Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dayane da Silva Alves
Fonoaudióloga
CRFa 1-15314
Revista Saúde Perss


Dr. Walid Ibrahim Khenaifes
Urologista
CRM 52 24727-6
Formado pela FMC
walidkhenaifes@hotmail.com
REMÉDIOS QUE AFETAM O DESEMPENHO SEXUAL
Como médicos, independentemente da nossa especialidade, ao receitarmos um remédio para um paciente ou tomarmos conhecimento da medicação que o mesmo faz uso no dia a dia, é fundamental que ela produza o efeito que desejamos, sem modificar o seu bem-estar.

Em alguns casos, certos efeitos colaterais como: a baixa de desejo sexual (libido), podem dificultar o seguimento do tratamento. Certos pacientes chegam mesmo a abandonar seus comprimidos, colocando em risco a própria vida. Não devemos, por impulso, interromper o que foi inicialmente receitado sem antes consultar o médico responsável.

Cerca de 25% dos casos de impotência sexual, são devidos aos efeitos colaterais de determinados remédios. Da mesma forma muitas doenças podem afetar a vida sexual, tornando-se difícil estabelecer se a causa é devida ao uso destes medicamentos ou da própria doença do paciente.

Os anti-hipertensivos (remédios usados para controlar a pressão alta)

A família dos betabloqueadores, como: (Inderal, Propranolol, Atenolol, Carvedilol, Metoprolol, Bisoprolol), tornam a frequência cardíaca mais lenta e ajudam o coração a funcionar melhor. Além de poder levar a disfunção erétil, este grupo de remédios pode também prejudicar as 3 fases do ato sexual (desejo, excitação e orgasmo).

O Propanolol tem uma ação negativa maior sobre a função sexual que o restante da família. O tratamento da hipertensão arterial, com medicamentos do tipo inibidores da ECA (Enzima Conversora da Angiotensina) como: Captropil, Enalapril, Cilazapril, tem baixa associação com disfunções sexuais. Um interessante estudo recente demonstrou que o Losartana pode melhorar a função sexual.

Diuréticos

Eliminam o excesso de sal e água do organismo, usados como monoterapia, mais frequente juntos com outras medicações anti-hipertensivas. Podem prejudicar a ereção, reduzindo a quantidade de sangue que circula para o pênis. Pacientes usando diuréticos tem uma chance de 2 a 6 vezes maior de ter uma disfunção sexual que uma outra pessoa qualquer.

Impotência sexual ocorre em até 32% dos pacientes sob uso de diuréticos do tipo Tiazídicos, como a Hidroclorotiazida (Clorana, Drenol, Moduretic) e especialmente a Clortalidona (Higroton, Tenoretic, Ablok plus).

Medicações para a depressão e tranquilizantes

Episódios de depressão são frequentes acompanhados de uma baixa da libido (desejo sexual). Em homens com depressão grave, os problemas de ereção estão em 90% dos casos. Além disso, está comprovado que dificuldades de ereção podem favorecer o aparecimento da depressão.

Estas duas condições estão, portanto, intimamente ligadas, a tal ponto que disfunção erétil. Hoje é considerada parte do ciclo vicioso da própria depressão. Certos antidepressivos são responsáveis por problemas sexuais variados, como: a diminuição do desejo sexual, problemas na ereção e na ejaculação.

Os mais implicados são os antidepressivos tricíclicos, como: a Imprimina (Tofranil) e a Amitriptilina (Tryptanol). A Clomipramina reduz a sensibilidade genital, causando retardo na ejaculação. Medicações que aumentam a serotonina, como: Fluoxetina, Sertralina, Paroxetina, Escitalopram, Citalopram, tem efeitos maiores sobre a ejaculação, causando retardo sem influência maior sobre a função erétil e libido, quando usados por curtos períodos.

A Fluvoxamina (Luvox) seria o antidepressivo de escolha quando se deseja evitar o efeito colateral de ejaculações mais demoradas. Os benzodiazepínicos, usados para o tratamento de ansiedade (ansiolíticos), como o Diazepam, Alprazolam, Lorazepam, Clonazepam, são responsáveis por problemas relacionados à perda do desejo sexual.

Tratar uma disfunção sexual devida aos efeitos colaterais de medicações pode ser uma tarefa difícil. Dependendo da medicação empregada e o tempo de uso, estes problemas podem regredir espontaneamente, com o tempo. Em algumas situações poderá ser possível uma mudança para uma medicação que cause menos efeitos negativos sobre a sexualidade. Por exemplo, trocar um diurético Tiazídico por um inibidor da ECA na hipertensão arterial.

Outras possíveis alternativas incluem a redução da dose ou mesmo usá-la distante da relação sexual. Desta forma, o médico deve sempre que possível, escolher uma medicação que não tenha um efeito conhecido e marcante sobre a função sexual, o que vai implicar uma qualidade de vida melhor ao paciente e uma continuação do tratamento proposto.

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