Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Jodinéa Melo Maurício Cesário
Pediatra e Médica do Trabalho
CRM 52 7572-76
Revista Saúde Perss
Dra. Karine Portilho Franco
Dermatologia
CRM 52 101628-9
Pós-graduação em dermatologia pela
Santa Casa de Misericórdia do RJ Hospital Gamboa
karinepfranco@hotmail.com
EFLÚVIO TELÓGENO
Uma queixa muito comum nos consultórios dermatológicos é o aumento da queda de cabelo. Os pacientes relatam, com bastante preocupação, que começaram a perceber uma grande quantidade de cabelos no ralo do banheiro, na escova, no travesseiro e no chão.

O crescimento dos cabelos é cíclico e nem todos os fios estão na mesma fase de crescimento: se isso acontecesse, ficaríamos carecas por alguns períodos. O fio de cabelo cresce por um período geneticamente determinado, que dura de dois a seis anos. Durante essa fase, chamada anágena, o fio atingirá seu comprimento máximo. Dependendo de quanto ela dure, os seus cabelos poderão ser mais longos ou mais curtos. Sabe-se que um fio de cabelo cresce em média 0,33 milímetros por dia, correspondendo a um crescimento médio de um centímetro por mês. Depois dessa fase há uma interrupção no crescimento dos fios e tem início a fase catágena, que dura de duas a três semanas. Finalmente, o fio entra na fase telógena, em que ele se prepara para cair, porém, isso só ocorre quando um novo fio está pronto para nascer dentro daquele folículo. Essa última fase dura cerca de três meses.
 
Normalmente, cerca de 85 a 90% dos folículos pilosos estão na fase anágena (fase de crescimento), 1% na fase cátagena (fase de regressão), e 10 a 15% na fase telógena (fase de preparação para a queda do cabelo).
 
A queda normal diária de cabelos apresenta uma relação direta com o número total de cabelos, e também, com a duração da fase anágena. Suponde que uma pessoa tenha 100 mil fios de cabelos, e que sua fase anágena dure três anos. Isso significa que a cada três anos, ela troca todos os seus cabelos, ou seja, ela troca todos os 100 mil a cada 1000 dias aproximadamente, o que equivale a 100 fios revezados por dia.
 
O eflúvio telógeno (ET) é uma tricose, descrita pela primeira vez em 1961 e trata-se de uma queda capilar abrupta, difusa e intensa, sendo mais comum em mulheres. A quantidade de perda de cabelo pode variar de 100 a 600 fios por dia. Geralmente se desenvolve de três a seis meses após algum agente desencadeante como medicamentos, febre, infecção, doenças sistêmicas, pós-parto, estresse emocional, vacinação, cirurgias agressivas e demoradas, algumas agressões diretas sobre o couro cabeludo como: queimadura solar, dermatite de contato, carências nutricionais como a deficiência proteica, de ferro, zinco, biotina, vitamina B12, vitamina D, vitamina E e vitamina C por exemplo. No entanto, cerca de um terço dos casos permanece sem etiologia esclarecida.
 
 Para realizar o diagnóstico é muito importante uma anamnese bem feita, e ainda durante a consulta, é realizada a prova de tração, na qual, como o próprio nome diz, é realizada a tração de alguns fios de cabelo e analisada a quantidade que se desprende. Posteriormente, realiza-se a dermatoscopia do couro cabeludo (tricoscopia) e pode ser feita também a análise dos fios de cabelo através do tricograma. É também solicitado exame de sangue para afastar doenças sistêmicas e carências nutricionais que podem estar associadas ao quadro da queda capilar.
 
O eflúvio telógeno (ET) pós-parto não afeta todas as mulheres. Começa entre dois a quatro meses após o parto, e geralmente, dura de cinco a seis meses. Normalmente, a perda é autolimitada e seguida por reversão completa. Em algumas mulheres, o cabelo não volta a ser tão espesso como antes e torna-se mais seco, talvez por causa da redução pós-parto de estradiol e tiroxina. A ingestão de biotina durante a gravidez pode prevenir a dermatite seborreica do recém-nascido e, após o parto, a ingestão de biotina previne e ajuda a tratar o eflúvio telógeno segundo alguns autores.
 
Não existe tratamento específico para o ET. É fundamental que o paciente seja bem informado sobre sua condição e que o agente desencadeante seja esclarecido e, se possível, eliminado. 

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