Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Fabrício Bastos
Educação Física
CREF/RJ 02 6331

Revista Saúde Perss

Dra. Isabela Lima Emmanuel
Endocrinologia
CRM 52 92581-0
Residência de Endocrinologia e Metabologia no HUPE - UERJ
isabela_emmanuel@hotmail.com
SABIA QUE AS BACTÉRIAS DO INTESTINO PODEM TER RELAÇÃO COM A OBESIDADE E DIABETES
O intestino humano é normalmente colonizado por 100 trilhões de bactérias e uma menor quantidade de vírus e fungos, constituindo a microbiota intestinal.

Em indivíduos saudáveis, a microbiota tem um papel importante não apenas na função intestinal, mas também, no metabolismo (regulando o estoque e o gasto de energia), na produção de vitaminas e enzimas e no sistema imunológico.

As interações entre o organismo humano e a microbiota intestinal começam no nascimento a depender da via de parto, do tipo e duração da amamentação e entre 2 e 3 anos de idade passa a ser estável e comparável a de um adulto. A partir daí, a composição sofre várias alterações ao longo dos anos. Os fatores genéticos têm papel central nessa formação, porém mais importante ainda são os fatores ambientais, como: dieta, estilo de vida, higiene e uso de medicamentos.

Uma questão interessante é como a microbiota pode levar ao desenvolvimento de várias doenças crônicas. Pesquisas comprovaram uma forte conexão entre a composição da flora intestinal e o risco de desenvolver obesidade e resistência à insulina, que são os principais fatores envolvidos em patologias como diabetes tipo 2, esteatose hepática (gordura no fígado), doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e vários tipos de câncer. Muitas dessas doenças aumentaram ao longo dos anos, sugerindo uma relação entre a mudança no estilo de vida e a quebra do equilíbrio saudável entre as bactérias do intestino e o indivíduo. Estudos já demonstraram que pessoas magras e com sobrepeso possuem diferenças importantes nos tipos de bactérias e algumas dessas exercem influência na forma como nosso organismo utiliza a energia (calorias) proveniente dos alimentos, e por isso, estão envolvidas no controle do peso corporal.

Uma dieta rica em gordura, açúcar e pobre em fibras é capaz de modificar a microbiota ao diminuir a diversidade bacteriana, provocar um desequilíbrio entre as bactérias benignas e as patogênicas (que geram doenças) e deteriorar a barreira intestinal. Essa microbiota alterada reduz a produção de substâncias protetoras, algumas relacionadas a regulação do apetite no sistema nervoso central, responsáveis pelo aumento da saciedade e diminuição da ingestão alimentar. Além disso, se observa um aumento de substâncias tóxicas e próinflamatórias levando à inflamação crônica, que está presente na obesidade e favorece o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

A microbiota intestinal tem participação importante em mecanismos que favorecem saúde ou doença e isso vai depender da sua composição. Os padrões dietéticos interferem nessa formação da flora intestinal. Uma alimentação rica em fibras com: frutas, legumes e grãos integrais pode influenciar de forma positiva, por meio do aumento do número de bactérias benéficas e consequente diminuição dos fatores de risco responsáveis pelo surgimento de obesidade e diabetes.

Sendo assim, esse tipo de correlação só reforça a importância de manter hábitos saudáveis como ter uma dieta variada, com predomínio de alimentos frescos e caseiros, rico em fibras e a prática regular de atividade física.

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