Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Jodinéa Melo Maurício Cesário
Pediatra e Médica do Trabalho
CRM 52 7572-76
Revista Saúde Perss
Dr. Francis Roque Khouri
Urologista
CRM 52 49354-1
Formado pela FMUF de Juiz de Fora-MG
khourifrancis@gmail.com
MEU PÊNIS ESTÁ TORTO - DOENÇA DE PEYRONIE
Doutor, meu pênis está torto e agora? Este é o relato dos pacientes que nos procuram, e o diagnóstico é: doença de peyronie (DP) ou induratio pênis, que é uma lesão fibrótica, de origem desconhecida que afeta a túnica albugínea dos corpos cavernosos, de forma localizada, que pode resultar em deformidades penianas, dor, disfunção sexual erétil e perda do comprimento peniano. Esta doença responde por um impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes, tendo uma prevalência de 3,2%, muito similar a doenças como diabetes ou cálculos renais. Apesar de ser reconhecida como uma doença há cerca de 500 anos por Fallopius e descrita há 250 anos por François Gigot de La Peyronie, a abordagem não cirúrgica da DP é bastante controversa, porém, nos estágios iniciais da doença, quando o paciente nos procura com dor peniana associada a leve curvatura do pênis, é bastante razoável iniciar o tratamento de forma não invasiva. O tratamento cirúrgico deve ser instituído após 12 meses de estabilização da doença, isto é, ausência de dor ou progressão dos sintomas neste período. Após a confirmação da DP podemos oferecer a estes pacientes algumas opções terapêuticas como: tratamento oral, tratamento intra-lesional, aplicações tópicas, litotripsia extracorpórea, dentre outras.

Tratamento oral
 
Várias são as opções medicamentosas utilizadas para o tratamento da DP como: vitamina E, potaba (para-aminobenzoato de potássio) que exerce um efeito anti-inflamatório e anti-fibrótico através da estabilização da atividade serotonina-monoamino-xidase no tecido e um efeito inibitório direto na secreção de glicosaminoglicanas pelos fibroblastos, o  tamoxifeno, a colchicina dentre várias outras, porém, seu urologista irá avaliar e definir a melhor opção terapêutica para cada caso.
 
Tratamento intra-lesional
 
O tratamento intra-lesional da DP não é uma ideia nova. Já no final do século XIX foram realizadas tentativas de dissolver a placa com substâncias à base de mercúrio ou iodo, assim como: fibrinolisinas e dimetil sulfoxido (DMSO). O objetivo é obter uma alta concentração local da droga, diminuindo os efeitos colaterais sistêmicos. As drogas mais utilizadas são: verapamil, interferon, colagenase, corticóides.
 
 Interferon: o efeito do inteferon alfa e alfa 2 no fibroblastos proveniente do cultivo de células derivadas da placa de peyronie causou inibição da proliferação fibroblástica e da produção de colágeno. Vários estudos demonstram alívio da dor, diminuição do tamanho da placa e da curvatura do pênis logo após as primeiras injeções.
 
 Corticosteróides: apresentam melhoras após 8 a 10 aplicações peri-lesional, porém, apresentam resultados melhores na fase inicial da patologia.
 
Terapia por ondas de choque de pressão acústica (shockwave )
 
Essa terapia por ondas de choque tem demonstrado um bom potencial para se tornar o tratamento não invasivo e indolor de primeira escolha.
 
Os primeiros estudos sobre o efeito do shockwave no tratamento da doença de peyronie e da disfunção sexual erétil foram publicados em 2010 e, desde então, tem mostrado cada fez mais resultados bastantes encorajadores.
 
Além da ação de neovascularização do pênis provocada pela angiogenese, promove um aumento da musculatura lisa endotelial vascular, um aumento da musculatura lisa dos corpos cavernosos, do endotélio vascular e dos nervos nos condutores dos estímulos sexuais que chegam as artérias penianas. As ondas de choque também alteram a resistência quebrando a placa fibrótica da albugínea (peyronie).
 
O tratamento com shockwave (ondas de choque) não envolve nenhum medicamento, não provoca efeitos colaterais e não afeta outros órgãos ou tecidos saudáveis. Não é invasivo, é indolor e não requer nenhum tipo de preparação, sedação ou anestesia.
 
        Concluindo, podemos dizer que o shockwave hoje é primeira opção para o tratamento da doença de peyronie. Todas as outras opções terapêuticas anteriormente relatadas devem ser discutidas com o paciente podendo ser associadas ou não a esta nova modalidade terapêutica, haja visto, o comportamento da doença e os possíveis insucessos decorrentes da sua terapia.
 
O tratamento clínico é demorado e tem duas funções principais: aliviar a dor e corrigir a curvatura peniana. Quando não se obtém resultados satisfatórios, deve-se oferecer ao paciente o tratamento cirúrgico que tem como objetivo retificar o pênis, corrigindo assim, a curvatura e permitindo o retorno do paciente à sua atividade sexual. A cirurgia, porém é indicada somente após a estabilização da curvatura, da placa fibrótica e da dor. O tratamento cirúrgico é mais bem indicado nos casos mais complexos, com curvaturas importantes, que estejam dificultando, ou mesmo, impedindo a penetração peniana, dificultando a vida sexual do paciente.

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