Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Marco Antônio Neves Iack
Farmacêutico Bioquímico
CRF-RJ 6597
Revista Saúde Perss
Dr. Guilherme Alcantara Cunha Lima
Clínica Médica e Endocrinologia
CRM 52 81756-2
Mestre em Endocrinologia pela UFRJ
gaclima@yahoo.com.br
TESTOSTERONA E VERÃO: AMIGOS OU INIMIGOS?
O verão é a estação mais esperada do ano pela maioria das pessoas. Palavras como: férias, viagem, descanso e praia logo surgem a mente, e o calor característico desta estação nos leva a utilizar roupas mais frescas, o que invariavelmente, resulta em maior exposição do nosso corpo. Nos meses que antecedem o verão, a busca por academias de ginástica e procedimentos estéticos aumenta sobremaneira, em busca do corpo perfeito, com a premissa de que a pessoa não “faça feio” no verão. E nesta situação, muitas vezes visando uma aceleração do processo fisiológico de remodelação corporal, um perigo a saúde pode surgir: o uso inadvertido de esteroides anabolizantes.

A testosterona é um hormônio produzido principalmente pelos testículos, sendo responsável pela diferenciação sexual masculina. A produção de testosterona pelo homem resulta dentre outros, em aumento da força muscular e consistência óssea, redução da massa de gordura, engrossamento da voz e aumento da pilificação em áreas típicas, como: face, tórax, abdome e púbis, sendo o principal responsável pela transição infância-adolescência-idade adulta, inclusive na modulação do comportamento sexual masculino. Em mulheres, a testosterona é produzida em pequena escala pelos ovários, mas também é importante na definição da massa muscular e libido feminina.

Em homens, diversas patologias resultam em deficiente produção de testosterona, em consequência a problemas testiculares, intracranianos, doenças sistêmicas, uso de determinados medicamentos e causas genéticas, resultando em um variável quadro clínico, que depende da gravidade e idade do aparecimento. Na idade adulta, queixas sexuais são predominantes, e podem estar associadas a alterações do comportamento. Desta forma, em pacientes com queixas clínicas suspeitas, a dosagem de testosterona deve ser determinada, e caso esteja baixa (deve-se confirmar o resultado em nova dosagem), indica o tratamento com doses fisiológicas de testosterona.

Em mulheres, o uso da testosterona encontra-se indicado em apenas uma situação, denominada Transtorno do Interesse/Excitação sexual feminino. Este distúrbio é diagnosticado através de um conjunto de sinais e sintomas eminentemente clínicos, e não requer a dosagem sanguínea de testosterona para o diagnóstico. O motivo é simples: como mulheres produzem testosterona em pequena escala e os métodos disponíveis se destinam a detectar as concentrações sanguíneas da testosterona masculina, qualquer mulher que não tenha alguma patologia que resulte em produção excessiva de testosterona ou que não esteja usando este hormônio de forma inadvertida, terá dosagem baixa da testosterona, não permitindo diferenciar quem precisa ou não do uso do hormônio. A dosagem de testosterona nas mulheres encontra-se restrita apenas àquelas em tratamento do referido distúrbio, para guiar a dose recomendada, e em casos suspeitos de produção anormalmente elevada deste hormônio. Outra diferença marcante entre os sexos masculino e feminino é que, nas poucas mulheres que necessitam deste hormônio, as doses do mesmo são muito menores do que as recomendadas para os homens, não devendo ser prescrito nas dosagens disponíveis em nosso mercado.

Devido ao claro benefício estético da testosterona na composição corporal, muitos indivíduos fazem reposição deste hormônio de forma indiscriminada, sem indicação médica, principalmente no verão e nos meses que o antecede. O que estas pessoas não sabem, ou negligenciam apesar de saberem, é que o uso não indicado deste hormônio aumenta o risco de graves complicações potencialmente fatais, tais como: hipertensão, diabetes, arritmias cardíacas, hepatite, câncer e morte súbita. Comportamentos psiquiátricos, irritabilidade e infertilidade também são comuns nestes indivíduos, mesmo naqueles que utilizam substâncias ditas pré-hormonais, que assim como os sais de testosterona, não estão indicados na ausência de indicação clínica.

Se você deseja “fazer bonito” no verão, cuide bem do seu corpo o ano inteiro. Procure manter o seu peso adequado, comendo saudavelmente e praticando exercícios com frequência. Evite o uso de bebidas alcoólicas, do cigarro e fuja do estresse. Tais medidas são capazes de potencializar a sua produção fisiológica de testosterona, o que é capaz de melhorar a sua composição corporal. Não caia na tentação do verão. A reposição de testosterona deve ser realizada somente para os indivíduos que carecem de sua produção. Respeite seu corpo e a sua saúde. Desta forma, certamente você “fará muito bonito” no verão, independentemente do corpo que tem.

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