Revista Saúde Perss
CAPA / ENTREVISTA
Dr. Vinícius Alcantara Cunha Lima
Ortodontista
CRO-RJ 31 162

Revista Saúde Perss

Arthur Soffiati
Professor de história e eco-historiador
Mestrado e doutorado na UFRJ
as-netto@uol.com.br
METANO, OXIGÊNIO, GÁS CARBÔNICO
Ainda existem cientistas que não aceitam as mudanças climáticas como oriundas de atividades humanas que liberam gases causadores do efeito-estufa. Eles ainda argumentam que o ser humano, mesmo agindo coletivamente, não tem poder para mudar o clima. Que o aquecimento deve decorrer de alguma hiperatividade do sol ou algo parecido. Que se trata de um fenômeno natural cíclico.

A maioria dos cientistas está de acordo que a atmosfera dos primórdios da Terra era pobre em oxigênio. Assim, não existiam organismos aeróbicos, ou seja, aqueles que dependem do oxigênio para existir. Nesses primórdios, as bactérias anaeróbicas, que sucumbem ao oxigênio, dominaram o planeta. Mas, como a radiação solar intensa podia matá-las, elas se alojaram em locais protegidos do sol, como cavernas e poças de lama profundas. Elas ainda existem e produzem gás metano.

Não havendo oxigênio naquele distante período, de onde ele veio? Ainda segundo os cientistas, bactérias aeróbicas, que fabricam oxigênio e absorvem gás carbônico, desenvolveram-se no fundo dos oceanos, onde a radiação solar não as alcançava. O oxigênio fabricado chegava à superfície dos mares, subia e começava a formar a atmosfera.

A produção de oxigênio foi tão grande que alcançou pontos perigosos de concentração. Lembremos que o oxigênio é um gás que alimenta o fogo. Mas aconteceu algo fundamental para a vida aeróbica: o encontro de oxigênio com a radiação solar quebra a molécula do gás, hoje representada pelos químicos como O2. Em contato com a radiação ultravioleta, três moléculas de oxigênio formam o ozônio, que filtra a radiação solar e favorece a expansão da vida.

Aos poucos, as bactérias aeróbicas foram subindo para a superfície dos mares e se complexificando em organismos pluricelulares. Assim, desenvolveram-se invertebrados aquáticos e peixes. Assim, uma ou mais espécie de peixe começou a desenvolver patas no lugar das barbatanas. Assim foi possível a vida terrestre na forma vegetal e animal, além de outras que não cabe analisar aqui.

Se “insignificantes” bactérias puderam fabricar oxigênio, gás indispensável para a vida aeróbica; se os vegetais puderam desenvolver um sistema de produção de oxigênio e de absorção do gás carbônico, por que nós, humanos, agindo coletivamente, não podemos mudar a atmosfera? Se os cientistas contassem apenas com o aumento progressivo das temperaturas médias do planeta, o que vem acontecendo desde meados de 1970, ainda seria cabível atribuir o fenômeno a causas naturais. Mas eles também estão detectando o acúmulo contínuo de gás carbônico. E esse gás não vem do sol ou de outro ponto do espaço. Vem da superfície da Terra.

Quais são as suas fontes? As queimadas de vegetação, a eructação do gado, a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, o carvão mineral e o gás natural, o acúmulo de esgoto e de lixo e a liberação de outros gases, como o metano, por exemplo.

O efeito mais perigoso é o espessamento da camada de gás carbônico na atmosfera. Este é outro fenômeno indispensável à vida aeróbica, sendo ao mesmo tempo muito perigoso para ela. Sem a camada de gás carbônico na atmosfera, o calor necessário à vida se dissiparia no espaço. O gás, no entanto, forma uma espécie de coberta protetora. Então, qual é problema? Se não podemos viver sem a camada de gás carbônico, o lançamento dele no espaço não nos causará danos.

Aí é que mora o perigo. Se um doente sente frio, colocamos sobre ele uma colcha ou um cobertor. Mas, se a pessoa não está doente e recebe um edredom sobre o lençol, o calor pode lhe ser nocivo. Estima-se que em 1750, antes da revolução industrial, a concentração de CO2 girava em torno de 280 PPM (partes por milhão). Ela já passou de 400 PPM. Segundo os cientistas, ela não pode exceder 400. Caso a temperatura média do planeta suba 2 graus célsius, a vida aeróbica correrá sérios riscos. Os ecossistemas vão mudar estruturalmente, muitas espécies vão se extinguir, a água doce vai escassear, os mares vão se aquecer e se expandir, os continentes vão se encolher, ocorrerão muitas oscilações climáticas, gerando falta de alimentos, e também, muitas doenças e mortes.

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