Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dayane da Silva Alves
Fonoaudióloga
CRFa 1-15314
Revista Saúde Perss

Bia Pinheiro
Psicologia
CRP 05/60928
Formada em Psicologia Clínica pela Faculdade São Camilo/ES
biapinheiropsicologa@gmail.com
PSICOTERAPIA TAMBÉM SIGNIFICA CONVERSAR COM O CORPO
“Penso, logo existo”, essa frase emblemática de René Descartes, filósofo do século XVI, nos diz muito sobre a cultura vigente e as concepções sobre a constituição de sujeitos desde então.

A compreensão do pensamento e do intelecto como único formador da subjetividade humana é um modo dualista e perigoso de se tratar a constituição do sujeito. Dualista, pois explica que o pensamento é a única característica necessária para se existir no mundo, perigosa, porque esta explicação é simplista visto a complexidade do ser humano que não pode ser reduzida à uma função cognitiva única.

Esta afirmação ao qual baseio o meu texto em crítica, é uma porta aberta para que esqueçamos as outras funções e expressões subjetivas, como a percepção corporal, por exemplo. As instâncias intrapsíquicas não são base formadora da existência. Os diversos fatores aos quais pendula a subjetividade humana, nesse sentido, pode ser um tema amplo, mas vamos nos alinhar e falar da constituição da subjetividade acerca do corpo.

Muitas vezes, nos esquecemos que o corpo também faz parte da base que constitui essa subjetividade. O que quer dizer que por conta do sistema cartesiano de pensamento somos levados sempre a deixar de lado as intuições, as percepções corpóreas e tudo o que não é da ordem da racionalidade para nos ater ao que “realmente importa”. Mas o que importa para quem? Onde se quer chegar com todo esse automatismo das formas de vida que estamos propagando e reproduzindo? A consequência disso tudo, de não se perceber como um ser que possui um corpo que precisa ser cuidado são danosas à psique e ao corpo físico, pois muitas doenças e sofrimentos começam a se manifestar no corpo.

Não quero com isso dizer que a psique e o intelecto devem ser deixados de lado, pelo contrário, as terapias corporais integram mente e corpo, dizendo serem os dois constituições que são complementares, ou seja, não se dissociam, não há separação entre mente e corpo. E não se pode cuidar da mente sem que se cuide do corpo.

Desde tempos remotos e imemoriáveis da existência do indivíduo é comum que se cortem os laços de sentimentos e de emoções, e que se doutrine o sujeito em formação para o anestesiamento, e o que sobra no fim são marcas profundas e dolorosas. O não saber sentir. Um corpo induzido a uma anestesia emocional, quando se depara com uma emoção que requer expressão toma isso como anormal ou não saudável. Para um corpo e mente anestesiados, qualquer sentimento ou emoção é visto como demais, como doença ou sofrimento que precisa logo ser eliminado.

A lembrança de que temos um corpo vem através da dor e do sofrimento, mas ele não é constituído só de dores e sofrimentos, ele também é sinônimo de prazer, de bons afetos, bem-estar, é onde nos habitamos durante nossa existência; o corpo é encontro e podemos ter bons encontros durante a vida.

Para um corpo vivo diferente de um corpo anestesiado, o que se expressa e o que se sente é visto como energia vital, e não, como sofrimento. Para que essa energia de vida flua constantemente é necessário um olhar atento ao corpo e às emoções que foram tolhidas. Um bom exercício é a respiração aliados ao grounding, (conceito e técnica estudado por um Psicólogo estadunidense que desenvolveu um tipo de terapia chamada Análise Bioenergética), estes exercícios são fundamentais para que se exerça a autopercepção, afim de que o sujeito se conecte novamente com seu eu verdadeiro.

Deixar o corpo de lado, agir no automático em detrimento de um pensamento racional lógico, deixou sequelas a serem reparadas em sociedades ocidentais e é na terapia Bioenergética que traz-se o corpo de volta como um aliado ao tratamento psicológico convencional baseado na livre associação, nas expressões corporais, nos fluxos energéticos. Não há pré-requisito para a análise, terapia ou psicoterapia, basta a vontade de se sentir vivo(a) e se dispor a olhar de frente as máscaras, amarras que fizeram parte da sua constituição. 

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