Revista Saúde Perss
CAPA
Laboratório Pedra Verde

ENTREVISTA
Dr. Marco Antônio Neves Iack
Farmacêutico Bioquímico
CRF-RJ 6597
Revista Saúde Perss

Dr. Roberto Miotto
Urologista
CRM 52 40832-8
Diplomado pela FMC
roberto.miotto@bol.com.br
INFERTILIDADE MASCULINA
Cerca de 8% das consultas em urologia se relacionam a homens em idade reprodutiva que não conseguem engravidar suas parceiras.

Defini-se infertilidade conjugal como ausência de gravidez espontânea em um período de 12 meses de atividade sexual frequente e sem uso de métodos contraceptivos. Aproximadamente 15% dos casais não conseguem gravidez após este período. A infertilidade pode ser primária quando o casal nunca conseguiu uma gestação ou secundária quando tem dificuldade para uma nova gestação. O fator masculino está envolvido em cerca de 50% dos casos de infertilidade conjugal, sendo geralmente 30% somente do homem e 20% relacionado ao casal. Portanto, sempre ambos os parceiros, devem ser avaliados para identificar as causas de infertilidade.

A infertilidade masculina pode ser causada por uma grande variedade de condições urogenitais congênitas ou adquiridas, infecções do trato urogenital, distúrbios hormonais, varicocele (devido aumento da temperatura prejudicial à espermatogênese), distúrbios genéticos, causas imunológicas, exposição a substâncias tóxicas para as células germinativas, disfunções sexuais e ejaculatórias, câncer, quimioterapia ou radioterapia e outras doenças crônicas que podem diminuir a fertilidade, porém 1/3 dos casos, a causa não é identificada sendo classificada com idiopática (origem desconhecida). Quando a idade feminina for maior que 35 anos recomenda-se a avaliação mais precoce do casal, geralmente, após 06 meses de atividade sexual frequente, ao invés dos 12 meses normalmente padronizados.

A avaliação inicial dos homens é feita através da história com dados sobre história sexual e desenvolvimento, exposição a drogas (maconha, tabaco, álcool) e medicações em uso, doenças crônicas, traumas,  cirurgias e infecções anteriores, fatores ambientais (pesticidas, solventes)  associado ao exame físico completo com exame detalhado do pênis, testículos, epidídimos, cordão espermático, ductos deferentes e próstata.

A análise seminal (espermograma completo) é o exame mais importante na avaliação laboratorial do homem infértil através de pelo menos duas amostras de esperma coletadas, em dias distintos, preferencialmente, no laboratório e analisadas em 1 hora da coleta, geralmente com abstinência sexual de 2 a 5 dias.  Este exame nos fornece o volume seminal, contagem, concentração, motilidade, viabilidade e morfologia dos espermatozóides. Uma vez analisado o espermograma e estando dentro dos padrões da normalidade, damos por encerrada a avaliação. Porém, se apresentarem anormalidades, deveremos prosseguir a avaliação com provas de função espermática, avaliação hormonal e geral laboratorial, ultrassom testicular e eventualmente prostático e vesículas seminais, por último testes genéticos quando necessário.

Com o diagnóstico finalizado, realizaremos que o tratamento adequado seja clínico corrigindo alterações hormonais, suspendendo agentes tóxicos, tratando infecções e doenças crônicas, ou qualquer outra doença passível de tratamento clínico. Casos necessitem tratamento cirúrgico como: varicocele, obstrução dos deferentes após vasectomias, como causas mais frequentes dentre outras, serão corrigidas.

O problema fica mais difícil nos casos de infertilidade idiopática, onde não identificamos a causa para o esperma infértil, sendo estes casos submetidos a tratamentos empíricos quando alterações espermáticas são mais leves e dependendo da idade do casal ou encaminhados a procedimentos de reprodução assistida quando alterações no esperma são mais pronunciadas.

As técnicas de reprodução assistida incluem a inseminação intrauterina (IIU), onde o esperma normal ou com alterações discretas, coletado por via natural do paciente ou doador é injetado direto no útero; a fertilização in vitro (FIV) com esperma com alteração moderada e a injeção intracitoplasmática (ICSI) reservado para os espermas com alterações mais graves.

Em resumo, quanto mais alterações dos espermatozóides, mais sofisticada a técnica para conseguir uma gestação.

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