Revista Saúde Perss
CAPA
Laboratório Pedra Verde

ENTREVISTA
Dr. Marco Antônio Neves Iack
Farmacêutico Bioquímico
CRF-RJ 6597
Revista Saúde Perss

Dr. Joguimar Moreira dos Santos
Ginecologista, obstetra, lato sensu em sexualidade humana e mestrado em sexologia clínica
CRM 52 23623-2
Formado pela FMC
joguimarsantos@hotmail.com
TRANSTORNOS DO DESEJO SEXUAL
Poucos sentimentos humanos têm sido tão polêmicos quanto o desejo sexual (DS). Capaz de proporcionar um intenso prazer, ou, causar grandes tragédias por motivos torpes, ele é a síntese de experiências fatoriais, culturais, biológicos, educacionais, religiosos, psicológicos, contextuais e outras.

Quando falamos em transtornos do desejo sexual (TDS) podemos estar nos referindo ao Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo ou ao Desejo Sexual Hiperativo. Neste artigo, enfocaremos o hipoativo; o de maior incidência.

Não existe uma fórmula de bolo para tratar todos os hipoativos sexuais, não é tarefa fácil. Cada caso deve ser analisado criteriosamente. A avaliação orgânica deve sempre preceder a psicológica. Assim, deve o(a) urologista ou o(a) ginecologista, após avaliação dos fatores orgânicos considerados alterados, tratá-los, senão, encaminhar o paciente à psicoterapeutas especializados. Em nossa época, não há espaço para individualistas. O bicho homem é complexo, necessita de uma equipe multidisciplinar. Ele não sente desejo só no “cio”, nem a fêmea se encanta e apaixona por ele só nesta fase.

A diminuição do desejo pode ocorrer com o casal ou com apenas um componente deste par. As causas são múltiplas: a perda da atração física, a deterioração da relação do casal, o envolvimento com outro parceiro ou parceira, a situação socioeconômica, a habituação do par, doenças, uso de drogas psicoativas e outras.

Se observarmos as curvas da resposta sexual humana resultantes das pesquisas dos Masters&Johnson, Helen Kaplan e de Rosemary Basson vamos observar que sem o desejo sexual (DS) não haverá excitação e orgasmo. É queixa constante no consultório ginecológico a falta do (DS). A paciente diz ter relações “por obrigação”. Antes alega dores: de cabeça, nas pernas, na coluna, diz estar cansada e finge dormir quando procurada. Quando estes artifícios falham diante da vontade incontida do parceiro, ela permite o ato. Desinteressada, a relação é fria e quase sempre anorgásmica. Algumas, até simulam um orgasmo magnífico com direito à sussurros e gemidos.

O desejo sexual hipoativo é menos frequente no homem, porém, mais dramática. Sem o desejo sexual em bom nível, não há ereção. Têm casos, no entanto, em que a inapetência sexual é realmente grave, levando o indivíduo à depressão severa.

Estamos nesta matéria nos referindo à diminuição e a falta do (DS) da forma mais comum e superficial. O que podemos observar na clínica é que mesmo no casal funcional, há com o passar dos anos uma diminuição da gratificação pelo prazer. A rotina que habitua é a mesma que tira a graça especial da relação sexual. O orgasmo estonteante que leva ao limite do prazer não acontece. Ele, às vezes é tão fraco que não gratifica o esforço do ato para praticá-lo. O que se observa nestes casos, tornando-se muitos frequentes, é a insatisfação do desempenho, o que não é bom para o casal.

Quando alguém sente dor, logo procura tomar um analgésico, se persistente procura ajuda médica. A dor é útil, ela é o alarme que soa quando algo de anormal está acontecendo em nosso organismo. Assim, quando a relação do casal torna sexualmente pouco prazerosa é porque alguma coisa está errada. Esta é uma boa oportunidade para se repensar a relação. A ajuda profissional neste momento é extremamente importante, para o casal reorganizar suas relações, rever suas atitudes e valores e criar espaços para o fortalecimento da sexualidade.

A veiculação midiática da beleza exuberante desprezando outros valores da vida não tem feito bem a sexualidade. A visão apolínea das fantasias sexuais é focada sempre na beleza física, isto leva a frustração. As fantasias podem levar vidas enfadonhas em vivências dinâmica bem plausíveis. Em nossas fantasias somos diretores e atores, somos livres para viver os nossos papéis-sócio sexuais. A fantasia faz parte da terapia sexual, mas não representa uma fuga total da realidade.

O distanciamento social nesta pandemia coronavírus revelou muitos fatos interessantes. Os casais tiveram mais oportunidades para conversarem sobre as suas dificuldades, exporem seus sentimentos, ao contrário, brigaram mais. A violência doméstica aumentou, temperada pelas brigas das crianças, limitações de espaços há muito não experimentado no cotidiano. Continuaremos no próximo número desta publicação.

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