Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Fabrício Bastos
Educação Física
CREF/RJ 02 6331

Revista Saúde Perss

Dr. Renato F. da Gama
Médico neurologista
CRM 52 60730-1
Graduado em medicina pela FMC/UERJ
renatofgama@gmail.com
DOR DE CABEÇA: UMA QUEIXA QUE MERECE ATENÇÃO ESPECIAL
As cefaleias, designação técnica para dores de cabeça, estão entre as queixas mais frequentes da prática médica, acometendo até 90% da população. Apesar de acometer a potencialmente, todas as faixas etárias, têm predileção pela quarta década, durante os estágios mais produtivos da vida, o que acarreta impacto significativo sobre o funcionamento social, profissional e acadêmico de quem delas padecem.

Sua apresentação é frequentemente intermitente, como no caso das enxaquecas clássicas, o que induz os indivíduos à prática da automedicação, que pode mascarar a ocorrência de patologias que precisam de tratamentos específicos.

Embora dezenas de doenças possam causar dor de cabeça, dois grupos principais englobam categorias bastante distintas. Nas cefaleias secundárias, a dor de cabeça ocorre como sintoma de uma enfermidade principal, como ocorre no caso dos:
•  Tumores;
•  Traumatismos cranianos;
•  Meningites;
•  E ruptura de aneurismas...

Nestes casos, frequentemente, existe necessidade de um diagnóstico precoce e tratamento específico. Felizmente, a vasta maioria das cefaléias são do tipo primárias ou idiopáticas, nas quais não existe uma alteração estrutural grave, embora o incômodo produzido pela dor possa ser incapacitante, como: nas enxaquecas, cefaleias tensionais e em salvas.

Muitos mitos revestem o imaginário popular a respeito das dores de cabeça. Um dos mais comuns é a crença de que crises de enxaqueca têm relação com o mal funcionamento do fígado. Esta interpretação ocorre pela frequente associação entre as crises enxaquecosas (ou migranosas, nomenclatura mais aceita) e a ocorrência de náuseas ou vômitos. Também é comum se atribuir a cefaleia a problemas visuais, o que na prática ocorre com mais frequência nas deficiências graves de refração ou no glaucoma. Estudos recentes, também sugerem que a dor de cabeça associada ao aumento de pressão arterial seja, na verdade, a causa do pico tensional e não consequência dele.

Embora muitas sejam as causas possíveis de cefaleia, a mais frequente é a tipo tensional, na qual o estresse emocional é a causa fundamental do distúrbio doloroso. Alguns estudos relacionam a queixa a uma contratura involuntária de grupos musculares do escalpo e da coluna cervical como sua origem. Um pouco menos frequente, a enxaqueca também tem incidência elevada, e geralmente, se manifesta em associação com desconforto pela exposição à luminosidade e sons, além dos já mencionados náuseas e vômitos.

As cefaleias são queixas de grande importância na prática médica, visto estar presente no cotidiano de vários cenários como postos de saúde, pronto-socorro e serviços de terapia intensiva. Muitos especialistas estão envolvidos na investigação e terapia das dores de cabeça, entre os quais neurologistas, otorrinolaringologistas, oftalmologistas, ginecologistas, emergencistas e profissionais da atenção primária. Como habitualmente, as causas da dor se relacionam à neurologia, é bom sempre iniciar a investigação por este especialista, o qual encaminha para outros profissionais nos casos específicos quando outro acompanhamento seja necessário.

COLABORAÇÃO: 
LANEURO: Liga Acadêmica de Neurologia e Neurocirurgia da Faculdade Redentor;
Renato Gama - CREMERJ 5260730-1 – Médico Neurologista – Coordenador;
Lorena Jacinto Tomé e Renan Lara Fonte Boa – Acadêmicos de Medicina da Uni-Redentor – Membros.

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