Revista Saúde Perss
CAPA
Espaço Viver Bem

ENTREVISTA
Dr. Paulo Roberto Hirano
Gastroenterologia e Hepatologia
CRM 52 242474
& Equipe Multidisciplinar
Revista Saúde Perss

Bruna Telles Fiuza
Psicóloga
CRP 05/52042
Diplomada pela Universidade Federal Fluminense
brunatf@id.uff.br
VAMOS FALAR SOBRE DEPRESSÃO
É preciso falar sobre depressão. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a OMS, o número de pessoas que sofrem com depressão subiu cerca de 18% em um intervalo de dez anos. Estima-se que até 2020 esta será a doença mais incapacitante no mundo. No Brasil, os números também são alarmantes. Para se ter uma ideia, o suicídio, uma das consequências de quadros depressivos, é considerado a terceira principal causa externa de morte. Outro fator agravante da situação é o fato de que em alguns casos a depressão ocorre em comorbidade com outros sintomas. O mais comum deles é a ansiedade.

O intuito aqui, portanto, é trazer não só a depressão para a luz da discussão, mas também, fazer um alerta. Depressão é grave e precisa de tratamento e pode levar à morte, pela via do suicídio ou pelo definhamento da pessoa que sofre com o sintoma. É claro que nem toda pessoa comete suicídio. Mas os casos de suicídio têm relação com pessoas que sofriam com depressão.
 
Assim, é natural que você se pergunte: “mas qual a origem da depressão”? Como identifico se tenho ou quais são os sinais (sintomas) que uma pessoa com depressão apresenta? E mais importante ainda, como tratar?
 
A medicina acredita que podem existir fatores genéticos envolvidos nos casos de depressão, uma vez que ocorre uma disfunção bioquímica do cérebro. A depressão está relacionada ao hipofuncionamento bioquímico da atividade de certos neurotransmissores, sendo que a noradrenalina, a dopamina, e a serotonina (5-hidroxitriptamina ou, simplesmente, 5-HT) merecem importante destaque. Dessa forma, o tratamento medicamentoso tem seu lugar de importância a fim de regular o funcionamento bioquímico cerebral e a atividade desses neurotransmissores. Entretanto, uma possível predisposição genética não é fator decisivo para ocorrência desse sintoma. O desenvolvimento de uma depressão tem mais a ver com a forma como cada pessoa lida com os momentos de crise. Assim sendo, a medicação (antidepressivo) funciona como um suporte, um ganho para o paciente transitar e caminhar com bem-estar. O tratamento adequado, consiste em aliar os psicofármacos prescritos pelo médico (psiquiatra) e o acompanhamento psicológico com um psicólogo.
 
Os sintomas apresentados pelo paciente, são bem variados. “Vamos falar sobre os mais recorrentes”. O que ocorre na depressão é um sentimento de tristeza profunda e contínua, diferente daquela tristeza passageira que às vezes sentimos e que tem uma causa clara. São comuns também sentimentos de desesperança e pessimismo. Mais do que o sentimento de tristeza, um sinal de que a pessoa sofre com depressão é o desinteresse e a perda do prazer. Deixa-se de sentir prazer pela vida e pelas coisas e atividades que antes eram prazerosas. A angústia está sempre presente, assim como, o sentimento de culpa e a baixa autoestima. Também ocorrem alterações no sono e no apetite, para mais ou para menos. O convívio social também pode ficar prejudicado, uma vez que a pessoa se isola e se sente irritada facilmente. Nos casos mais graves, o depressivo mal sai da cama, não consegue ir trabalhar e perde o interesse total em viver. Daí se dizer que a depressão será a doença mais incapacitante.
 
É importante lembrar que embora exista um conjunto de sintomas comuns à depressão em geral, cada depressão é uma, na medida em que cada sujeito também é um, e seu sintoma reflete sua singularidade.
 
Para a psicanálise, linha teórica com a qual atuo clinicamente, a depressão é um sintoma que denuncia a internalização, por parte do paciente, de um objeto de amor perdido. Isto quer dizer que a depressão que acomete o sujeito do mundo pós-moderno pode ser traduzida como uma expressão simbólica de um conflito intrapsíquico, relacionado aos traumas causados pelas frustrações afetivas, pelo medo do abandono e pelas experiências dolorosas de perda e de falta.
 
Por isso, quando falamos sobre um sintoma como depressão, falamos em remissão e não em cura. Para o entendimento clínico psicanalítico, depressão tem a ver como uma forma de reação a um sofrimento interno. Isso significa que uma pessoa pode passar por altos e baixos, que oscilam entre episódios depressivos e de humor normal. Por outro lado, não necessariamente é assim, uma determinada pessoa pode passar por uma depressão e não ter reincidência. O importante aqui é deixar clara a necessidade de procurar ajuda. Depressão tem tratamento.

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