Revista Saúde Perss
CAPA / ENTREVISTA
Dr. Vinícius Alcantara Cunha Lima
Ortodontista
CRO-RJ 31 162

Revista Saúde Perss

Dra. Fernanda Eni F. Ribeiro
Médica Veterinária
CRMV 12 293
Fornada pela UENF
fernandaeni@hotmail.com
ERLIQUIOSE CANINA
Alguns tutores não dão muita importância quando o cão está parasitado por carrapatos porque acreditam que, na pior das hipóteses, o pet poderá ter apenas uma reação alérgica e passar a se coçar. Mas eles estão muito enganados...

Muito conhecida como doença do carrapato, a erliquiose é uma doença infecciosa transmitida pela picada do carrapato contaminado pela riquetsia (bactéria) erlichia sp., sendo a erlichia canis a que mais comumente afeta os cães. 

A transmissão se dá pela picada do carrapato canino marrom comum (rhipicephalus sanguineus) que funciona tanto como vetor como reservatório da enfermidade. Outra maneira de transmissão, está bem menos comum, é por meio da transfusão sanguínea, pelo sangue infectado de um cão para outro sadio.

Após a picada pelo carrapato infectado (bastando apenas 1 único ectoparasita para transmitir a bactéria), o período de incubação gira em torno de 7 a 21 dias. Os sinais clínicos são variáveis e os proprietários mais desatentos podem não perceber o início da doença.

Na fase aguda da enfermidade, ocorre destruição de hemácias e plaquetas, o que causa anemia e trombocitopenia. Devido à rápida multiplicação do agente no sangue e a vasculite generalizada que a acompanha, há grande variedade de sintomas, como: febre, perda de apetite, dispneia, manchas avermelhadas na pele (petéquias e equimoses), sinais oftálmicos (uveíte), sinais neurológicos (convulsões, incoordenação), poliartrite, entre outros. Na fase crônica, o animal tem os mesmos sinais da fase aguda porém atenuados, encontrando-se apático, caquético e com susceptibilidade aumentada a infecções secundárias.

A severidade da doença vai depender da suscetibilidade racial, idade do animal, alimentação, de doenças concomitantes e da virulência da cepa infectante. Acredita-se que a doença seja mais grave nos cães das raças Doberman, Pinscher e Pastor Alemão. Os cães da raça Pastor Alemão, com erliquiose, apresentam distúrbios hemorrágicos graves e, está suscetibilidade racial é devido à depressão da imunidade mediada por células nessa raça. Vale ressaltar que esses cães apresentam maior gravidade clínica quando infectados, no entanto, não são mais predispostos a infecção.

O diagnóstico é feito tanto através dos sinais clínicos, como pelas alterações laboratoriais provocadas pela doença no hemograma, sendo a anemia e a trombocitopenia as mais evidentes. Muitas vezes, durante o exame de sangue, o patologista clínico veterinário visualiza o agente (as chamadas mórulas) no interior dos neutrófilos. O achado destas estruturas fecha o diagnóstico de maneira clara e definitiva, mas a não observância delas não descarta a enfermidade. Testes sorológicos específicos também podem ajudar na confirmação da doença.

O tratamento é feito pela administração de antibiótico específico, além de tratamento suporte que pode incluir transfusão sanguínea (em casos de anemia e trombocitopenia importantes), fluidoterapia, protetores gástricos e hepáticos, antitérmico e vitaminas. Não deixe de levar seu cão ao veterinário assim que notar os primeiros sinais da doença, pois quanto antes o diagnóstico for feito, mais chances seu animal tem de ser curado.
Vale ressaltar, que devido a inexistência de vacina contra esta enfermidade, a prevenção somente é realizada através do controle do carrapato. Por isso, não deixe de fazer em seu cão o controle carrapaticida mensal ou trimestral, conforme o medicamento escolhido. E periodicamente, dedetize os ambientes por onde o pet circula com produtos específicos para dar fim aos ectoparasitas. 

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