Revista Saúde Perss
CAPA / ENTREVISTA
Dr. Vinícius Alcantara Cunha Lima
Ortodontista
CRO-RJ 31 162

Revista Saúde Perss

Dr. Carlos Fabian Seixas de Oliveira
Médico-Oftalmologista
CRM 5270262-5
Diplomado pela FMC
Membro do CBO e SBO
carlosfabian@globomail.com
MEDICINA É VOCAÇÃO E NÃO PROFISSÃO
Minha amada mãe sempre me falou que desde os 7, 8 anos de idade eu já dizia que queria ser médico. Não sei porque isso acontecia, pois ninguém na minha família era ou é médico. Sou o primeiro. Formado há 19 anos, não me vejo fazendo outra coisa. Acredito que poder ajudar as pessoas a terem saúde usando de boas práticas científicas é uma dádiva de Deus. E no meu caso ajudar um paciente a ver o mundo melhor, não tem preço.

Porém, parece que hoje em dia a Medicina, infelizmente, tem preço sim.

As faculdades de Medicina são as mais caras do país, com valores de mensalidade que giram em torno de R$ 8.000,00 a R$ 10.000,00. Isso mesmo, leitor, você não leu errado. A cada ano são graduados aproximadamente 25.000 novos médicos no Brasil. Nos últimos 15 anos foram abertas, indiscriminadamente, uma centena de escolas médicas no país, fruto de uma política de “Mais Médicos”. São 291 faculdades, segundo dados da BBC news Brasil, caríssimas e de qualidade questionável. Que futuros médicos estão sendo formados nessas escolas? Estarão eles aptos a salvar vidas, diagnosticar e tratar doenças? O que vemos, na prática é um números grande de recém formados, sem condições de estarem formados. Infelizmente, as faculdades de Medicina são as grandes responsáveis por isso. O número de reprovações durante o curso de Medicina é baixíssimo, levando-se em conta que uma escola tem, em média, 100 alunos por turma. Quem chega ao 6º ano, conhecido como internato, tem a certeza de se formar, mesmo aqueles que pouco frequentam os estágios obrigatórios em cirurgia, clínica médica, ginecologia, obstetrícia e pediatria. E as faculdades fazem de conta que está tudo certo. E não está.

Os profissionais estão despreparados para o básico. Não conversam com seus pacientes, ato imprescindível para uma boa prática médica, onde até 90% do diagnóstico é feito. Isso mesmo, apenas com a anamnese já se tem uma suspeita do diagnóstico, sem necessidade de exames complexos, que devem ser usadas sim, mas com critérios. Não examinam, não colocam a mão. Preferem a alta tecnologia, que encarece o sistema público e privado.

Um outro fator é a precarização do trabalho médico. Os planos de saúde e o sistema público fingem que pagam e o médico finge que atende. Hospitais privados ficam abarrotados de pacientes, principalmente nas urgência e emergência, há médicos insuficientes para um bom atendimento, sobrecarregando àqueles que trabalham. Sobrecarregados, física e mentalmente atendem mal, diagnosticam mal e prescrevem mal, pondo em risco a minha saúde e a sua leitor. Assim também é no sistema público.

Qual a solução? Mais rigor durante os cursos médicos, aprovando os que se dedicam e reprovando quem merece; Fechamento das escolas médicas “caça-níqueis” mal avaliadas pelo MEC; Qualificação do corpo docente, que em muitas faculdades são médicos que fazem “bico” como professores.

Os jovens médicos merecem uma formação digna para que possam exercer essa nobre profissão com altivez. Sempre estamos dispostos a ajudar a quem precisa, seja um conhecido ou desconhecido, seja no hospital, consultório ou quando somos chamados para socorrer alguém mesmo quando estamos de folga. Na verdade, médico nunca tem folga, pois os imprevistos acontecem em qualquer lugar. E temos que estar preparados para salvarmos uma vida, independente de nossa especialidade. E sempre ter em mente que devemos atender àquele que nos procura como se fôssemos nosso pai, nossa mãe, nosso irmão ou nosso amigo. Dessa forma, nós médicos teremos amigos e não pacientes. A Medicina não é negócio, saúde não se vende. Ao contrário, se doa com a dedicação dos profissionais sem colocar em 1º. plano proventos ou favores, sempre em favor do paciente. Termino com uma frase de Galeno, proeminente médico da Roma antiga que deixou uma obra tão rica que é usada até hoje: “Cura melhor quem tem a confiança do paciente”.

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