Revista Saúde Perss
CAPA
Espaço Viver Bem

ENTREVISTA
Dr. Paulo Roberto Hirano
Gastroenterologia e Hepatologia
CRM 52 242474
& Equipe Multidisciplinar
Revista Saúde Perss

Dr. Guilherme Alcantara Cunha Lima
Clínica Médica e Endocrinologia
CRM 52 81756-2
Mestre em Endocrinologia pela UFRJ
gaclima@yahoo.com.br
DIABETES GESTACIONAL: O QUE PRECISO SABER?
         O diabetes gestacional é definido como a alteração da glicemia detectada primariamente durante a gravidez. Ela pode ser reversível, com a normalização da glicemia após o parto, ou mesmo representar o diagnóstico definitivo de diabetes (ex: tipo 1 ou tipo 2), detectado durante a gestação, requerendo tratamento continuado por toda a vida. Mesmo o diabetes reversível após o parto resulta em risco aumentado de complicações materno-fetais, bem como do desenvolvimento de diabetes futuro, devendo portanto, ser tratado.

         A importância do adequado diagnóstico e tratamento do diabetes gestacional se dá por uma série de motivos: gestantes diabéticas apresentam risco aumentado de hipertensão, obesidade e diabetes futuro. Aumento do risco de complicações obstétricas também é descrito (perda fetal ou parto prematuro, recém-nascidos grandes para a idade gestacional, sofrimento fetal agudo). Filhos de gestantes diabéticas apresentam risco aumentado de traumas osteomusculares durante o trabalho de parto, hipoglicemia e icterícia no pós-parto imediato, retardo de desenvolvimento motor e intelectual na infância e aumento do risco de obesidade e diabetes quando adultos.
 
         Gestantes com idade maior que 35 anos, de baixa estatura, obesas ou hipertensas prévias, com ganho de peso acentuado durante a gravidez, com histórico pessoal de diabetes em gestação prévia ou história familiar de diabetes, apresentam risco aumentado de diabetes gestacional. Isto não afasta a necessidade de rastreio universal desta condição em todas as gestantes, independentemente da presença ou não de fatores de risco, visto que a elevação da glicemia nesta época da vida é em sua maioria assintomática, e que a prevalência de diabetes gestacional é muito elevada, alcançando 17% de todas as gestações avaliadas pelos critérios diagnósticos atuais.
 
         Desta forma, todas as gestantes devem ser submetidas a avaliação da glicose sanguínea já no início da gestação. Neste momento da gravidez, a glicemia plasmática se encontra geralmente mais baixa do que em não gestantes de mesma idade. Assim sendo, glicemia elevada nesta ocasião pode evidenciar um diabetes prévio, não diagnosticado até então. Este diagnóstico é de suma importância, pois além do aumento do risco das complicações materno-fetais já destacadas, filhos de gestantes com diabetes prévio descompensado apresentam risco aumentado de malformações, e suas mães podem ter aceleração das complicações diabéticas prévias, sobretudo a retinopatia, incluindo risco aumentado de cegueira.
 
         Por outro lado, glicemia plasmática normal no primeiro exame pré-natal não descarta o diabetes gestacional, visto que os hormônios placentários resultam em elevação lentamente progressiva da glicemia plasmática ao longo da gestação. Desta forma, todas as gestantes que tiveram glicemia normal no rastreio inicial devem ser submetidas a um teste adicional (TOTG 75g) entre 24-28 semanas de gestação. Nesta ocasião, colhe-se sangue em jejum para avaliar a glicose antes, 1 e 2 horas após a ingestão de líquido rico em carboidratos. A presença de apenas 1 único valor alterado nesta ocasião já diagnostica diabetes gestacional, requerendo o adequado tratamento.
 
         O pilar da prevenção e tratamento do diabetes gestacional é a mudança dos hábitos de vida. Adequar a dieta é fundamental, reduzindo a ingestão de carboidratos refinados, massas, açúcar e bebidas adoçadas em detrimento da ingestão aumentada de alimentos de menor índice glicêmico. Acompanhamento nutricional especializado é muitas vezes necessário. A prática de atividades físicas na gestação também é recomendada, caso não haja contraindicações obstétricas. Nesta época, cuidados específicos podem ser necessários, visando reduzir o risco de traumas abdominais e esforço extenuante, mas várias modalidades esportivas podem ser estimuladas.
 
         Mudança do estilo de vida é eficaz no tratamento da maioria das gestantes diagnosticadas com diabetes gestacional transitório. Na ausência de controle adequado da glicemia após no máximo 2 semanas de dieta e exercícios, a necessidade de terapia medicamentosa se impõe. Nos dias atuais, a insulina permanece como terapêutica de escolha nestas ocasiões. Medicamentos orais (principalmente metformina) vem sendo estudados em gestantes diabéticas, com resultados promissores em sua maioria, sendo utilizada com algumas restrições na gestação. Seu uso portanto, deve ser de forma individualizada, ponderando-se os prós e contras de sua prescrição.
 
         Gravidez planejada minimiza o risco de diabetes gestacional. Controlar o peso, adequar a dieta e praticar esportes antes da gestação reduzem a chance de disglicemias futuras. Fazer um acompanhamento pré-natal adequado, seguindo as recomendações profissionais é fundamental na redução de desfechos materno-fetais desfavoráveis. Se necessário, o tratamento específico deve ser implementado o quanto antes e nunca negligenciado. Desta forma, o risco de complicações para a mãe e o feto certamente se reduzirão de forma significativa.

Compartilhe

Fale Conosco

Para conhecer mais sobre a nossa revista, enviar dúvidas, sugestões ou comentários você só precisa preencher os campos do formulário abaixo.