Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica Proteus

ENTREVISTA
Dr. Leonardo Bacelar
Clínica Médica e Psiquiatria Clínica
CRM 52 64691-1
Revista Saúde Perss
Dr. Marco Antônio Neves Iack
Farmacêutico Bioquímico
CRF-RJ 6597
Formado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
marco.iack@labpedraverde.com.br
A GENÉTICA NA DIETA, NA PREVENÇÃO A DOENÇAS E NO SEXO DOS BEBÊS
E se fosse possível com um simples exame laboratorial ficarmos sabendo de nossa probabilidade de predisposição ao desenvolvimento de determinadas doenças, como: Alzheimer, síndrome de Down, fibrose cística, câncer e tantas outras? E se fosse possível determinar quais tipos de alimentos e quais exercícios são melhores, são mais indicados para cada indivíduo, para o seu processo de emagrecimento mais efetivo e mais rápido? E se o tratamento medicamentoso fosse personalizado para se obter o melhor efeito possível durante um tratamento? E se ainda no útero pudéssemos determinar qual o sexo do bebê, possíveis alterações cromossômicas, e até mesmo, fazer um teste de paternidade apenas com a coleta de uma amostra de sangue dos pais? A genética nos traz hoje todas estas possibilidades mencionadas. Tendo o direcionamento do que se deseja, as análises moleculares nos oferecem um leque de painéis e perfis para os mais variados fins.

A utilidade mais comum nos exames de genética, nos dias atuais, sem dúvida é para a pesquisa de “erros que podem ocorrer nos nossos genes”, as mutações, que podem se manifestar como doenças. Devo ressaltar que uma pesquisa genética deve ser precedida pelo aconselhamento de um especialista já que os mesmos são os mais capacitados para a interpretação de tais exames. Há muito mais do que somente pesquisas de doenças.

O teste de sexagem fetal, que determina o sexo dos bebês ainda na barriga da mãe, a partir da 8ª (oitava) semana de gestação, já é bem conhecido em nossa realidade e a realização deste é feita de forma rotineira nos melhores laboratórios. O teste de paternidade pré-natal chegou e não é necessário aguardar o nascimento da criança para determinar seu vínculo genético. Por meio de um teste não invasivo, que utiliza a fração do DNA livre do feto presente no sangue materno, a partir da 9ª (nona) semana de gestação com probabilidade de 99,9 % para a confirmação da paternidade e de 100% para exclusão da paternidade. Ambos os exames são realizados, sem nenhum tipo de contato, ou risco ao bebê.

E não para por aí, a nutrigenética estuda a relação entre os genes e a alimentação com o objetivo de melhorar o estado de saúde pela dieta. Através da análise nutrigenética é possível planejar uma nutrição personalizada em função das necessidades de cada indivíduo que permita um aporte de nutrientes necessários e, desta forma, obter um estado de saúde apropriado em função da sua base cromossômica. Uma dieta baseada na composição individual é 2 a 3 vezes mais efetiva do que uma dieta convencional. Com um laudo que pode surpreender o paciente pelo volume de detalhes e informações descritos, este exame já é prática rotineira nos consultórios dos melhores nutricionistas do Brasil.

Outro ponto que muito se discute hoje é a prática esportiva, fundamental para se ter uma boa qualidade de vida. Porém, nem todos os indivíduos respondem da mesma forma ao esporte. Já imaginou uma avaliação genética do desempenho esportivo? Isso se deve a variações pessoais que permitem personalizar o treinamento esportivo dependendo da genética individual. Segundo vários estudos, fatores genéticos contribuem entre 20 a 50% na variação individual de certas características relacionadas ao desempenho esportivo com 3 importantes categorias na prática física e esportiva: resposta ao treinamento aeróbico, resposta ao treinamento de força e hipertrofia e acúmulo de gordura corporal. Conhecer o perfil genético de marcadores associados a adaptação e reposta do corpo a diversas modalidades de atividade física/esportiva é uma importante ferramenta para auxiliar o profissional de educação física a delinear estratégias e treinamentos mais individualizados.

Por meio da farmacogenética (ou farmacogenômica) podemos identificar os fatores genéticos que explicam a variabilidade de cada indivíduo na resposta a um mesmo medicamento. As taxas de eficácia variam de 25% a 80% e somente cerca de um terço dos pacientes obtém os benefícios terapêuticos esperados, enquanto no restante, os efeitos desejados são abaixo do esperado ou é pouco tolerado pelo organismo. A análise genética do indivíduo nos dá a possibilidade de prever a resposta mediante a administração de um determinado fármaco onde além do ganho na eficácia, também diminuirá custos e auxiliará no desenvolvimento de novos princípios ativos com alto grau de personalização para um grupo de indivíduos.

Inúmeras são as pesquisas além das citadas: exame para estudo de múltiplas doenças, oncologia molecular, farmacogenética, intolerâncias alimentares, detecção de doenças genéticas raras, perfil cardiológico etc. Em nosso DNA (acido desoxirribonucleico) são armazenados incontáveis segredos (nossos) que ainda estão por serem descobertos. A ciência aliada à tecnologia caminha a passos largos.

A medicina personalizada e preventiva chegou e está ao nosso alcance.

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