Revista Saúde Perss
CAPA
Rad-Med
Revista Saúde Perss
ENTREVISTA
Dr. Carlos Mário Mello de Souza
Radiologia
CRM 52 32139-2
Revista Saúde Perss
Bianca Marques Rocha
Fonoaudióloga
CRFa 114677
Formada pela Faculdade Redentor - Itaperuna
bmfono@outlook.com
E QUANDO OUVIR NÃO É O SUFICIENTE?
A comunicação é a base do desenvolvimento humano, pois permite a interação de um grupo, utilizando os sentidos primitivos existentes. Um desses sentidos é a audição. O sistema auditivo é constituído por um trajeto com muitos processos, gerado por estímulos que serão decodificados e interpretados para motivar uma resposta. O ouvir é uma habilidade biologicamente inata, sendo aprimorada pela experiência do indivíduo com o ambiente.

O Processamento Auditivo Central (PAC) é um processo ainda pouco divulgado que remete às características dos estímulos sonoros que devem ser percebidos pelo sujeito e que traz grandes prejuízos à comunicação quando alterado.

O PAC diz respeito a uma série de sequências envolvidas na análise e interpretação dos sons, que abrangem as vias auditivas e o córtex cerebral, estruturas do Sistema Nervoso Central (SNC). É a estreita relação entre a orelha e o cérebro. As habilidades auditivas envolvem detecção, discriminação (resolução temporal, resolução de frequência, localização, lateralização, sequenciação), figura-fundo e fechamento dos eventos acústicos. Tais habilidades juntamente com o desenvolvimento da linguagem favorecem ao indivíduo capacidade de aprendizagem da leitura e da escrita, memorização, atenção e resposta imediata às demandas auditivas entre outras. O PAC é mais do que a capacidade de ouvir a mensagem, é compreendê-la de forma correta em qualquer situação ou ambiente.

O Distúrbio do Processamento Auditivo Central vai gerar desordem em uma ou mais habilidades auditivas responsáveis pela compreensão da mensagem ouvida. Tal desordem pode acontecer em crianças, adolescentes, adultos e idosos com manifestação de diferentes déficits. Embora apresentando audição normal, com boa capacidade de detecção dos sons, os pacientes têm dificuldades na compreensão da fala (ouve, mas não entendem) com piora em ambientes ruidosos e reverberantes, substituições de letras na fala e na escrita, queixas de dificuldade em memorização, queixas para manter a atenção, dificuldades na percepção da entonação da fala (ironia, sarcasmo, perguntas), embaraços em interpretação de ordens, lentidão na execução de tarefas que demandam maior função cerebral, além de outras questões que podem ser limitantes ao desenvolvimento pessoal, escolar e profissional do indivíduo.

Os testes auditivos comportamentais para avaliação do processamento auditivo central são realizados com crianças a partir dos sete anos, adultos e idosos com capacidade de resposta e pessoas com perda auditiva com limiares moderados. Os testes são realizados após avaliação auditiva periférica com audiometria tonal e vocal e imitanciometria.

A avaliação do processamento auditivo é muito importante para o diagnóstico diferencial de outras disfunções do SNC; além de fornecer dados para o planejamento da intervenção fonoaudiológica. Após comprovar o comprometimento das funções auditivas centrais, o paciente é encaminhado para o tratamento que consiste no treinamento auditivo. Neste, cada aspecto das habilidades auditivas serão treinadas utilizando recursos tecnológicos formais e informais com estratégias terapêuticas para a reabilitação. A identificação precoce juntamente com a intervenção que é essencial, favorece a plasticidade cerebral com melhores resultados.

O teste do PAC auxilia nas dificuldades apresentadas por idosos que utilizam o aparelho de amplificação sonora individual (aparelho auditivo); certo de que, na avaliação, serão observadas, quais habilidades auditivas encontram-se com maiores dificuldades, resultando em um treinamento auditivo adequado melhorando a adaptação. Assiste da mesma forma, escolares em todas as faixas etárias com alterações na leitura e escrita e que apresentam dificuldades na aprendizagem escolar, deficiência em interpretação de textos, além de problemas de comportamento relacionados ao processamento auditivo. O declínio das habilidades auditivas começa na fase adulta para homens e mulheres, visto que podem ser beneficiados pelo treinamento auditivo igualmente, fortalecendo as conexões cerebrais, melhorando a comunicação.

O tratamento, assim como a avaliação do processamento auditivo central, é realizado pelo fonoaudiólogo, profissional que atua nas particularidades da audição. Portanto, procurar o otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo apresentando as dificuldades mencionadas, torna-se muito importante para a intervenção mais eficaz.   

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