Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dr. Marco Antônio Neves Iack
Farmacêutico Bioquímico
CRF-RJ 6597
Revista Saúde Perss
Dr. Marco Antônio Neves Iack
Farmacêutico Bioquímico
CRF-RJ 6597
ENTREVISTA Dr. Marco Antônio Neves Iack
O entrevistado desta edição é o Dr. Marco Antônio Neves Iack, 46 anos, farmacêutico bioquímico, especialista em hematologia e em análises clínicas, sócio, efetivo da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas e sócio proprietário do Laboratório Pedra Verde, em Campos dos Goytacazes.

SP - Dr. Marco Antônio, nos conte sobre sua trajetória de vida e de formação.
MAI - Nasci em Itaperuna, mas vivi em São José de Ubá até os 14 anos, quando fui estudar em Viçosa/MG, no COLUNI (Colégio Universitário), que pertence à Universidade Federal de Viçosa. Minha origem é em uma família humilde. Meu pai, Astemiro Leite Iack, era lavrador e minha mãe, Maria Helena das Neves Iack, era professora e costureira. Foi com muito esforço e dificuldade que conseguiram manter meus estudos em Viçosa. Sou casado com a Myriam Manhães Galiaço Iack, e temos dois filhos, o Caio, com 20 anos, acadêmico em engenharia de computação no IFF e a Bárbara, 18 anos, tentando vestibular para medicina.

SP - Por que a opção de estudar distante de sua cidade e ainda tão jovem?
MAI - Surgiu a oportunidade de fazer uma prova e fui com um amigo, de São José de Ubá, o Anderson. Passamos, uma aprovação que mudou minha vida. Mudamo-nos em fevereiro de 1987, mas em maio, ele retornou à nossa cidade e eu segui sozinho. No início foi difícil, por muitas vezes senti vontade de voltar para casa. Sentia falta da família e da rotina de uma cidade pequena, mas todos me convenciam a continuar. Meus pais foram muito corajosos em me deixar ir morar distante aos 14 anos de idade.

Na ocasião, fiquei em uma República com 21 meninos, alguns do COLUNI, outros fazendo pré-vestibular, outros já na faculdade. Era um grupo heterogêneo e de vários lugares do país. No primeiro ano, só conseguia retornar a casa nos feriados numa viagem longa e cansativa, por volta de 10h, fazendo baldeações. A estrada entre Viçosa e Muriaé era de 60 km de chão. Recordo-me que quando chovia, havia um trecho da estrada, no topo, que tínhamos que descer do ônibus e passar a pé. Após o período de adaptação, ampliei o círculo de amizades, com os quais conversava sobre variados assuntos e a cidade inspirava a vontade de estudar, a universidade era bem atraente, bonita, despertava novos interesses.

SP - Foi lá na universidade que descobriu sua vocação para a área da saúde?
MAI - Desde criança me identifiquei com a medicina, mas sempre tive muito receio em vivenciar a perda de um paciente. No segundo ano no COLUNI, descobri o curso de Farmácia por meio do guia do estudante, foquei então nessa nova possibilidade.

SP - A sua formação foi em Juiz de Fora? Como foi a experiência?
MAI - Em 1991 ingressei-me na Universidade Federal de Juiz de Fora. O curso só veio confirmar aquilo que eu queria. Fui bolsista da farmácia universitária e quando na especialização em análises clínicas tive a total certeza do caminho a ser seguido. Em Juiz de Fora os tempos também foram bem difíceis e restritivos em termos financeiros. Me graduei como farmacêutico bioquímico em dezembro/96 e em março de 1997 estava em Campos trabalhando. Cursei uma primeira especialização em análises clínicas pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas e uma segunda em hematologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

SP - E qual foi a razão de trocar as Minas Gerais por Campos?
MAI - Comecei a entregar currículum em Aperibé e região. Em Santo Antônio de Pádua deixei um deles no Laboratório da Casa de Saúde Santa Mônica, ocasião em que o Dr. João Tadeu me ofereceu uma oportunidade em Campos, no Labmed. Ná época, eu e minha esposa permanecemos à distância, de março à novembro de 1997. Por meses, eu me alojava em um quartinho nos fundos da Labmed, quando aluguei uma casa e ela veio, já grávida do nosso primeiro filho. Ainda hoje, tenho contato e um excelente relacionamento com o Dr. João Tadeu, a quem tenho imensa gratidão.

SP - Conheceu sua esposa na universidade?
MAI - Não, nos conhecemos em uma das férias em São José de Ubá. Ela veio de Aperibé para lecionar, nos conhecemos, namoramos à distância a maior parte do tempo e apesar de casados, de 1993 a 1996, permanecemos distantes para a conclusão de minha faculdade. Nessa época eu pegava cerca de oito caronas para chegar até ela, inclusive em carroceria de caminhão de carvão.

