Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dayane da Silva Alves
Fonoaudióloga
CRFa 1-15314
Revista Saúde Perss

Dr. Guilherme Alcantara Cunha Lima
Clínica Médica e Endocrinologia
CRM 52 81756-2
Mestre em Endocrinologia pela UFRJ
gaclima@yahoo.com.br
OSTEOPOROSE: PREVENIR É MELHOR DO QUE REMEDIAR
       A osteoporose é uma doença silenciosa, caracterizada pela fragilidade do osso, que se torna progressivamente mais propenso a fratura, muitas vezes sendo a primeira manifestação desta moléstia. Esta doença é muito confundida com artrose (denominação médica: osteoartrite), que se caracteriza por desgaste das articulações, resultando em dor e deformidade articular. Porém, um osso frágil (poroso), que é a característica da osteoporose, não causa dor até que sofra fratura, fazendo com que muitas pessoas não saibam que tem a doença.

Mas qual é a importância de se diagnosticar e tratar adequadamente a osteoporose? Em primeiro lugar, conforme dito anteriormente, por não apresentar sintomatologia exuberante, esta doença é frequentemente subdiagnosticada, fazendo com que o diagnóstico muitas vezes seja tardio, numa fase em que o risco de complicações é maior. Mulheres com menopausa precoce, idosos e tabagistas estão sob maior risco, mas outras populações também podem ser afetadas.

Além disto, estudos clínicos destacaram que após 1 ano de fratura de fêmur em idosos, somente 1/3 deles retornaram às suas atividades prévias. A mortalidade após fratura de fêmur é elevada (cerca de 30% em 1 ano), e ocorre por infecções oportunistas, tromboembolia, anemia, dentre outras.

Outra complicação comum é a permanência de pacientes acamados, o que não só resulta em diminuição da qualidade de vida e do risco de complicações secundárias, como também resulta em aumento dos custos do serviço de saúde (dependência de terceiros, tratamento de doenças associadas, aposentadoria precoce), tornando a osteoporose um importante problema de saúde pública, com alto impacto socioeconômico.

Outro ponto importante é que pode ser secundária a outras patologias, ou seja, algumas importantes doenças ocultas podem gerar fragilidade óssea, e serem diagnosticadas a partir da investigação da causa da osteoporose. Destacamos alguns tipos de câncer (ex: mieloma múltiplo, tumor de pulmão e mama), doenças intestinais, renais, da tireóide e paratireoides, que podem ser a causa primária da osteoporose, e se adequadamente tratadas, resultar não só em melhora da qualidade óssea, como até em redução da mortalidade. Desta forma, a osteoporose pode ser um sinal de alguma doença oculta importante, permitindo o tratamento precoce e eficaz.

A prevenção de quedas é também muito importante e fácil de fazer. Medidas simples, tais como: utilizar sapatos com solado enrugado, retirar pequenos objetos (ex: brinquedos) e tapetes lisos do chão, iluminar bem o ambiente, subir e descer escadas segurando-se no corrimão e tomar cuidado com o piso molhado já resultam em importante redução do número de fraturas. Cuidados com excesso de medicamentos que possam resultar em sonolência, pressão baixa e hipoglicemia também é importante.

Obviamente, cada caso deve ser discutido de forma individualizada, e a suspensão de alguma medicação só deve ocorrer em consentimento com o médico assistente.

Ainda mais importante que o tratamento da osteoporose é a sua prevenção. Mudanças do estilo de vida, como a ingestão de produtos ricos em cálcio (laticínios, folhas verdes), adequação do peso (tanto magreza quanto obesidade pioram a qualidade do osso), prática de exercício de resistência (ex: musculação, natação, hidroginástica) e equilíbrio (ex: pilates, fisioterapia), exposição ao sol (fonte de vitamina D) combate ao etilismo e tabagismo também são eficazes e acessíveis, sendo considerados peças importantes no combate à osteoporose.

Por fim, o diagnóstico é facilmente obtido através da realização de densitometria óssea, um exame amplamente disponível em clínicas e hospitais, sendo um exame complementar rápido, seguro e indolor. Vale ressaltar que existem critérios de indicação para a realização do exame, tais como: idade, fatores de risco e condições suspeitas, não devendo ser realizado na população de forma indiscriminada. A necessidade de tratamento medicamentoso complementar, bem como a avaliação da eficácia do tratamento, obedece aos achados evolutivos da densitometria, que guia o sucesso da terapêutica.

Por não ter quadro clínico exuberante, a suspeita clínica diante da presença de fatores de risco é de extrema relevância, visando o diagnóstico e tratamento precoces. Ainda mais importante, medidas preventivas muitas vezes simples são capazes de diminuir a incidência da doença e melhorar a resposta ao tratamento. Converse com o seu médico e saiba como cuidar melhor de sua saúde óssea.

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