Revista Saúde Perss
CAPA
Laboratório Pedra Verde

ENTREVISTA
Dr. Marco Antônio Neves Iack
Farmacêutico Bioquímico
CRF-RJ 6597
Revista Saúde Perss

Dr. Frederico Cesário
Otorrinolaringologista
CRM 52 67317-0
Especialização em otorrinolaringologia na UNIRIO
fredericocesario@yahoo.com.br
SUA VOZ, SUA IDENTIDADE
As cordas vocais estão situadas no interior da laringe e se constituem de um tecido esticado com duas pregas. Quando falamos, fazendo com que vibrem, produzindo o som pelo qual ouvimos. As pregas (cordas) são fibras elásticas que se distendem ou se relaxam pela ação dos músculos da laringe com isso, modulando e modificando o som, permitindo todos os sons que produzimos enquanto falamos ou cantamos. Quando fazemos os nossos exercícios respiratórios em que o ar inspirado e expirado passa pela laringe e as pregas vocais e estando estas, neste momento relaxadas, não se produz qualquer som, pois o ar passa entre elas sem vibrar. Quando falamos ou cantamos, o cérebro envia mensagens pelos nervos até os músculos que controlam as cordas vocais que fazem a aproximação delas de modo que fique apenas um espaço estreito entre elas. Quando o diafragma e os músculos do tórax empurram o ar para fora dos pulmões, isso produz a vibração das cordas vocais e consequentemente, nasce o som. O controle da altura do som se faz aumentando-se ou diminuindo-se a tensão das cordas vocais.

A rouquidão é definida como qualquer mudança no caráter vocal. É uma patologia provocada por alterações da mucosa de qualquer das partes da laringe, sendo que as alterações nas cordas vocais é a que mais sintomatologia costuma dar e assume níveis de intensidade diferentes desde um grau leve a um grau severo. Se uma pessoa permanecer rouca por mais de 10 dias, mesmo que a intensidade diminua nesse período, deve ser considerado um sinal de alerta e um médico especialista deve ser consultado, no caso, o otorrinolaringologista para uma consulta e um exame visual das cordas vocais.

O exame laringoscópico é feito pelo especialista com aparelho específico para detectar qualquer edema (inchaço) ou irregularidade na superfície de revestimento (mucosa) das pregas vocais que geralmente leva a perturbação desse fenômeno físico. Quando há falta de clareza (limpidez) na emissão do som, é porque a rouquidão ou afazia (perda da voz) foi instalada.

As causas agudas mais comuns são: gripes, resfriados, esforços vocais intensos (por edema das pregas vocais), a angústia ou ansiedade (por atrapalhar o correto posicionamento das pregas vocais uma em relação à outra), tabagismo, sinusites, pneumonias, alcoolismo, refluxo gastroesofágico (por agressão crônica e edema das pregas vocais), problemas da tireóide, entre outros. Alterações estruturais mínimas (defeitos no relevo das pregas vocais) podem levar à rouquidão crônica desde a infância ou após esforços vocais, tanto que os professores representam um dos grupos mais frequentemente acometido por alterações vocais, sob a pena do surgimento de sintomas disfônicos, prejudiciais ao prosseguimento do magistério.

A rouquidão pode aparecer acompanhada de dores ao engolir ou com uma tosse seca. Durante o ano, a rouquidão pode ser sentida, sobretudo, no inverno devido, ao maior número de infecções, mas também, no outono, primavera ou verão.

O auxílio da terapia da fala com profissionais da fonoaudiologia é muitas das vezes necessário e importante. Nesta terapia, o paciente aprende como usar a fala de maneira mais equilibrada e adequada. O tratamento varia em função de tudo aquilo que resultou o processo da rouquidão, principalmente, para os profissionais da fala, que são: os professores, oradores, cantores, radialistas, apresentadores, etc.

Tratamentos caseiros ou orientados por leigos, podem ser perigosos, uma vez que retardam o tratamento, trazendo sérias consequências para o  prognóstico. Às vezes, não se faz necessário o uso de antibióticos, quando se suspeita-se de que a infecção é viral, mas outras vezes, se faz necessário o uso do antibiótico especifico para cada caso, sendo importante analisar caso a caso.

          A orientação, também é muito importante e se faz necessário ter alguns cuidados especiais, além da medicação proposta, como por exemplo: evitar bebidas alcoólicas, não fazer uso do cigarro, moderar o uso de cafeína, ingerir bastante líquido, água de preferência, várias vezes ao dia, evitar falar muito alto ou até mesmo gritar, e ao mesmo tempo, também não sussurrar. Falar apenas moderadamente para não cansar as cordas vocais e a laringe como um todo. É importante reforçar para que não se faça uso de automedicação, preserve a sua voz, pois ela também é sua identidade. 

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