Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogério Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 52 31757-4

Revista Saúde Perss

Dra. Francini Mayerhofer
Endocrinologista e Metabologista
CRM 52 886289
Residência em Endocrinologia e Metabologia no IEDE-RJ
Membro da SBEM
@francinimayerhofer
francinimayerhofer@hotmail.com
DIABETES TIPO 1 E DIABETES AUTOIMUNE DO ADULTO
O número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, passando de 5,5% da população em 2006 para 8,9% em 2016. Segundo estudo recente divulgado pelo ministério da saúde, o Rio de Janeiro é a capital brasileira com a maior prevalência de diagnóstico médico da doença.

Existem vários tipos de diabetes, sendo o tipo 2 o mais frequente; tendo como alguns fatores de risco o sobrepeso e obesidade, hereditariedade, hipertensão arterial e sedentarismo. Porém, é crescente também o número de casos de diabetes causados por componente de autoimunidade das células pancreáticas, como diabetes tipo 1 (infanto juvenil), onde o crescimento é ainda maior antes dos 5 anos de idade; e o diabetes autoimune latente do adulto (LADA).

Nas doenças autoimunes, o corpo produz anticorpos contra ele mesmo. Fatores genéticos e ambientais estão implicados nas causas desse desequilíbrio imunológico, mas, dificilmente encontramos o “culpado” pelo surgimento da doença. O diagnóstico correto do tipo de diabetes é fundamental para um tratamento eficaz, e nos dois casos, ele é feito com uso de insulina, principalmente quando já houve destruição de grande parte das células beta pancreáticas, que são as responsáveis pela produção deste hormônio.

O diabetes tipo 1 se instala muito rapidamente. As crianças apresentam sintomas de glicose muito alta, como: fraqueza, aumento da sede, da frequência urinária e da fome; e apesar disso, ocorre perda de peso repentina. Em casos mais graves, ocorrem vômitos, dor abdominal e alteração da consciência, quadro conhecido como cetoacidose diabética, e necessita de internação hospitalar. A família que recebe este diagnóstico deve ser amparada por equipe multidisciplinar composta por endocrinologista, nutricionista e psicólogo, que devem fornecer apoio técnico e emocional, pois aprender a lidar com o diabetes necessita de muita informação. Atualmente, as redes sociais vêm aproximando as famílias e portadores da doença, possibilitando essa troca de informações, o que ajuda muito na aceitação e adesão ao tratamento.

Graças aos avanços no tratamento, principalmente em relação aos tipos de insulina existentes, as crianças podem ter uma ótima qualidade de vida, respeitando os limites de uma vida saudável, como boa alimentação e prática regular de atividades físicas. É imprescindível a medição da glicemia diversas vezes ao dia, e os pacientes precisam ser encorajados a fazer o teste da ponta de dedo em qualquer ambiente, seja na escola, no restaurante, no parquinho... Para isso, muito precisamos avançar na educação em diabetes para a população em geral e também, no âmbito escolar.

Apesar da mesma participação do sistema autoimune no desencadeamento da patologia, o diabetes tipo LADA tem instalação mais lenta e ocorre em indivíduos mais velhos (em geral, dos 25 aos 65 anos). Justamente pela idade de início mais tardio, pode haver uma confusão no reconhecimento dessa entidade. Na maioria das vezes, inicialmente, estes pacientes conseguem ser tratados com medicação oral (principalmente dentro de 6 meses do diagnóstico), mas evoluem rapidamente para a necessidade do uso da insulina. Na prática, devemos atentar para essa situação quando nos deparamos com pessoas com diagnóstico recente de diabetes, muitas vezes magros, e que não ficam bem compensados com medicações orais.

Independente do tipo de diabetes, considero um dos principais desafios enfrentados pelo endocrinologista a tentativa de manter a motivação no tratamento, por se tratar de uma doença crônica, no intuito de minimizar as complicações. A longo prazo, a falta de controle de todos os tipos de diabetes podem causar danos aos órgãos, principalmente retina, rins, coração e nervos, aumentando também, o risco de infarto do miocárdio e derrame (AVC).

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