Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Marco Antônio Neves Iack
Farmacêutico Bioquímico
CRF-RJ 6597
Revista Saúde Perss
Dr. Renato F. da Gama
Médico neurologista
CRM 52 60730-1
renatofgama@gmail.com
ABORDAGEM DA ENXAQUECA PELA MEDICINA INTEGRATIVA
         Para a medicina alopática ocidental, que é a que se aprende nas faculdades de medicina, a enxaqueca é uma doença de origem multifatorial, na qual participam predisposição genética e influências ambientais. O diagnóstico é predominantemente clínico, embora os exames de neuroimagem possam ser úteis para afastar causas estruturais como: tumores e anormalidades vasculares. O tratamento pode ser direcionado somente à interrupção das crises ou à prevenção de sua ocorrência. Neste segundo caso, frequentemente são usados fármacos antiepiléticos, bloqueadores de adrenalina, antidepressivos tricíclicos ou inibidores da recaptação de serotonina, além de medicamentos úteis no tratamento das disfunções labirínticas. Apesar dos amplos benefícios da medicina ocidental na prevenção das crises de enxaqueca, alguns pacientes não obtêm uma melhora satisfatória e outros tantos relatam alteração no peso corporal, redução da libido, sonolência e hepatite medicamentosa, sendo potenciais candidatos ao uso de estratégias advindas da naturopatia e de formas terapêuticas ancestrais, que aplicam racionalidades distintas do método clínico baseado no pressuposto científico. O objetivo deste texto é apresentar as perspectivas de tratamento preventivos das crises utilizando técnicas não-alopáticas.

         A primeira possibilidade é a reposição de magnésio. Em 2011 pesquisadores da Universidade de Adelaide reuniram informações que permitiram uma melhor compreensão sobre como este mineral influencia na neurotransmissão dos estímulos dolorosos. Bem tolerado e com poucos efeitos adversos o uso de magnésio contribui para melhoria de várias funções corporais, por exemplo, induzindo ao melhor funcionamento intestinal de pessoas com prisão de ventre, visto que atrai moléculas de água ao bolo fecal, o que facilita sua eliminação.

         D´Andrea e outros colaboradores italianos publicaram em 2014 um estudo bastante interessante sobre a utilidade de ervas medicinais úteis na prevenção de crises migranosas. Dentre estas está descrita o tanacetum parthenium, conhecida no Brasil como matricária. A utilização desta erva pode ser feita com o produto in natura, ou por seu extrato, disponível em farmácias de manipulação.

         A vitamina B2, conhecida como riboflavina foi estudada por pesquisadores do Oriente Médio, os quais produziram uma revisão a respeito de seus benefícios aos enxaquecosos. Após selecionar onze artigos relevantes sobre o tema, concluíram que a utilização de doses superiores às necessárias ao funcionamento orgânico habitual são seguras e bem toleradas, embora ainda sejam necessários estudos complementares para considerar esta substância como um tratamento isolado de primeira linha.

         Em 2015 a conceituada revista Headache publicou um estudo de Arnaldo Neves da Silva, pesquisador do tratamento da enxaqueca por meio da acupuntura. Em sua conclusão, da Silva aponta que a técnica chinesa é, no mínimo, tão efetiva quanto a terapêutica farmacológica, além de segura, apresentar resultados duradouros e custo-efetivos.

         As técnicas de relaxamento e meditação também têm sido estudadas no combate a estes sintomas. Em 2015 pesquisadores da Bowling Green State University observaram a melhora de mais da metade dos que sofriam de enxaqueca a partir da segunda semana de prática de mindfuness, uma técnica contemporânea de meditação sem conexão com um credo religioso específico. Por fim, pesquisadores austríacos publicaram em 2008 um relevante trabalho científico que demonstrou uma redução significativa da intensidade das dores de enxaqueca entre mulheres que iniciaram a prática de atividades físicas aeróbicas e relaxamento.

         Das várias possibilidades de contribuição para a neurologia pela medicina integrativa, a abordagem da enxaqueca é uma das mais relevantes. Estas técnicas não pretendem usurpar o papel da alopatia. Pelo contrário, além de se apresentar como uma alternativa a pessoas que não toleram a primeira estratégia, também podem ser utilizadas como complemento à farmacoterapia ocidental. Faz-se necessário, entretanto, que os interessados nestas alternativas contêm com a orientação de profissionais comprometidos com a verificação da eficácia dos tratamentos, uma vez que, nem todo o arsenal propalado pela mídia leiga, inclusive por alguns profissionais de saúde, foram demonstradas como seguras e eficazes.

Compartilhe

Fale Conosco

Para conhecer mais sobre a nossa revista, enviar dúvidas, sugestões ou comentários você só precisa preencher os campos do formulário abaixo.