Revista Saúde Perss
CAPA
Rad-Med
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dr. Carlos Mário Mello de Souza
Radiologia
CRM 52 32139-2
Revista Saúde Perss
Dr. Herbet Rosa Pires Jr.
Cirurgião cardiovascular adulto e pediátrico
CRM 52 76697-6
Residência em cirurgia cardiovascular pediátrica no Hospital da Criança
Goiânia - GO
Membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV)
herbetrpj@yahoo.com.br
CARDIOPATIAS CONGÊNITAS - DA ORIGEM À REALIDADE
        As afecções que acometem estruturalmente o coração ou os grandes vasos sanguíneos (arteriais e venosos) são denominadas de cardiopatias congênitas.

        Essas patologias estão presentes em torno de 8 a cada 1000 nascidos vivos e a gravidade está relacionada a uma série de fatores, tais como: a idade gestacional (prematuridade); a complexidade da cardiopatia, a associação com outras síndromes genéticas.

São classificadas basicamente em:

Cardiopatias cianóticas e acianóticas;
Cardiopatias com hiperfluxo e hipofluxo pulmonar;

         Como exemplo de cardiopatias acianóticas podemos citar: comunicações interatriais e interventriculares, persistência de canal arterial...

         Entre as cardiopatias classificadas como cianóticas temos: tetralogia de Fallot, estenoses pulmonares e transposição dos grandes vasos da base...

         Neste universo tão peculiar há de se destacar a importância do diagnóstico precoce. Aqui reside o papel do ecocardiograma fetal. Exame que deve ser realizado entre 28-32 semanas de gestação e que é capaz de confirmar (ou suspeição) da patologia, definir a sua gravidade e permitir ao obstetra, pediatra e aos pais uma programação quanto a necessidade de procurar um serviço especializado.

         Vale lembrar que hoje, a disponibilidade desse exame pelo SUS (Sistema Único de Saúde) é restrito.

         Dessa forma, torna-se imperativo a presença de um oxímetro na sala de parto (teste do coraçãozinho). Esse aparelho permite ao pediatra avaliar a quantidade de oxigênio presente na periferia do recém-nascido (dedo do pé ou da mão) e quando abaixo de 95% aumenta a suspeita quanto a presença de uma cardiopatia, e com isso, permite o encaminhamento para um especialista.

         Os sinais e sintomas variam desde a presença de cansaço com dificuldade para respirar, mamar no peito, até pacientes que nascem cianóticas (azuis) com um quadro mais grave, e na maior parte das vezes, com necessidade de um suporte de terapia intensiva.

         O tratamento envolve desde o tratamento clínico de suporte (manter um canal arterial patente em uma cardiopatia complexa) passando pelo tratamento intervencionista percutâneo (abertura de um septo interatrial em uma transposição dos grandes vasos) até ao tratamento cirúrgico e as suas variadas técnicas.

         Hoje, carecemos em nossa cidade de um serviço especializado para o tratamento das crianças cardiopatas. Os hospitais da nossa região que possuem serviços de cirurgia cardiovascular não possuem estrutura capaz de atender a esse púbico.

         Como cirurgião cardiovascular pediátrico fico extremamente angustiado com toda essa situação que envolve essas crianças. Todos sabemos da realidade da saúde pública em nosso país, estado e município. Mas, ao mesmo tempo, nos permite sonhar com uma parceria público privada (PPP) para estruturar um serviço completo (UTI neonatal e pediátrica, centro cirúrgico e profissionais habilitados para exercer essa função).

         Hoje, já existe uma mobilização nacional em torno das crianças cardiopatas. Esse movimento conta com o apoio do Ministério da Saúde, Conselho Federal de Medicina e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e visa a aumentar o número de centros formadores de cirurgiões cardíacos pediátricos, melhorar a remuneração desses profissionais e estimular a migração desses profissionais para regiões mais carentes (especialmente as Regiões Norte e Nordeste).

         Campos representa um pólo regional que envolve em torno de 1.500.000 pessoas. É inaceitável que uma cidade com tamanho potencial deixe de oferecer um serviço tão essencial para a sua população. Passou da hora de nos mobilizarmos em torno dessas pequenas vidas e de todos àqueles à sua volta.

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