SP - Hoje vocês trabalham juntos, são gestores do Laboratório Pedra Verde. Como é essa experiência?
MAI - A Myriam é professora, graduada em Matemática e desde 2015 é a responsável pelo setor financeiro. Foi uma excelente decisão. A experiência de trabalharmos juntos é muito boa, mantemos interação e uma relação de extrema confiança. O lado negativo é que estamos 24h ligados à empresa, com assuntos profissionais a todo momento e torna-se um pouco cansativo.

SP - Dr. Marco, o senhor atua em outros locais além do laboratório?
MAI - Trabalhei durante 3 anos na farmácia da Unimed - Campos enquanto também trabalhava em laboratório. Do ano 2000 pra cá, sempre em laboratório exclusivamente. Sou concursado do Hospital Ferreira Machado, com duas aprovações e dois vínculos. Permaneci por 15 anos à frente de um grande laboratório de Campos e em fevereiro de 2015 tive a oportunidade de comprar o Laboratório Pedra Verde, a princípio eu e mais dois amigos e, após o primeiro ano da aquisição, permanecemos apenas eu e o Dr. José Luíz Kury.

SP - Houve transformações com a troca de gestão. Como foi esse processo?
MAI - O laboratório Pedra Verde foi fundado em 1971, mas, apesar de sua tradição, mantinha uma localização escondida, com acesso apenas pela parte interna do edifício Pedra Verde. A nossa vontade sempre foi ter instalações em face de rua, com maior visibilidade. Em 2017 conseguimos o imóvel para a nova sede, inaugurada em fevereiro deste ano. O objetivo foi investir de dentro para fora, a aquisição de novas tecnologias, aprimorar o atendimento, oferecer comodidade como resultados online e segurança com amostras identificadas com códigos de barras por exemplo.

SP - Quais são os serviços que o laboratório oferece?
MAI - O laboratório oferece todo tipo de exames laboratoriais, incluindo citologia oncótica e o que não fazemos internamente, temos grandes parceiros de porte nacional que nos assistem. Há exames de genética, que permitem rastreamento de algumas doenças, indicando pré-disposição ao desenvolvimento. Com uma única amostra há, por exemplo, há possibilidade de identificar intolerância a 200 tipos de alimentos.

SP - Economicamente, é mais viável prevenir doenças do que tratá-las?
MAI - Sim, há pesquisas que reforçam essa tese de que é mais barato prevenir do que tratar, mas no Brasil a medicina preventiva ainda é muito precária.

Aliar o histórico clínico familiar a exames genéticos permite monitoramento e resposta rápida ou para prevenção ou para descoberta de doenças no início, com possibilidade de cura ampliada. Se há prevenção, há maior sucesso no tratamento, como foi o caso famoso da atriz Angelina Jolie. Estamos nos programando para trabalhar esta idéia com os médicos da região

O laboratório oferece também teste de paternidade intrauterino, sem prejuízos ao feto, há marcadores de doenças oncóticas, fibroses císticas, entre outros. Nutrigenética por exemplo, um exame com parâmetros para dietas de emagrecimento ou tratamento, porque existem alimentos que não são bem processados por algumas pessoas. Um teste com mais de 100 páginas de laudo, que permite aos profissionais analisar se o organismo do paciente se adapta ou não a determinados tipos de alimentos.

Há a farmacogenética, que explica porque alguns pacientes reagem melhor a um tipo de medicamento do que outros. A genética representa muitas possibilidades na área de saúde, na prevenção de doenças, e espero o momento que seja relevante na medicina preventiva.

O laboratório Pedra Verde possui um espaço infantil. Uma área lúdica, pensada especialmente para que as crianças fiquem tranquilas na espera e realização dos exames. Trocamos o jaleco branco dos profissionais pelo verde para ajudar a amenizar esse processo psicológico traumático e há uma colaboradora com habilidades com este público, que faz bichinhos de balão, enfim, as crianças adoram.

SP - Quais são os projetos futuros?
MAI - O foco é a ampliar a divulgação do espaço infantil, bem como dos exames da parte genética que faz o diferencial na atualidade, e ampliação das parcerias com clínicas para postos de coleta. Hoje já temos como parceiros as Clínicas: São Judas Tadeu, Pró Vida, SalveClin e no Jockey um posto de atendimento.

Sempre focando a comodidade do nosso cliente, temos opções montadas de perfis de check-up: masculinos, femininos, infantis, pré-nupcial, melhor idade, sexo seguro. São combos, como pacotes, que facilitam o público em geral na realização de suas pesquisas em busca de tranquilidade e prevenção. E, para 2019, pensamos em mostrar, cada vez mais nossa empresa, com busca contínua na excelência, levando qualidade e credibilidade aos nossos clientes, parceiros e médicos que confiam em nossas análises.

Compartilhe

Fale Conosco

Para conhecer mais sobre a nossa revista, enviar dúvidas, sugestões ou comentários você só precisa preencher os campos do formulário abaixo.