Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dayane da Silva Alves
Fonoaudióloga
CRFa 1-15314
Revista Saúde Perss

Dr. Evaldo Luís Cretton Ribeiro
Geriatria e P. Ortomolecular
CRM 52 53436-1
Título de especialista em clínica médica SBCM
Especialização em geriatria e gerontologia pela UFF
evaldocribeiro@gmail.com
O IDOSO QUE CAI
As estatísticas americanas (neste assunto, não há estatísticas confiáveis em nosso país), mostram que indivíduos com mais de 65 anos de idade e cerca da metade dos idosos maiores de 80 anos caem, a cada ano. A maioria (60%) que já caiu uma vez cairá novamente. Nem sempre, mas na metade dos casos das quedas ocorre algum tipo de lesão. As lesões mais graves incluem traumatismo do quadril, crânio e coluna vertebral. As estatísticas também mostram que, apesar de terem a mesma tendência em cair, as mulheres sofrem mais lesões do que os homens. Também, é conhecido que os idosos que sofrem lesões relacionadas às quedas, têm uma tendência maior à deterioração de sua saúde geral.

Em relação às fraturas decorrentes de quedas, as do quadril (fêmur), são muito comuns e mais de 90% dessas fraturas são causadas por quedas sendo que, metade destes pacientes não consegue voltar à vida independente que tinham anteriormente o que em muito contribui para o adoecimento posterior dos mesmos.

Neste contexto, é extremamente importante observar a marcha (como a pessoa está andando) do idoso e se o mesmo tem desequilíbrio quando permanece na postura ereta. Se o idoso precisar se apoiar para levantar de uma cadeira, se ele leva mais do que 15 segundos para se levantar de uma cadeira, percorrer 3 metros, retornar e se sentar ou se ele tem queixas ou se o acompanhante observa desequilíbrio, é sinal de alerta que ele está predisposto a quedas.

Os fatores que mais influenciam as chances de um idoso cair são: (1) queda anterior; (2) fraqueza muscular; (3) dificuldade para deambular e para manter-se equilibrado e, (4) uso de medicação que pode interferir na marcha e equilíbrio, principalmente os remédios que atuam no cérebro (psicotrópicos). Outros fatores de risco que contribuem para as quedas nos idosos são: artrose, deficiência visual, depressão, dor, obesidade mórbida, tontura, doença de Parkinson, AVC prévio, hidrocefalia, doenças cardíacas e respiratórias. Todos estes fatores, exceto a ocorrência de queda anterior, são potencialmente modificáveis.

Assim, como num acidente aéreo, numa ocorrência drástica para um indivíduo como uma queda, vários fatores interagem para que a mesma possa ocorrer, já que o nosso organismo dispõe de diversos mecanismos para nos manter na posição ereta.

O que ocorre é que, quando um fator novo alcança um organismo já debilitado por outros problemas de saúde, este organismo não consegue compensar o desafio imposto e a consequência final é a queda. Como exemplo, podemos citar o caso de um objeto qualquer que atravesse repentinamente na frente de um idoso em deambulação, que já tenha uma disfunção vestibular (desequilíbrio). Muitas vezes, o idoso não consegue se equilibrar (com seus reflexos já lentificados pela idade e por diversas patologias) e o mesmo sofre uma queda.

Em muitos casos, as causas ou os fatores precipitantes das quedas não são tão evidentes. Por isso, é muito importante que o profissional de saúde pergunte sobre os instantes que antecedem e sucedem as quedas, pois sintomas e sinais como tonteira, palidez, náuseas e vômitos, desequilíbrio postural, perda da consciência, palpitações, entre outros, são fundamentais para o médico assistente descobrir a etiologia (causa) da queda.

Apesar de não ser relatado espontaneamente (na maioria dos casos), o consumo de álcool entre os idosos vem aumentando e deve ser criteriosamente questionado naqueles que caem com frequência.

As causas e/ou os fatores precipitantes das quedas nos idosos ultrapassam as desordens do próprio corpo. Assim, de extrema importância é a avaliação do calçado e do ambiente em que ocorrem as quedas. Calçados mal ajustados, escorregadios, grandes, ou sem fixação adequada (desamarrados ou levemente amarrados), são causas comuns de quedas. Outro detalhe importante é que a biqueira do calçado deve ser profunda o suficiente para permitir a movimentação dos artelhos (dedos dos pés) e a região do calcanhar deve ter uma base larga para ser mais estável e, não menos importante, a altura não deve ultrapassar 4cm.

O ambiente em que o idoso deambula deve ser observado muito cuidadosamente já que, tapetes, degraus e iluminação precária são outros fatores importantes que predispõem às quedas. Daí, a importância da instalação de corrimão e barras de apoio no caminho do quarto para o banheiro, próximo ao vaso sanitário e no box.

Deve-se ficar atento para a saúde geral do idoso, pois mesmo naqueles casos onde existam vários os fatores de risco para quedas, como já relatado, a queda atual pode ser sinal de alguma outra condição mórbida subjacente, como infecção urinária ou pneumonia, o que leva muitos idosos ao serviço de emergência, mesmo antes do geriatra ficar ciente do ocorrido.

Para finalizar, é muito importante destacar que no idoso que teve uma queda acompanhada de perda da consciência, pode haver uma doença cardíaca ou neurológica ainda não detectada e o mesmo deve ser, o quanto antes, levado ao geriatra que o acompanha para que seja feito um exame clínico e, caso necessário, a solicitação de exames complementares mais complexos para se chegar a um diagnóstico etiológico (da causa) da queda.

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