Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Rogério Venancio
Cirurgião Plástico
CRM 52 31757-4

Revista Saúde Perss

Dr. Joguimar Moreira dos Santos
Ginecologista, obstetra, lato sensu em sexualidade humana e mestrado em sexologia clínica
CRM 52 23623-2
Formado pela FMC

@joguimarmoreiradossantos
joguimar.moreiradossantos
joguimarsantos@hotmail.com
DESEJO SEXUAL HIPOATIVO: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
O Desejo sexual hipoativo (DSH) foi reconhecido pela primeira vez como entidade clínica em 1977, por Lief. Em 1980, no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders o DSH foi reconhecido como: disfunção sexual. Em 2000 o DSM-IV definiu esta disfunção como a deficiência (ou até ausência) persistente ou recorrente de desejo e fantasia sexual para atividade sexual, levando a acentuado desconforto e a dificuldades interpessoais.

Diagnóstico

        Quando o primeiro atendimento for de um casal, devemos mais ouvir do que falar. Procurar construir um vínculo de confiança e expor para eles o projeto da terapia, que os atendimentos poderão ser individuais ou conjunto, e que a duração e o sucesso da mesma, vai depender do empenho de todos. O atendimento no qual se faz uma investigação da história sexual pregressa, deverá ser individual para evitar constrangimentos.

         Quando investigamos a história sexual pregressa do cliente arguimos sobre: as brincadeiras sexuais na infância e na adolescência; como foi sua educação em família e na escola; com quem ele teve mais intimidade para perguntar sobre sexualidade; seus conceitos e preconceitos sobre sexualidade; com que idade, aproximadamente, começou a se interessar por sexo e com que idade teve sua primeira relação sexual e se foi gratificante; quais são as suas lembranças positivas e negativas sobre as relações que teve; quais foram e são as suas fantasias sexuais mais frequentes.

Lúcia Pesca, psicóloga e psicoterapeuta sexual cita alguns fatores mais frequentes à queixa do DSH, como:

•  Os problemas de comunicação;
•  O afeto contido – dificuldade de expressar o que sente;
•  Disputas de poder – troca de papéis sexuais (mulher maior provedora);
•  Falta de tempo para o casal ficar a sós – por exemplo, o homem se sente preterido;
•  Educação sexual muito restritiva, negativa, ou experiências sexuais  traumáticas, – por exemplo, abuso sexual na infância;
•  Doenças físicas, medicamentos e consequências orgânicas como a queda da testosterona;
•  Sintomas psiquiátricos – depressão, angústia, fobia ou estresse excessivo podem inibir o interesse sexual;
•  Relacionamento sem intimidade afetiva e emocional;
•  Temor de entrega, medo de obter sucesso e prazer a dois;
•  Alto nível de ansiedade – sentimento de nervosismo, medo ou preocupação.
•  Incerteza sobre a sua orientação sexual.
•  Pragmatismo e racionalização na sua conduta de vida pessoal e sexual.

         Basicamente, as queixa mais comuns relacionadas a DSH são: perda progressiva das fantasias sexuais e do interesse pela atividade sexual, tédio na relação, pressão do(a) parceiro(a) para ter a relação sexual e desculpas para as fugas por não querer praticar o ato.

Tratamento

         O tratamento que se baseava nos estudos de Masters&Johnson, sofreu modificações por Helen Kaplan e mais recentemente por Rosemary Basson. As modificações no traçado da curva da resposta sexual contribuíram, significativamente, para adaptações terapêuticas. A focagem sensorial, o treino e partilha de fantasias, técnicas de relaxamento e, ocasionalmente, técnicas pornográficas do tipo suave, prática do coito não exigente associado ao exercício de Kegel, são instrumentos importantes.

         A pessoa que sente o desejo, excita-se. Esta excitação é caracterizada nos homens por apresentarem taquicardia, ereção peniana, lubrificação de glande e nas mulheres turgência mamária ereção de mamilo, lubrificação vaginal. A mulher quando não tem a lubrificação vaginal satisfatória, na maioria das vezes foi porque o estímulo sexual não foi razoável, ou no caso da pós-menopáusica, pela baixa do estrogênio o epitélio vaginaltem a sua secreção diminuída. O uso de cremes de estrógenos pode ser útil para revitalizá-lo.

Há quem utilize a bupropiona, a flibanserina, para ativar o desejo, mas os resultados são bem modestos. A androgenioterapia feminina é bem questionável, no homem pode ser feita com os devidos cuidados.

         Quando o terapeuta sexual recebe o casal para tratamento de DSH e tantas outras disfunções sexuais, certamente, estará entrando na intimidade do casal, muitas vezes bastante complexa. Quando existe um vínculo forte de bem-querença do par, as coisas ficam mais fáceis. Muitas vezes, um do par é levado sobre pressão do parceiro e confessa não gostar dele e não ter interesse mais neste relacionamento. O terapeuta sexual ou de casal pode tratar muitas inadequações sexuais. Pode erotizar o casal, um dos parceiros e adequá-los, porém, sem a vontade própria do paciente, fica difícil.

         Como tantas outras disfunções sexuais, o DSH deve ser analisado contextualmente, e o sucesso terapêutico passa por uma revisão de ideias e pensamentos que devem se adequar à temporalidade.

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