Revista Saúde Perss
CAPA
Laboratório Pedra Verde

ENTREVISTA
Dr. Marco Antônio Neves Iack
Farmacêutico Bioquímico
CRF-RJ 6597
Revista Saúde Perss

Evaldo Rodrigues de A. Junior
Psicanalista Clínico
Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise
evaldorodriguespsicanalista@gmail.com
VOCÊ SABE O QUE É NOMOFOBIA?
Você já parou para pensar quanto tempo por dia fica diante do celular, ou smartphones, seja nos games, redes sociais, Whatsapp, Facebook, Twitter, Instagram...sem se dar conta de que estava completamente fora do mundo real de relacionamento com pessoas.

Foi Publicado na Psychology of Popular Média Culture, um estudo da Universudade de Brigdan Young dos EUA, que afirma que o vício causado pela dependência de dispositivos móveis desencadeia um processo de isolamento que afeta e interfere nas relações sócio-afetivas. A dependência cada vez mais comum destes equipamentos faz com que o indivíduo faça uma desconexão com o mundo real a passe a se satisfazer emocionalmente com o mundo virtual. E como o mundo virtual é desprovido de sentimentos e emoções as relações ficam então vazias.

Segundo pesquisas 138,3 milhões de brasileiros, ou 77,1% da população de 10 anos ou mais de idade tinha celular próprio, isso no fim de 2016. E o número continua crescendo de tal forma que hoje, crianças com idades tenras já recebem de presente tablets, e até celulares e passam horas na telinha, sem brincar com outras crianças.

Nomofobia é então catalogada como uma doença pelo CID 10 como transtorno de fobia psicológica. É a doença que se caracteriza pelo medo irracional de ficar sem o celular ou equipamentos eletrônicos (ausência de um sinal, queda de bateria) e que somatizam imediatamente em forma de sudoreses, taquicardias, alterações de humor, alterações no sono, medos, angústias podendo a ausência destes equipamentos funcionar até como uma espécie de gatilho para formar a depressão (a doenças do século).

Dr. Sigmundo Freud, o pai da psicanálise, já no final do século 19 e inicio do século 20 nos chamava atenção à sua época, que o Ego - centro da consciência - a parte de nossa personalidade que se relaciona com o mundo externo e que deseja sempre ser aceito, sempre que se vê ameaçado pelo mundo interno das emoções que não dá conta ou com a realidade externa do qual teme e não deseja enfrentar, se esconde através dos mecanismos de defesa. Exemplos de mecanismos de defesa: Negação (ex: não fui eu!); Projeção (ex: foi fulano, foi o emprego, foi...); Racionalização (aceitar o suborno, mas se desculpar dizendo: todo mundo rouba mesmo!);  Deslocamento (redirecionamento de um impulso agressivo para um objeto que não possa lhe oferecer risco (expressar a própria homofobia em compartilhamento de curtidas e compartilhamento de idéias homofóbicas pelas redes sociais). Esses mecanismos de defesa são usados a todo momento na vida social e funciona ao mesmo como um mecanismo de fuga, dando um certo alívio momentâneo ao Ego.

Embora seja uma realidade que as relações sociais virtuais vieram para ficar como parte do avanço da sociedade moderna, o problema é que o limite entre usar a tecnologia e ficar escravo dela é muito tênue.

Alguns hábitos que podem indicar a  Nomofobia:

•  Manter-se ligado 24h com o celular e dormir com eles na cama;
•  Conferir obsessivamente as chamadas, e-mail, mensagens de aplicativos;
•  Vigiar o tempo todo as curtidas;
•  Sentir grande desconforto e irritabilidade quando está em lugares sem sinais de rede;
•  Fazer refeições o tempo todo com celulares próximos e vigiando;
•  Ficar online mais tempo do previsto, deixando de dormir, ou dormir tarde demais, ou se alimentar pouco;
•  Trocar relações pessoais por relações virtuais;
•  Afastamento da família e dos amigos..

A Nomofobia tem cura? Sim!

É importante que a pessoa procure uma ajuda profissional com profissionais da saúde psicológica (psicólogos, psicanalistas) e se necessário até um médico. Conversar através da terapia, estabelecer uma ponte, falar do que está sentindo. Por trás da doença, existem causas emocionais como: raízes (baixa estima, solidão, medos, vazios, traumas vividos, sentimentos de não ser aceito, etc...) que precisa ser colocado pra fora e elaborado pela pessoa.

A vida é mais colorida quando temos a presença de pessoas, sentimentos, olhares, abraços, beijos, carícias, afagos.

E lembre-se: nada substitui na relação social a presença do outro como agente de construção e ponte de elos.

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