Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Marco Antônio Neves Iack
Farmacêutico Bioquímico
CRF-RJ 6597
Revista Saúde Perss
Dr. Carlos Fabian Seixas de Oliveira
Médico-Oftalmologista
CRM 5270262-5
Diplomado pela FMC
Membro do CBO e SBO
carlosfabian@globomail.com
TRAUMA OCULAR NA INFÂNCIA
Criança levada, atenção redobrada! Essa máxima deve nortear pais, professores e responsáveis para evitar acidentes oculares nas crianças, mantendo o ambiente onde ela brinca, estuda e convive seguro e livre de materiais que possam trazer riscos para a integridade física e ocular dos pequenos. São muito comuns os acidentes envolvendo crianças; lápis no olho por colega de classe, dedo no olho do irmão, boladas, arranhadura de animais domésticos (principalmente gatos), ardência nos olhos por conta de produtos químicos usados na limpeza da casa. Enfim, a lista é extensa.

Os casos mais frequentes são com objetos pontiagudos, contusões e substâncias químicas. Esses traumas podem ocorrer em momentos de brincadeiras em casa, na prática de esportes, no trânsito ou com substâncias para limpeza doméstica como: desinfetantes, cloro, saponáceos.

Nos casos de traumas oculares, as crianças devem ser levadas imediatamente ao oftalmologista ou ao pronto-socorro mais próximo. Lá, o médico avaliará o caso a fim de tomar as medidas mais eficazes para o tratamento, que pode ser clínico, com o uso de colírios, pomada, curativos na maioria dos casos ou se requer intervenção cirúrgica em casos mais graves que ameacem a visão do enfante. Em estatísticas recentes, cerca de 10% de todo o ferimento ocular severo pode trazer futuro comprometimento da visão em crianças quando não socorridas rapidamente ou tratadas corretamente. A cada ano, quase 6.000 mortes são resultado de traumas variados em crianças e adolescentes com menos de 14 anos, principalmente no trânsito. Estima-se que 90% desses traumas poderiam ser evitados por meio de ações socioeducativas, modificações no meio ambiente e cumprimento da legislação e regulamentações específicas.

Para prevenir os acidentes oculares nas crianças, algumas medidas podem ser adotadas por pais, professores e responsáveis, a saber:

Deixar sempre o cabo da panela virado para dentro prevenindo queimaduras na pele e nos olhos;
Manter longe do alcance das crianças os produtos de limpeza, sempre preferindo colocá-los em locais de difícil acesso à altura das mesmas.
Não presentea-las com objetos pontiagudos;
Ter atenção ao jardim da casa: lá se escondem plantas venenosas e pontiagudas que podem perfurar os olhos, ou mesmo, soltarem líquidos leitosos que causam queimadura nos olhos;
As fezes de alguns animais podem trazer doenças, inclusive para os olhos e o contágio pode ser feito através da mão-boca. A toxoplasmose é encontrada na água e nas fezes de animais como: aves e gatos. Muito cuidado com a areia dos parquinhos, que devem ser sempre limpos. Incentivar a criança a lavar sempre as mão após as brincadeiras;
Tomar cuidado com cigarro. Além de nocivo para a nossa saúde e das crianças como fumantes passivos, eles podem causar queimaduras oculares quando algum fumante com cigarro na boca pega alguma criança no colo;
Usar óculos nos esportes aquáticos, para evitar irritações por produtos químicos na água;
Na escola, professores devem estar atento aos objetos pontiagudos como lápis. As tesouras devem ser de ponta arredondada;
Orientar as crianças quanto ao animais domésticos. Passarinhos bicam, os gatos arranham e o cãozinho pode morder mesmo sem querer, e isso, pode ocasionar ferimentos nos olhos;
Orientar aos pequenos a não coçar os olhos, pois essa ação pode desencadear o astigmatismo e essa atitude frequente, em último caso, causar o ceratocone;
Usar o cinto de segurança, sempre e sempre e sempre, mesmo em trajetos curtos e para todos os ocupantes do carro. Crianças até 12 anos de idade devem utilizar o banco traseiro e nos menores usar a cadeirinha e os assentos de elevação. Nunca trafegar com crianças no colo, principalmente no banco da frente.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, ocorrem por ano 55 milhões de traumatismos oculares que restringem as atividades escolares e laborativas dos indivíduos por pelo menos 1 dia. As lesões no globo ocular na infância correspondem a considerável parcela dos casos de cegueira infantil no Brasil e refletem a grande exposição das crianças ao trauma. São mais frequentes entre os meninos, pois estes têm brincadeiras ditas mais agressivas e com uso de força, em comparação as meninas.

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