Revista Saúde Perss
CAPA | ENTREVISTA
Dra. Jodinéa Melo Maurício Cesário
Pediatra e Médica do Trabalho
CRM 52 7572-76
Revista Saúde Perss
Arthur Soffiati
Professor de história e eco-historiador
Mestrado e doutorado na UFRJ
as-netto@uol.com.br
OS FENÔMENOS NATURAIS E A VIDA
         Há quem diga que nosso planeta azul é maravilhoso e a casa perfeita para nós humanos. Na outra extremidade, há os que consideram a Terra como extremamente hostil à vida. Nenhum dos dois lados tem razão. Por enquanto, não encontramos uma casa adequada para a vida. Os astrônomos descobrem frequentemente um planeta que se pareça com o nosso. Há empresários investindo em turismo espacial. Eles pensam até em criar colônias em outros astros. Eles se deslumbram com a tecnologia e com a perspectiva de ganhar dinheiro conquistando uma parcela ínfima do espaço.

         Por ora, estamos presos na Terra. Um asteroide colidiu com a terra há cerca de 66 milhões de anos e causou a extinção dos grandes dinossauros e de outros grupos. Ela é bombardeada diariamente por muitos micro asteroides. Os perigos para a vida ou parte dela, no momento atual, são:
 
 Colisão de astros: os corpos do Universo estão sujeitos a impactos de astros. Não adianta fugir para outro planeta. Seja aonde for, correremos riscos de colisão. Por outro lado, só excepcionalmente um choque desse tipo extinguiria a vida na Terra. Temos de conviver com esse risco.
 
 Vulcanismo: a atividade vulcânica foi muito mais intensa no passado da Terra. A tendência é que o magma, matéria em estado de fusão no centro do planeta e que vem à tona pelos vulcões, resfrie-se progressivamente. Os vulcões funcionam como panela de pressão e podem causar grandes estragos. Nos dias atuais, uma erupção de grande magnitude causaria muitas mortes e estragos materiais. Duas erupções recentes mostram as diferenças entre países ricos e pobres. No Havaí, o vulcão Kilauea lançou lava e gases em grandes proporções. O número de vítimas foi pequeno, pois o nível de vida da população é elevado e o serviço de segurança dos EUA é eficiente. Por outro lado, a erupção do vulcão do Fogo, na Guatemala, país pobre da América Central, causou muitas mortes e danos materiais. Como é comum em áreas pobres empurrar as pessoas de baixa renda para as áreas de risco, muitas delas morreram.
 
 Terremotos: os oceanos e os continentes estão sobre placas tectônicas. As camadas nunca estão plenamente acomodadas. Eles se movimentam e quando o assentamento é grande, movimentos acontecem na superfície. Ocorre o mesmo nos mares, nos pontos que se situam sobre fratura das placas. Quando elas se movimentam, acontecem terremotos ou maremotos. Em áreas pouco habitadas, os terremotos causam danos menores que aqueles registrados em áreas povoadas. Isto significa que um terremoto de baixa magnitude pode causar grande destruição e muitas mortes, mas por conta da ocupação do espaço que pela intensidade da atividade sísmica. Foi o que ocorreu no México recentemente. O tremor principal e os secundários mataram pessoas e provocaram destruição material.
 
 Maremotos: se a acomodação de placas tectônicas ocorre em áreas cobertas por água do mar, um sismo pode causar um maremoto ou um tsunami. Em 2011, ocorreu intenso tsunami no Japão. Aliás, o Oceano Pacífico é circundado pelo conhecido círculo de fogo do Pacífico, onde a ocorrência de fenômenos sísmicos é grande. O mapa que ilustra o artigo mostra o cinturão em linha preta adensada penetrando no oceano Índico e no sul da Ásia e Europa. No mundo superpovoado de hoje, terremotos e tsunamis causam mais mortes e destruição.
 
 Tempestades de água: a partir desse ponto, o natural e o humano começam se misturar. A emissão excessiva de gases oriundos das atividades econômicas está alterando o comportamento do clima. A partir da revolução industrial, o volume de gás carbônico, principalmente, está elevando as temperaturas médias e causando anomalias no clima. Chove demais em tempos de chuva e de menos em tempos de estiagem. O aquecimento do planeta está aumentando. Tempestades de água e secas estão assolando a economia e causando doenças e mortes.
 
 Tempestades de vento: da mesma forma, as mudanças climáticas se manifestam em tempestades de vento, que sempre vêm acompanhadas por água. Elas são muito frequentes na zona intertropical, sobretudo no oceano Atlântico, entre as Antilhas e o golfo do México. Essas tempestades se tornam mais intensas quanto maior for o aquecimento dos oceanos. Matam e destroem.
 
 Elevação do nível do mar: com a elevação de temperaturas globais, as geleiras do planeta derretem. A água proveniente delas descem pelos rios e chegam ao mar. Na maior parte dos casos, o nível do mar se eleva pelo derretimento das geleiras. Nota-se o avanço progressivo do mar em toda a costa brasileira. Perto de nós, está o caso de Atafona, em que a erosão da praia é causada por agentes naturais agravados por intervenções humanas. Ainda não se pode falar em mortes, mas sim, em destruição material.

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