Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica Proteus

ENTREVISTA
Dr. Leonardo Bacelar
Clínica Médica e Psiquiatria Clínica
CRM 52 64691-1
Revista Saúde Perss
Arthur Soffiati
Professor de história e eco-historiador
Mestrado e doutorado na UFRJ
as-netto@uol.com.br
OBESIDADE
        Caminhando pelas ruas, lendo os jornais e vendo os telejornais, pode-se verificar a existência de uma legião de obesos nas cidades do Brasil e do mundo. Crianças, adultos, idosos, homens e mulheres estão com sobrepeso. A obesidade já foi declarada em vários países um problema de saúde pública. Basicamente, os alimentos inadequados e a falta de exercícios conduzem à obesidade. Esses alimentos são ricos em carbo-hidratos e gorduras. No caso específico do Brasil (em grande parte do mundo também), até mesmo quem é pobre e não tem poder aquisitivo para comprar alimentos saudáveis padece de obesidade.

        No paleolítico, o esforço para conseguir alimentos com a coleta, a pesca e a caça queimava o acúmulo de gordura ingerida. É bem verdade que a obesidade não era comum, embora a expectativa de vida fosse baixa. Era comum morrer em embates com inimigos e animais na disputa por território de caça. No neolítico, com a sedentarização proporcionada pela agricultura e o pastoreio, a ingestão de alimentos era compensada com o trabalho pesado no campo. A fixação de comunidades ao espaço acarretou mais doenças transmissíveis que obesidade. É que a vida sedentária acumulava lixo.

         As primeiras civilizações sofreram também com doenças transmissíveis devastadoras. Eram as pestes (epidemias) que matavam em massa. A obesidade não foi um problema sério. A fome sim. Ela matava mais que as doenças derivadas do sedentarismo. É na civilização ocidental globalizada que a obesidade vem acometendo as pessoas desde a infância. O alimento hoje não vem mais da coleta, pesca e caça praticadas por todos no passado. Ele é industrializado e adquirido nos supermercados. Trazem do campo os agrotóxicos e, no processo de beneficiamento, recebem ainda insumos químicos.

         Até os animais domésticos padecem de obesidade. Gatos e cachorros dispõem cada vez menos de quintais para naturalmente se exercitarem. Seus donos os levam a passear pelo menos uma vez por dia para que evacuem líquidos e sólidos. É pouco. Os gatos nem isso. Eles ficam nos apartamentos onde seus donos colocam para eles uma caixa de areia química, se tanto. Tornamo-nos sedentários em demasia e obrigamos nossos animais de estimação a um regime de vida antinatural.

         Pode-se acompanhar, inclusive, o drama dos animais para abate. O gado bovino é engordado propositalmente, seja com alimentos, seja com a castração. Eles também são criados em confinamento. Obesos, eles sofrem dos mesmos males que os humanos. Recentemente, veio à tona o caso das galinhas criadas em confinamento para o corte. Elas são privadas de movimento e exercício. Embora esteja proibido o uso de hormônios, as aves estão sendo modificadas geneticamente para o aumento de peso.

         Li recentemente um artigo sobre os problemas que o sobrepeso vem acarretando às aves de corte. Seu tamanho e peso estão exercendo pressão sobre sua estrutura óssea. Pernas e pés não suportam o corpo e desenvolvem doenças ósseas. Quem poderia imaginar que chegaríamos a esse ponto?

         Para todos os vivos, a obesidade provoca problemas de hipertensão, de colesterol alto e de diabetes, pelo menos. Crianças já precisam tomar medicamentos para controlar o mau colesterol. Adultos necessitam de medicamentos para o controle da hipertensão, colesterol e hiperglicemia.

         A indústria farmacêutica sempre aplaude os problemas de saúde pública por motivos óbvios. Ela ganha dinheiro com os problemas existentes e torce para que novos apareçam. Ela ganha também com pesquisas de novos produtos que possam ser vendidos em massa. Toda uma rede de exploração se forma. Até mesmo medicamentos veterinários são produzidos em larga escala.

Os planos de saúde também estavam exultando com o reconhecimento de problemas de saúde pública. Agora, no entanto, eles estão percebendo que estes problemas geram mais perdas que ganhos. Hipertensão, hiperglicemia e colesterol elevado levam milhares de pessoas a recorrerem aos planos de saúde que, agora, pensam em atendimento preventivo como se estivessem prestando um favor à sociedade.

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