Revista Saúde Perss
CAPA
Clínica Proteus

ENTREVISTA
Dr. Leonardo Bacelar
Clínica Médica e Psiquiatria Clínica
CRM 52 64691-1
Revista Saúde Perss
Dr. Guilherme Alcantara Cunha Lima
Clínica Médica e Endocrinologia
CRM 52 81756-2
Mestre em Endocrinologia pela UFRJ
gaclima@yahoo.com.br
TERAPIA HORMONAL DA MENOPAUSA: USAR OU NÃO?
        A menopausa é popularmente conhecida como o período da cessação das menstruações, que ocorre nas mulheres por volta dos 50 anos de idade, e representa a incapacidade dos ovários em manter a produção fisiológica dos seus hormônios (estrogênio e progesterona), dando início a fase não reprodutiva da mulher (impossibilidade de gerar filhos), conhecida como climatério.

        O declínio da produção dos hormônios femininos pode resultar em uma diversidade de sintomas, tais como: alterações do humor e sono, diminuição da vontade sexual, fogachos (ondas repentinas de calor), atrofia vaginal, aumentando o risco de infecções urinárias e dor durante a relação, perda de massa muscular e fragilidade óssea, predispondo ao risco de osteoporose. A gravidade dos sintomas é variável, podendo ser desde leve a causar sintomatologias que limitam o dia a dia das mulheres.

         Desta forma, a terapia de reposição hormonal surgiu como interessante opção nestas pacientes, por proporcionar importante melhora dos sintomas, sobretudo os vasomotores (fogachos) e os de ordem sexual, bem como promover melhora da sensação de bem estar e da memória, prevenção de fraturas osteoporóticas, aumento da força muscular e diminuição do risco de doenças cardiovasculares.

         Muito popular no século passado, a terapia hormonal da menopausa foi posta em xeque após uma importante publicação sugerir que a reposição hormonal poderia aumentar o risco de câncer de mama, gerando uma sensação de insegurança por usuárias desta terapia.

Vale ressaltar que esta publicação avaliou mulheres com média de idade mais avançada, utilizando doses maiores de hormônios, que tinham estrutura parecida, mas não idêntica aos hormônios produzidos pela mulher em idade fértil. Nos dias atuais, a terapia é prescrita com doses menores de hormônios idênticos aos produzidos pela mulher em idade fértil, preferencialmente, na fase precoce do climatério, e por tempo determinado, minimizando os efeitos colaterais da reposição hormonal.

         A importância daquela publicação se deu pela necessidade do conceito de individualização do tratamento. Nem todas as mulheres são candidatas à terapia de reposição hormonal. Novos estudos demonstraram segurança e eficácia destes hormônios quando prescritos para pacientes sem contraindicação, dentro da chamada janela de oportunidade (período de até 10 anos do início da menopausa), por tempo determinado (geralmente por até 5-10 anos), e na via de administração mais indicada (algumas pacientes se beneficiam mais com a via tópica e em outras, a via oral é preferencial). 

         Desta forma, pacientes candidatas a terapia devem ser avaliadas previamente através de minuciosa história clínica e exame físico, sendo devidamente informadas sobre o risco x benefício da reposição. Também devem previamente e periodicamente fazer exames radiológicos (mamografia e/ou ultrassonografia de mamas, ultrassonografia transvaginal, exames de sangue e densitometria óssea), estando à terapia hormonal somente indicada para pacientes que preencham critérios de indicação, em situações onde os benefícios são evidentes e os riscos são mínimos.

Pacientes com histórico pessoal ou forte histórico familiar de câncer de mama, endométrio ou ovário, histórico pessoal de tromboembolismo e sangramento uterino não diagnosticado são contraindicações absolutas da terapia. Em outras situações, como: obesidade, tabagismo, hipertensão grave, varizes de grosso calibre e idade avançada, a avaliação do risco x benefício deve ser sempre considerada. A reposição é segura se prescrita de forma correta, para paciente adequadamente selecionados.

         Independentemente da reposição hormonal, uma dieta equilibrada, associada à prática frequente de exercícios físicos, além da cessação do etilismo e tabagismo, são medidas essenciais para prevenir ou minimizar os sintomas do climatério.

         Se você se encontra nesta fase da vida e possui sintomas que atrapalham as suas atividades diárias, converse com seu médico. Somente através da avaliação individual é que será decidido em conjunto se você é ou não candidata a terapia hormonal da menopausa. Porém, lembre-se que modificações no seu estilo de vida (dieta e prática de exercícios) são muito úteis na melhora da sua qualidade de vida e dos sintomas climatéricos.

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