram ou que tiveram a doença, pelo distanciamento social que a própria doença nos expõe, a mudança na rotina com o convívio mais intenso dentro de casa, consequências drásticas na economia e assim na vida financeira das famílias, e as mudanças nas relações afetivas, em grande parte, causam consequências intensas.

Em março de 2020 a sensação do que viria nos assustou, mas a dimensão tem sido muito maior do que qualquer pensamento que pudéssemos ter tido naquele momento, o que elevou o estresse e reafirmou o Brasil em uma estatística de o país mais ansioso do mundo.

Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS), que reuniu informações sobre a saúde mental do brasileiro, revelou o aumento da ansiedade nesse período. A primeira etapa foi realizada nos meses de abril e maio de 2020. Mais de 17 mil pessoas em todo o Brasil participaram do estudo. O resultado mais alarmante: 86,5% dos entrevistados estavam enquadrados em algum tipo de ansiedade patológica. Desde 2017, o Brasil tem o maior índice de pessoas com transtornos de ansiedade em todo o mundo. Já eram quase 19 milhões de brasileiros com a qualidade de vida comprometida. E aí veio o coronavírus – que desencadeou transtornos mentais – e piorou a situação de quem já sofria com eles.

Associado a isso, o aumento dos quadros depressivos, dos quadros de Transtorno Obsessivos Compulsivos, de insônia, aumento no consumo de álcool e outras drogas, incluindo o tabaco, e de outras tantas doenças psiquiátricas, têm mostrado a cada dia que precisamos dar a devida importância a doença e as consequências delas. E, ainda, colocar a saúde mental no seu devido lugar, entendendo que não há saúde física sem saúde mental e que a cada dia aumentam os dados quanto aos suicídios ocorridos nesse período, com pessoas que, sequer, demonstravam qualquer ideação suicida. Ter em mente a importância do tratamento e de que minimizar qualquer sintoma, ou negar a existência da doença, faz com que uma pandemia psiquiátrica nos ronde.

A ansiedade, dentre tantos outros sintomas na saúde mental em geral já tem um impacto negativo na qualidade de vida do Brasileiro. Em torno de 10% dos brasileiros apresentam sintomas que cursam com ataques de pânico, fobias, transtornos obsessivos compulsivos, transtornos alimentares e estresse pós-trauma além da ansiedade generalizada.

Se fizermos um levantamento, veremos que as palavras mais digitadas nos sites de busca, relacionado a saúde mental, quando do início da pandemia até os dias atuais, veremos que ansiedade e depressão, além da palavra felicidade estão entre as mais pesquisadas.

Isso só reforça o fato de que o brasileiro está tentando encontrar caminhos para superar os sentimentos que vêm surgindo nesse momento, que gera tanto desconforto.

Considerando que o isolamento se faz necessário, precisamos entender que criar hábitos saudáveis, como alimentação adequada, exercícios físicos que podem ser feitos em casa (existem profissionais oferecendo o serviço on-line), não perder contatos com os familiares, com quem se tem uma boa relação, montar rotinas diárias tentando ajustar com o home office (quem nesse momento mantém o trabalho em casa), tentar iniciar ou manter prática de meditações ou atividades como Ioga, e relaxamentos, evitar consumo de álcool, evitar leitura de jornais e sites de notícias, rede sociais que tragam contexto negativos e consequentemente, jornais televisionados que podem piorar a ansiedade  e mais que isso, entender qual é o seu momento, como tudo isso pode impactar na sua vida como um todo, e que nada do que estamos vivendo será para sempre. E ao surgimento de qualquer manifestação de causa psicogênica, procurar o profissional especializado nas doenças da saúde mental, que nesse caso, são os psiquiatras e os psicólogos. Lembre-se, ter uma saúde mental de qualidade é não permitir se dominar por sentimentos ruins.
 
Bibliografia
Guia de saúde mental na pandemia.

Compartilhe

Fale Conosco

Para conhecer mais sobre a nossa revista, enviar dúvidas, sugestões ou comentários você só precisa preencher os campos do formulário abaixo.